quarta-feira, 19 de agosto de 2015

20 de Agosto, não é Pelo Governo ou Pelo Golpe, é Contra o Ajuste Fiscal e Por Direitos.

Por: 

Tárcio Holanda Teixeira

TERÇA-FEIRA, 18 DE AGOSTO DE 2015

Quem acompanha o blog Vida Vivida, ou as redes sociais vinculadas ao blog, deve lembrar do texto publicado sobre os atos dos dias 13 e 15 de março (http://www.tarcioteixeira.com/2015/03/13-ou-15-de-marco-o-que-voce-defendeu-o.html), pelo visto estávamos em uma análise próxima da realidade, mas alguns teimam em repetir o erro. Nas próximas linhas relacionaremos os atos do mês de março aos atos unificados de maio e agosto de 2015.

Após um debate programático, deixando claro até onde entendemos existir unidade nas mobilizações, vou fazer questão de repudiar a postura de alguns sindicalistas filiados ao PT que tentam liquidar os/as que pensam diferente com o mesmo método daqueles que alguns chamam de “coxinha”, com base na mentira e no aparelhamento das estruturas sindicais.

Sabemos que muitas pessoas, principalmente os defensores do Governo Dilma, precisam administrar muitas contradições e traições, são muitos os métodos usados para afastar os/as lutadores/as sociais que apresentam um programa verdadeiramente necessário e atual para classe trabalhadora na conjuntura atual; adiantamos que esses métodos não nos afastarão da luta ou da busca por unidade programática, mas também não ficaremos calados, sigamos ao texto.

Após março, quais os rumos das direções e do povo no pós 16 e 20 de Agosto?

Primeiramente dizer que ninguém promove um golpe ou defende-se de um golpe sem o devido apoio popular, sem os/as trabalhadores/as na base de apoio. Em outras palavras, os/as trabalhadores/as estavam presentes nos dois atos de março, contudo, existem diferenças em suas direções. A direção que organizou o primeiro ato (13 de março) teve como objetivo a defesa do Governo; já os/as dirigentes do segundo ato (15 de março) tentaram canalizar a insatisfação com o governo para um golpe. Motivos mais que suficientes para o PSOL não ter ido em nenhum dos dois atos e para o primeiro ato ter tido milhares de pessoas a menos.

O atual Governo é indefensável, MPs retirando direitos trabalhistas, desmonte da saúde e da educação pública, entrega da Petrobrás, Agenda Brasil e o Ajuste Fiscal como um todo. Nenhuma criança do ensino básico vai cair na balela de proteger Dilma/PT e responsabilizar Levy e Eduardo Cunha (PMDB/RJ), como se a Presidenta da República e seu partido, o PT, nada tivesse com a retirada de direitos que sofre o povo brasileiro.

As pessoas não estão dispostas a aceitar golpe, a correr o risco de ter Cunha ou Renan Calheiros na Presidência da República; não estão dispostas a ter novas eleições, a maior parte do povo brasileiro compreendeu o impacto do poder econômico no processo eleitoral; não tem no PSDB de FHC, Aécio Neves e Cássio Cunha Lima, uma referência positiva, apenas aspectos nefastos ao país, a exemplo da entrega da Vale do Rio Doce, o processo do Mensalão Mineiro, do Metrô de São Paulo, a cassação de Cássio, entre tantos outros escândalos que envolve a tucanada.

Arrisco dizer que a redução nos números de cidades que realizaram atos no dia 16 de agosto é resultado do descrédito do povo com a direção golpista (PSDB, PMDB, DEM e Outros) que vem organizando e convocando esses atos; arrisco ainda afirmar que os atos que estão sendo convocados para defender o Governo, como vem fazendo parte do movimento sindical em Pernambuco, serão verdadeiros fiascos.

E só existem dois caminhos, o governo e a oposição golpista de direita?

Apesar do Presidente da CUT-Paraíba, pressionado pelo SINTEP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Paraíba) e pelo SINTEM-JP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de João Pessoa), não ter escondido seu incômodo com a presença do PSOL nas reuniões preparatórias para o ato unificado do dia 29 de maio, “Contra a Terceirização, Medidas Provisórias 664 e 665 e o Ajuste Fiscal. Em Defesa da Democracia”, após escutar as outras entidades presentes ele acabou compreendendo a importância de realizar um ato unificado com todos que querem defender os direitos dos trabalhadores. O ato do dia 29 de maio foi superior aos do dia 13 de março por um motivo simples, o seu programa.

Nós do PSOL não participaremos de nenhum ato em defesa do governo ou de golpe.

Farei questão de representar o PSOL nos atos do dia 20 de agosto que defenda a pauta que vem sendo construída nacionalmente por diversas entidades e movimentos sociais. Felizmente, aqui na Paraíba, durante a reunião para debater o ato do dia 20 de agosto, os/as presentes foram na linha da defesa dos direitos e não da defesa do governo. A pauta nacional para os atos do dia 20 é: “Contra o ajuste fiscal! Que os ricos paguem pela crise! - A política econômica do governo joga a conta nas costas do povo.”; “Fora Cunha: Não às pautas conservadoras e ao ataque a direitos!”; “A saída é pela Esquerda, com o povo na rua, por Reformas Populares!”.

A pauta que precisa ser defendida por todos deve ser a mesma que ecoou nas ruas em 2013, nada mais que as: “Reformas necessárias para o Brasil: Reforma Tributária, Urbana, Agrária, Educacional, Democratização das comunicações e Reforma democrática do sistema político para acabar com a corrupção e ampliar a participação popular”.

Compreendemos que não existe apenas uma polarização entre governo e golpe, existe o caminho do Programa, da pauta a ser defendida, esse deve ser o caminho dos que querem a transformação social e a conquista de direitos.

Permitam mais uma conjectura, agora sobre os atos do dia 20 de agosto, eles serão importantes, mas milhares de trabalhadores/as e estudantes não participarão por desconfiar de algumas organizações que estão na convocando e preparando os atos, entidades que não possuem mais a mesma representatividade de outrora. Para ampliar as vitórias vamos precisar da horizontalidade e das mobilizações de 2013.

E por que querem calar o PSOL?

De um lado, Eduardo Cunha pauta na Câmara dos Deputados uma contrarreforma que tem endereço certo, calar o PSOL, único partido com representação no Congresso Nacional que não recebeu nenhum centavo das empresas envolvidas na Operação Lava Jato, único partido com representação no Congresso Nacional que teve uma candidatura a presidência que destoou das propostas que hoje são apresentadas no Congresso.

Do outro lado, o PT, ao lado do PSDB, PMDB, DEM, PTB, PP e outros partidos aprovaram a lei antiterrorismo, que coloca em risco a autonomia e a luta dos movimentos sociais em nosso país, apenas o PSOL e o PC do B votaram contra.

Na Paraíba também seguem os ataques ao PSOL. Sindicalistas filiados ao PT aprovaram no Congresso Estadual da CUT (CECUT/PB), realizado entre 06 e 08 de agosto do corrente ano, uma moção de repúdio com acusações graves e mentirosas contra duas centrais sindicais, a Conlutas e a Intersindical, segunda nem sindicato filiado na Paraíba possui; e contra dois partidos da esquerda socialista, o PSTU e PSOL.

A moção, apresentada pelos diretores do SINTEM e do SINTEP, não se limita ao debate político, ao afirmar que PSTU, PSOL, Conlutas e Intersindical, estavam articuladas com a direita conservadora; a moção aprovada no CECUT/PB ainda afirma que desrespeitamos “idosos/as, mulheres e aposentados/as da base”.

Sem freio, como Cunha no Congresso Nacional, a maior instância da CUT na Paraíba ainda nos acusa de ter quebrado “o Auditório do SESI, o Ginásio do Esporte Clube Guarany, o Auditório da Federação Espírita da Paraíba, além de socos e pontapés nas Assembleias em frente ao Liceu Paraibano”; e seguem nos acusando de espancar funcionários da sede da entidade, quebrar e pichar o prédio e, pasmem, de roubar pertences pessoais de trabalhadores/as alojados nas dependências do SINTEM.

São acusações descabidas de duas direções que estão desesperadas ao perceber que os/as professores/as não estão dispostos a seguir sendo dirigidos/as por pessoas que contratam segurança privada para impedir o debate democrático nas assembleias da categoria; por pessoas que acabam assembleia sem votar, sem garantir o direito democrático das pessoas falarem. Situações idênticas nas greves da educação de João Pessoa e da Paraíba.

No caso do SINTEM é ainda mais problemático, trabalhadores/as da educação municipal estão precisando entrar na justiça para conseguir garantir sua filiação ao Sindicato, já que é necessário ter um ano de filiado/a para compor chapa nas eleições que ocorrerão no segundo semestre do próximo ano (2016), mesmo período que Benilton Lucena, Diretor do SINTEM, possivelmente concorrerá a reeleição de vereador.

As direções sindicais enraizadas nos sindicatos há décadas não estão acostumadas a uma base participativa e a um debate horizontal, base essa que tem percebido a forma democrática como o PSOL contribui, sem impor sua política e compreendendo que os militantes sem filiação partidária é tão importante quando qualquer outro.

Sabemos que a moção em análise possui o objetivo não só de caluniar o PSOL e os demais envolvidos, mas afastar o PSOL do debate política nos espaços unitários da classe trabalhadora, como tentaram fazer no ato de 29 de maio, mas não cairemos em arapucas, não nos afastaremos da luta. Os governistas de plantão, defensores do Ajuste Fiscal de Dilma/Levy e da Agenda Brasil que administrem suas contradições.

Evitando que as entidades que foram caluniadas (PSOL, PSTU, Conlutas e Intersindical) precisem entrar na justiça burguesa, sugerimos a formação de uma Comissão de Ética composta por pessoas indicadas em comum acordo pelas organizações envolvidas neste caso. Caso não seja possível a formação da Comissão de Ética, lamentável, teremos que acessar o Judiciário.

Por fim, independente das acusações descabidas que nos fazem, estaremos no dia 20 de agosto na luta contra os ajustes de Dilma/Levy, por direitos e por democracia.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A Marcha das Margaridas, 32 anos sem Margarida Maria Alves



Foto: José Cruz/Agência Brasil
Da Agência Brasil, Luana Lourenço
 
Três meses antes de ser assassinada na porta de casa, na frente do marido e do filho pequeno, a líder sindical paraibana Margarida Maria Alves disse, em um discurso de comemoração pelo 1° de maio (Dia do Trabalhador), que era melhor morrer na luta do que morrer de fome. Trinta e dois anos depois de sua morte, as palavras de Margarida ainda ecoam entre as mulheres trabalhadoras rurais e dão força para a luta diária por representatividade e melhores condições de trabalho e de vida no campo.
 
Outra frase famosa do mesmo discurso, “da luta eu não fujo”, está gravada em umas das paredes da antiga casa de Margarida Alves, que se transformou em museu em 2001. Na construção simples, uma geladeira azul que foi da camponesa ainda está guardada. Nos quatro cômodos da casinha de fachada amarela também estão à vista documentos da época em que Margarida liderava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, atas de reuniões, instrumentos usados pelos trabalhadores no corte da cana-de-açúcar para as usinas, fotos e objetos pessoais: uma camisa branca com bordado de flores, os óculos, o chapéu usado por ela quando visitava os trabalhadores na roça e uma bolsa.
 
Nas paredes, recortes de jornais de todo o país e alguns do exterior dão a dimensão da repercussão do crime ocorrido em 12 de agosto de 1983. O assassinato chamou a atenção do Brasil para o clima de tensão entre sindicatos e latifundiários da região do Brejo Paraibano nos anos 1980. Como Margarida Alves, outras lideranças de trabalhadores também estavam marcadas para morrer. Mesmo diante das ameaças, a campesina não se intimidou e só teve a voz calada pela espingarda calibre 12 de um matador de aluguel. Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 30 anos depois nenhum dos mandantes foi condenado.
 
Luta sindical
Entrar na casa onde viveu a amiga faz a violeira e repentista Maria da Soledade Leite se emocionar. “Margarida era uma mulher determinada, Margarida não era dessas de baixar a cabeça”, conta, sem esconder o orgulho da companheira que foi a primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores na Paraíba.
 
“O trabalhador tinha a maior confiança nela, nós tínhamos, porque ela quando ingressava numa luta, ia até o final. A luta de Margarida era pelo décimo terceiro, pela carteira assinada, pelo direito ao sítio, porque os patrões plantavam a cana até na porteira da casa, quando a gente abria a porta da casa já estava dentro dos canaviais, a luta dela era para que o trabalhador tivesse uma areazinha onde pudesse ter suas plantações, enfim, poder dar uma vida digna à sua família.”
 
Soledade e Margarida se conheceram em Alagoa Grande em 1975 e lutaram juntas pelas mesmas causas, na militância sindical e também por meio da arte dos repentes e dos cordéis. Quando Margarida morreu, a homenagem da amiga foi em forma de verso: “Dia 12 de agosto nasceu um sol diferente/um aspecto de tristeza, o sol frio em vez de quente/ era Deus dando o sinal da morte de uma inocente (…) Jesus Cristo deu a vida pra redimir os pecados/ Tiradentes pela pátria foi morto e esquartejado/ Margarida na defesa dos pobres e necessitados”, escreveu na época. “Ela gostava muito de poesia”, lembra Soledade.
 
Se a saudade ficou registrada no poema, a memória de Margarida continua inspirando Soledade a cantar e brigar pelos direitos das mulheres paraibanas. Desde 2000, a violeira participa da Marcha das Margaridas – mobilização inspirada na líder campesina – e só não se juntou à caminhada em Brasília este ano por causa de uma dor no joelho. “O nome de Margarida ficou imortalizado, onde a gente estiver, sempre o nome de Margarida vai estar na frente. Se a gente vai cantar, se a gente quer representar alguma coisa de garra da mulher, a gente diz que é uma Margarida, forte como Margarida, sempre o nome de Margarida.”
 
Inspiração
A trajetória da líder sindical também é usada como referência pela assessora técnica da organização não governamental AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, Adriana Galvão Freire, para incentivar outras mulheres a buscar seus direitos. A organização atua no Polo da Borborema, uma articulação sindical e de entidades da agricultura familiar de 14 municípios da microrregião do Brejo Paraibano.
 
“A Margarida é uma grande inspiração para a gente, assim como outras mulheres que a gente também foi perdendo no caminho pela violência”, diz Adriana.
 
“A gente sempre usa Margarida como uma referência, uma inspiração para a nossa luta. Ela sempre faz parte do nosso processo, como uma inspiração de que o lugar da mulher também é na luta, como ela mesma dizia. Essas frases, a figura, a força de Margarida sempre contagiam”, completa.
 
Para que a impunidade do caso Margarida Alves não se repita, mulheres e jovens do Polo da Borborema se mobilizam há dois anos para pedir justiça pelo assassinato da agricultora Ana Alice Valentin, estuprada e morta quando voltava da escola, aos 16 anos, por um vaqueiro. No próximo dia 18, o caso vai a julgamento e o grupo vai acompanhar a sessão com uma manifestação e uma vigília.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O Longo Aboio Por Joana Belarmino

Quando eu e o meu pai deixamos de nos falar, naquela semana de maio de 1993, ele não passava de um amontoado de células, músculos e pele, encharcados de medicamentos, na UTI do hospital de Bayeux, meu pai a tocar às portas da eternidade, eu, presa a um profundo sentimento de perda, desenraizamento, saudade antecipada.
            Houve uma tarde, uma cena, a qual não conseguirei nunca esquecer. Eu e o meu irmão Belo, cada um do lado da cama de utei, segurando as mãos do meu pai. De repente Belo começou a cantar um aboio.
            Na voz cortada pelo pranto, as notas longas do aboio, a tanger o gado imaginário, a recordar o meu pai, moço, forte, o cigarro de palha entre os lábios, o relho na mão, o olhar paciente a guiar seu rebanho.
            Havia desamparo no canto do meu irmão. Mas havia também coragem. Coragem de romper o dique da alma, destapar a rolha da dor, entregar ao meu pai, no silêncio daquela uti, a última homenagem, cimentar aquela trajetória final do velho Mariano com lembranças de força, de vida.
            Meu pai amava o gado, a terra, as cercas que erguia para abrigar os rebanhos, em tantos finais de tardes da sua vida de agricultor.
            Tantos anos passados, a lembrança daquela tarde, daquele aboio, ainda acorda em mim o rio das lágrimas que então despejei, como chuva a regar a saudade que já se fazia posseira do solo da minha alma.
            Naquela tarde, enquanto segurava os dedos calosos do meu pai, deixei que as lembranças boas da nossa vida viessem todas para fora, empurrando a dor, arrancando a tristeza, como se fora erva daninha. Lembranças da infância, das covas de milho que meu pai me ensinou a cavar e semear. Lembranças da caverna cheia de brisa onde eu e os meus irmãos passávamos o dia, enquanto o meu pai trabalhava no roçado. Lembranças do seu velho chapéu, cheio dos melhores umbus maduros. Lembrança melhor, do pão doce da feira de quarta-feira, que ele trazia para nós.
            Também naquela tarde, como agora, experimentei a saudade transformando-se, suavizando-se, sendo como o crepitar doce e alegre das fogueiras que meu pai fazia.
            O longo aboio do meu irmão, como a querer tanger o meu pai à sua última morada, a tarde quase a esmorecer, uma brisa suave a alisar as folhagens, eu a querer novamente lavar os pés do meu pai, a limpar-lhe as sujidades da terra, depois de um dia duro de trabalho.
            Meu pai se foi, dois dias depois daquela tarde, e a doçura da saudade que sinto, tem as notas plangentes daquele aboio, e o calor do crepitar das suas fogueiras. Tantos anos passados, mas, vez em quando, surpreendo-me a sentir o calor das suas mãos, conduzindo meu destino.

Fonte: texto integral - http://blogln.ning.com/profiles/blogs/o-longo-aboio

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PROF. BELARMINO MARIANO SE FILIA AO PSOL

Foto extraída do Facebook de Tárcio Holanda Teixeira, agosto de 2015.

Estamos diante de uma crise política de graves proporções em nosso país. Existe uma claro movimento de ataque a democracia nacional e de desrespeito as forças de esquerda e aos interesses sociais. Quando olhamos para o governo, notamos um forte campo de forças fisiologistas envoltas em corrupção, desvio de um programa democrático e popular que segue encabeçado pelo partido dos Trabalhadores (PT), por grande ala do PMDB e dezenas de partidos reacionários e elitistas. Essas forças partidárias já governam o Brasil por 13 anos, com alguns programas paliativos, mais dentro da macroeconomia, favorecendo aos esquemas internacionais do capitalismo financeiro hegemônico, em que os banqueiros e os grandes conglomerados multinacionais controlam a vida econômica por dentro das entranhas do país. 
Por outro lado, temos as forças claramente de direita, representadas pelos sociais democráticos, assumidamente neoliberais e pós-neoliberais do PSDB, vulgarmente identificados como "tucanos", seguidos por mais uma dezena de a partidos de aluguel, claramente reacionários, conservadores ou de direita. Estes também governaram o Brasil por décadas, adotando as piores politicas contra a classe trabalhadora, assolando a soberania nacional, com a entrega de gigantescas empresas estatais, que foram vendidas ao "preço de banana" para empresas multinacionais e/ou transnacionais estrangeiras segundo as receitas econômicas do Fundo Monetário Internacional (FMI e suas agências financeiras globalizadas. 
No atual momento, esses dois grupos que se revezam no poder central e nos diferentes estados e municípios brasileiros, resolveram se gladiar, afetando claramente os princípios basilares da democracia brasileira, alterando conquistas constitucionais importantes e aprovando políticas recessivas, quebrando direitos dos trabalhadores que foram conquistados a duras penas. No congresso nacional assistimos sucessivos golpes contra os interesses dos trabalhadores e da sociedade em geral. O governo e seus aliados aprova em muitos momentos, medidas de ajuste fiscal que prejudicam a a classe trabalhadora e favorecem os empresários e a elite dominante. Aprovam cortes nas áreas de saúde e educação e aumentam juros, com a mera justificativa que precisam controlar uma inflação abertamente provocada pelos setores empresariais de dentro e de fora do Brasil, corroendo os salários dos trabalhadores e as suas parcas economias de poupança.
Além desse quadro conjuntural, ainda temos uma contra-reforma política que atinge de cheio os pequenos e combativos partidos de esquerda. O grupo hegemônica à frete da reforma política alteram regras que beneficiam os grandes partidos como financiamento privado de campanha e reduzem os espaços de propaganda dos partidos pequenos, para impediram que se diga a verdade. Os escandalosos esquemas de corrupção como o "Mensalão" do PSDB, também adotado pelo PT/PMDB  e seus aliados, foi convertido em um novo esquema de desvio do erário público que ficou batizado como o "Petrolão", que além de sucatear a Petrobrás, com desvios bilionários para financiar campanhas de políticos corruptos de quase todos estes partidos da direita, incluindo o PT, PMDB e PSDB e suas políticas retrogradas que envergonha os brasileiros dos quatros cantos do país.
Diante desse quadro, afirmamos que se não reagirmos, rastejaremos para o fundo de um lamaçal sem fim, pois as elites dominantes e seus braços políticos querem aproveitar esse momento de profunda crise política e economia para fortalecer seus projetos reacionários e seus esquemas de controle político da nação, como sempre fizeram ao longo de nossa história antiga e recente.
O PT perdeu uma oportunidade história para implantar um programa transitório - democrático e popular que fizesse com que as forças do campo da esquerda avançassem e agora estamos diante de um claro processo de retrocesso político e até cultural em nosso país. Vemos ataques contra os direitos humanos, contra a juventude e contra a soberania nacional. Vemos leis sendo mudadas, através de manobras dos poderes legislativos e executivos, em muitos casos com o aval do poder judiciário, que não chama o feito a ordem. O mais recente e escandaloso exemplo foi a aprovação da maior idade penal, a contra-reforma política e o ajuste fiscal aos moldes do banco mundial, além de medidas como a redução da carga horária de trabalho semanal para 36 horas, com redução dos salários dos trabalhadores. O governo petistas ao invés de proteger os trabalhadores, com politicas de recuperação do valor do salário mínimo nas bases de cálculos do DIEESE, além de fortalecer a base salarial dos servidores públicos federais, apresenta como alternativa, mais arrocho salarial.

A escolha pelo campo das esquerdas

 

Entre os poucos partidos que defendem os interesses da classe trabalhadora, temos o PSOL, que apresenta importante programa de compromisso com as transformações sociais, se caracterizando como um partido, que apesar de jovem, guarda em sua história recente, importantes quadros políticos comprometidos com a ética politica, com a defesa incondicional de um programa para a classe trabalhadora e proletária e que usa a política partidária para demarcar um espaço contra-hegemônico, além de educar a sociedade para as transformações possíveis no presente e para mudanças duradoras para as futuras gerações. A participação do PSOL em disputas eleitorais, serve antes de mais nada, como pedagogia política, pois nestes espaços, mesmo que reduzidos, o partido consegue desmascarar os partidos da elite, expondo para a sociedade envolvida, que existem outras saídas e outros caminhos para uma sociedade: justa, igualitária e livre do julgo capitalista. 
Diante de tudo isso, precisamos tomar partido pelo campo da esquerda e em defesa da nossa democracia com liberdade. Assim, escolhi seguir as bases do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), na perspectiva de fortalecer em curto, médio e longo prazo, o campo político e partidário das esquerdas brasileiras. Espero poder contribuir nas áreas de ecopolítica, geopolítica, questões agrárias, questões ambientais e na defesa de uma educação pública e de qualidade, fortalecendo a militância e ativismo protagonista que mira o Socialismo Libertário.

Site oficial do Psol: http://psol50.org.br/site/

sexta-feira, 10 de julho de 2015

"ARTISTA QUE NÃO REAGE RASTEJA!"

Fotografia de Levy Galdino - Fonte: https://www.facebook.com/levy.galdino?fref=photo 

Por Belarmino Mariano Neto

“ARTISTA QUE NÃO REAGE RASTEJA!” Com esta frase de fundo o Movimento organizado pelos artistas de Guarabira, através de sua Associação de Arte e Cultura de Guarabira, fizeram um protesto hoje (10/07/2015) no Centro de Guarabira, ao lado da Casa de Cultura, recentemente ocupada pela Prefeitura de Guaraba, via mandato judicial impetrado pelo prefeito constitucional. Esse ato desagradou profundamente os artistas, que já vinham fazendo duras críticas ao atual prefeito que em campanha havia prometido investir na Cultura e nos artistas locais, com um Fundo Municipal de Cultura e até o momento nada fez nessa área.
Os artistas de Guarabira se manifestaram através da musica, com muito rock, musica popular brasileira e apresentações de artista locais. A poesia, o cordel e o repente fizeram parte do rool de apresentações. Um sentimento de revolta e insatisfação tomou conta tantos dos artistas experientes, quanto dos novos talentos que despontam na cultura de Guarabira. Ficou muito claro que o fechamento da casa de cultura que era um ponto de encontro dos produtores culturais da cidade, foi no mínimo impensado pelo gestor municipal, pois ele havia obtido o apoio da grande maioria para se eleger e nesse momento deu as costas totalmente aos ativistas culturais de Guarabira.
Silvania Rodrigues informou no momento que o Secretário de Cultura do Estado, Lau Siqueira, havia estado em Guarabira na ultima segunda-feira e já estava ciente de toda a situação, também já havia protocolado um encaminhamento para o prefeito estabelecendo o fim da parceria que havia entre a prefeitura e o governo do estado, para a partir daí entregar o espaço para o povo que produz cultura em nossa cidade.
Entre as apresentações culturais, vários artistas e apoiadores do movimente fizerem falas críticas ao ato do governo municipal e cobraram das autoridades o cumprimento de uma pauta de investimentos em cultura local, pois até o momento, os artistas de Guarabira, estão se sentindo completamente desprestigiados perante o gestor do município, que simplesmente ignora a existência de grande numero de artistas, talentos locais, sem espaço e sem apoio de qualidade alguma.
O poeta Artur Silva dedicou um lindo poema aos artistas e agitadores culturais de Guarabira, intitulado solidariedade:


SOLIDARIEDADE (POETA ARTUR SILVA).

“TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE
NO REINO DA FANTASIA
EM BUSCA DE LIBERDADE
ENCONTREI UM CERTO DIA
COM MINHA FELICIDADE
ERA UM FINAL DE TARDE
QUANDO FOI NO OUTRO DIA
PELAS RUAS DA CIDADE
EU E MINHA POESIA
TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE
MESA FARTA E ALEGRIA
DIREITO DO CIDADÃO
TODO HORA, TODO DIA
SAÚDE, TRABALHO E PÃO
É PRECISO EDUCAÇÃO
PRA SAIR DESSA AGONIA
MINHA GARGANTA ESTÁ SECA
A BARRIGA ESTÁ VAZIA
TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE
SEM ESPAÇO PRA CULTURA
SEM FUTURO, SEM QUIMERA
VOU LEVANDO MINHA VIDA
ALIMENTANDO UMA FERA
MINHA FOME NÃO ESPERA
MINHA SEDE NÃO DEMORA
PARA AMAR E SER AMADO
TODA HORA É TODA HORA
TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE”.

Na próxima Sexta-Feira, o movimento volta a se reunir no Projeto Café com Poeira para mais um protesto, pois enquanto a Casa de Cultura dos artistas de Guarabira não for entregue ao movimento cultural, haverá reação dos produtores de cultura, pois como afirmou artista Leledo Cidadão, os artista tem vergonha na cara e não vão se curvar para um prefeito que não consegue enxergar a importância cultural para o seu povo. 

Com fotografias de Levy Galdino, convidamos todos para compartilhar, curtir e reivindicar em defesa dos artistas guarabirense, pois sem cultura um povo não vale nada!





terça-feira, 7 de julho de 2015

A Força do “Não”



Por: Joana Belarmino de Sousa*

No último domingo, tal como devem ter feito milhões de pessoas no mundo todo, sintonizei-me com a Grécia e com a difícil missão do seu povo, que teria de escolher entre dois caminhos, cada um deles tão difícil quanto o outro, com seus abismos, sua impossibilidade de desvios alternativos, seu conjunto de inevitabilidades.
Como milhões de pessoas no mundo todo, torci pelo “Não”, e divulguei nas redes sociais, as tags dessa torcida, enquanto acompanhava pelos principais portais de notícias, as repercussões daquele acontecimento.
Festejei a vitória retumbante do “Não” grego, ciente da impossibilidade de compreender o tamanho do sacrifício que o caminho escolhido imporá aos cidadãos daquele país, ciente da imensa distância existente entre esta minha precária solidariedade e a real situação de sofrimento vivida pela Grécia, com todas as suas terríveis nuances, as quais somente podemos assistir de muito longe.
De fato, para qualquer lado que se olhasse, na terra de Platão e de Sócrates, havia um cenário sombrio a ser contemplado. O não, entretanto, era por assim dizer, o salto mais arriscado. Aquele que colocaria a Grécia no topo de uma montanha, pavimentada toda ela por um caminho de solidão, isolamento, abandono dos trilhos do mundo exterior e do capital internacional.
O não envolvia porém, a coragem de milhões de gregos que já haviam desafiado um processo eleitoral anterior, colocando nas mãos de Alexis Tsipras, os destinos do país para os próximos anos.
Assim, ouso dizer, o “não” fez mais pela Grécia do que faria o “sim”. Ao mesmo tempo em que expôs ao mundo, o âmago da terrível crise que assola o país, obrigou que o grupo dos seus vizinhos, a Europa toda, representada pela Troika, constituída pela União Europeia, o Banco Central europeu e o FMI, se voltassem para uma compreensão mais aguda dessa crise, que não é apenas da Grécia, mas se gesta na própria forma como se dão os financiamentos das dívidas dos países hoje dependentes do capital mundial.
A agonia prossegue, agora com as diversas negociações. Dentro da Grécia entretanto, enquanto tenta adaptar-se ao limitado mundo das contenções, das dificuldades, dos carecimentos, o povo grego alimenta-se da esperança no seu líder maior, Alexis Tsipras, e na possibilidade de construírem um futuro mais digno para o país.
Sim, a crise grega é, em larga medida, uma amostra dos caminhos que temos palmilhado ao sabor das diretrizes do capital mundial, cuja acumulação, com predomínio na financeirização do próprio capital, assume proporções inaceitáveis, ameaçando o futuro da própria globalização.
Nenhum país pode-se dizer imune à situação de crise que assola o mundo. Mas há que se compreender porque estamos caminhando inevitavelmente para uma posição tão perigosa. Precisamos escutar o que tem nos dito David Harvey, em sua aguda crítica ao sistema capitalista e aos movimentos das suas últimas décadas, que nos trouxeram a esse perigoso agora.
* Joana Belarmino de Sousa - Doutora em Semiótica pela PUC/SP, profa. de Teoria da comunicação da UFPB.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Quantos São Joãos?

fonte da imagem: rezairezairezai.blogspot.com
De: Belarmino Mariano Neto.

Para minha irmã Joana Belarmino e para João Batista Belarmino (in memoriam)

 “Tu lhe darás o nome de João e será para ti objeto de júbilo e alegria; muitos se regozijarão por seu nascimento posto que será grande diante do Senhor” (Mateus, 11). 

Em meus 51 anos de festejos juninos diria que, diante das vidas humanas aparecem os nomes de batismo. Nas entranhas da vida o arco do amor constitui os filhos, constitui os pais e os avós, nesse infinito atributo a vida. Quando nascem conspira-se para um nome. Jackson do Pandeiro nos diz que no Nordeste brasileiro existem muitos Zés na celebre frase “vige como tem Zé lá na Paraíba”. Esse nome é típico de um Santo demarcador de chuvas para o povo sertanejo. São José indica se o ano será bom para os agricultores, pois entre os dias 15 e 21 de março, ficam na espera de chuvas para a feição dos seus roçados de milho, feijão, fava, melancia, jerimum, quiabo e maxixe, entre outras produções locais. Daí os tantos registros de batismo, para José, ou Zé como são conhecidos.
Assim como José, outros tantos de Joãos, Antônios, Pedros e Anas. O Nordeste do Brasil parece ter absorvido um carinho especial por estes nomes, pois os santos juninos se tornaram a maior tradição da cultura regional. Com eles, toda uma cultura dos festejos, em que o sagrado e o profano se encontram entre as missas as quermesses e na atualidade as grandes festas de forró, com bandas musicais e shows pirotécnicos.
Nas duas ultimas décadas, observa-se que a presença da cultura americana ou estrangeira, interferiu diretamente nas escolhas de nomes dos filhos dos brasileiros. Surgiu um monte de novos e americanizados nomes: William, Wellington, Sidney, Washington, Stanley, entre tantos outros. Para completar, os nordestinos começaram a inventar nomes de misturas familiares. Assim, passamos a ter nomes como: Antonival, Joseval, Franciscleide, Arioneide, Francieli, Josicleison, Roberval, e bote mistura nessa cultural de dar nome aos filhos.
Mas dos tantos nomes tradicionais ou não, temos que os Joãos são muitos. Esse santo é padroeiro de muitos lugarejos do Nordeste inteiro. Assim, misturam-se as festas do Santo, com as festas dos filhos dos que gostam desse santo. São João é tão forte que entre os nomes com derivação entre o masculino e o feminino, no Nordeste notamos que existem muitas Joanas também.
Em minha casa com uma família de 21 irmãos, tivemos dois que foram sorteados para homenagear o santo. Uma fêmea, que nasceu exatamente no dia 24 de junho e foi batizada com o nome de JOANA BELARMINO e o outro que apesar de ter nascido em 07 de setembro, foi homenageado como JOÃO BATISTA BELARMINO (In memoriam). Esses são nomes que passaram a fazer parte de minha família, fruto do amor de Dona Gessi Costa e seu Mariano Belarmino (In memorian). Ela uma católica apostólica romana e ele apenas um temente a Deus que não ia muito à igreja, mas nas festas juninas, adorava um arrasta-pé. Uso a expressão arrasta-pé, pois era como ele chamava um forró, fosse a ritmo de xote, forró-pé-de-serra, xaxado ou baião, ele sempre dançava naquele passinho dois pra lá e dois pra cá.
Desse monte de 21 filhos, sobreviveu 13, Raimundo Belarmino (In memoriam), Raul Belarmino, Maria Belarmino, Luiz Belarmino, José Belarmino, Luzia Belarmino, Manoel Belarmino, Joana Belarmino, Inácia Belarmino, João Batista Belarmino, Eu (Belarmino Mariano), Maria Aparecida, Maria do Socorro Belarmino. Imaginem esse paiol de gente, além do monte de primos e tios, amigos e vizinhos. Esse tudo já dava uma festa grande. Mas como já disse anteriormente, de todos os irmãos, São João teve a graça de receber dois como batismo.
Joana Belarmino, que gosto de chamar de Joaninha, como manda a tradição, adora esses ritmos nordestinos e utiliza o principio básico da intercomunicação dos sentidos para florear a sua vida com suas Marianas, Maíras e Gabrielas, em filhas e neta. Esse trio nordestino meio agauchado teve a participação muito especial do poeta e fazedor de mulheres bonitas Lau Siqueira. Outro que saiu dos pampas e veio beber e se regatear no seio da cultura nordestina, com um para sempre, pois em suas feições de tchê, já estão riscados muitos oxentes e prumodes que só a sociolinguística explica.
João Batista Belarmino partiu cedo, se foi ao encontro dos nossos velhos pais Gessi e Mariano, talvez pelo apego que era grande demais. Deixou uma filha como sua flor do Cariri, uma linda flozinha que foi batizada por Amanda Belarmino, essa é digna de ser amada por todos. Ele, entretanto era muito agitado e detestava apelidos, isso que agora todos chamam de bullying. Joao Batista não perdia os ensaios das quadrilhas juninas, era o primeiro a organizar a coleta de dinheiro rua a fora para os enfeites com bandeirinhas coloridas, sempre ajudava na construção da fogueira e na hora de ralar ou moer o milho, estava presente.
Lá em casa, nossa mãe não gostava de comida pouca. Ela gostava mesmo era de ver a fartura, era uma “mão de milho” para a arte de fazer pamonhas e ainda fazia de dois a três caldeirões de canjica, pois era tradição que nós levássemos uns pratos para os vizinhos, que também retribuíam da mesma maneira e nessa economia solidária, sempre provávamos dos sabores das outras casas. Assim, das comidas de milho além da canjica e pamonha, ainda comíamos milho cozido, milho assado nas brasas da fogueira, batata doce assada nas cinzas, bolo de milho, bolo pé-de-moleque. Na área dos salgados, sempre tinha um picado de porco, uma buchada de bode,
São tantos os Joãos que fica difícil se lembrar de todos, mas sem dúvidas essa é a festa mais festejada pelos nordestinos. Podemos até dizer que as festas são Joaninas, ainda que: São José anuncie as chuvas do milho, Santo Antônio anime aos casórios, São Pedro abra as portas dos céus para a animação festeira e São João menino anime os fogos, as fogueiras e os chuveirinhos coloridos da criançada. São João é o mais cantado das músicas de forró e quadrilhas. Ele é tão importante que, dos festejados é o único com feriado garantido. Em julho ainda temos Santa Ana, a única mulher entre assa macharada de santos juninos.
Não importa se você vai para uma grande capital do Forró ao exemplo de Campina Grande, Caruaru ou Cajazeiras, ou se você vai curtir os festejos juninos na sua cidadezinha do interior, ou mesmo do sítio. A animação é completa, pois o espirito de nordestinidade é tão forte que se revive e reinventa em cada ano de festa. As famílias se preparam o ano inteiro e esse é o mês em que muitos forasteiros que estão para as bandas do Sudeste brasileiro, retornam para a casa paterna, para reencontrar seus familiares, amigos e velhos amores que se perderam nas curvas das estradas da vida.

Bom mesmo é ver todo mundo reunido, compartilhando muita comida e bebida, se confraternizando ao ritmo bonito do forró, seja ele típico do trio de: sanfona, zabumba e triângulos, ou se é aquele mais estilizado e cheio de outros instrumentos musicais. É muito bom ver a festança é fazer parte desse fenômeno humano em que se misturam os rituais sagrados e as profanias quase que pagãs, pois as festas juninas são marcadas pelo colorido e pelas vestimentas extravagantes, em que os figurinos relembram um passado da fazenda e da roça permeada pela alegria em todo o Nordeste brasileiro.
Aos Amigos João Andrade, Joana Andrade e João Miguel. Marido, esposa e filho (todos Joaninos).

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