domingo, 23 de agosto de 2015

AS OLIGARQUIAS E O PODER LOCAL: Estudo de caso sobre Guarabira/PB


Fonte: novoemfolha.folha.blog.uol.com.br

 


Por: Belarmino Mariano Neto

Será que o conceito de oligarquia ainda se aplica aos dias atuais? É o que vamos analisar a partir de uma realidade objetiva, o município de Guarabira, considerando seu legado político e administrativo dos últimos 70 anos. Será que existiram e/ou ainda existem oligarquias em Guarabira? Como a região é permeada pelo mundo rural, será que as oligarquias rurais deram a base para que novas oligarquias se instalassem no poder, reproduzindo novas relações?
Primeiramente vamos dizer de qual lugar estamos tratando nesse artigo. Em pesquisas realizadas sob minha orientação, a acadêmica de Geografia, CLAUDETE PEREIRA DO NASCIMENTO, realizou duas pesquisas que se complementam, entre a graduação e pós-graduação pela UEPB, entre os anos de 2006 a 2009, sobre a dimensão territorial de Guarabira em sua microrregião e os recortes espaciais que representaram desmembramentos, fragmentações e novas municipalidades.
O foco com a pesquisa, também abarcou o “mito geográfico” de que Guarabira em sua microrregião estivesse localizada no Brejo paraibano, um erro que é propagado há décadas e por que não dizer, há séculos, inclusive pelos meios de comunicação. Nesse ponto, começamos a dizer que Guarabira, nunca foi e nem será Brejo.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000), o município de Guarabira/PB está situado em uma área de transição na Depressão Sublitorânea do Agreste paraibano, entre a Serra da Borborema e os tabuleiros litorâneos, com altitude média de 98 metros, com altimetrias superiores a 200 m. do nível do mar.
É nessa região serrana, com vales e depressões que iremos discorrer sobre o conceito de oligarquias, considerando o Dicionário Formal em que o termo possui uma classificação morfossintática: substantivo, feminino singular,

Oligarquia: Significa, literalmente, governo de poucos. No entanto, como aristocracia significa, também, governo de poucos - porém, os melhores -, tem-se, por oligarquia, o governo de poucos em benefício próprio, com amparo na riqueza pecuniária. As oligarquias são grupos sociais formados por aqueles que detêm o domínio da cultura, da política e da economia de um país, e que exercem esse domínio no atendimento de seus próprios interesses e em detrimento das necessidades das massas populares (http://www.dicionarioinformal.com.br/oligarquia/).

Vera Texeira Soares (1979), publicou uma importante obra, intitulada Coronelismo e Oligarquias, analisando o período de instalação da primeira República (1889 a 1934). Nesse caso, vale destacar que foi um período em que regiões e localidades municipais, tinham seus administradores escolhidos por indicação dos governadores, e recebiam uma nomeação como “intendentes”, com poderes até certo modo, de caráter militarista e administrativo. Esse período ficou conhecido como a era dos coronéis. Quem eram eles? As figuras de poder, que respondiam pelos interesses do seu grupo político. Como eram grandes proprietários rurais, com latifúndios que em muitos ultrapassavam áreas territoriais, às vezes maiores do que um único município, estes eram revestidos de um poder, quase que ilimitado.
Quando em suas terras existiam atividades econômicas de manufatura ao exemplo de engenhos, ou eram grandes fazendas de gado, ou produção de monoculturas como a cana-de-açúcar, algodão ou agave, estes grandes proprietários, conseguiam interferir politicamente em toda uma região, influenciando diretamente em uma escala macro política estadual e até em nível nacional. Nesse período eram comuns os esquemas de compra de voto, voto de cabresto e todo tipo de corrupção e repressão extremamente antidemocrática, contra as forças políticas de esquerda que se colocassem na contra hegemonia do sistema oligárquico.

Fonte: sibila.com.br

Abro um parêntese para memorias dos meus irmãos mais velhos, José Belarmino e Raul Belarmino, eles contam uma história interessante: quando meus pais (já falecidos) viviam no Vale do Pajeú, em Pernambuco, meu pai Mariano Belarmino analfabeto, minha mãe Gessi Costa, alfabetizada nas primeiras séries, apenas ela podia votar. Morávamos em terra alheia e tínhamos por obrigação (voto de cabresto) votar nos candidatos do dono da terra. Depois da eleição, meu pai foi intimado à fazenda, pois o proprietário ficou sabendo que minha mãe havia votado noutro candidato. O fazendeiro questionou meu pai e ele disse que a sua esposa havia votado no candidato que ela achava melhor e que ele não se metia em quem ela votava. Então o latifundiário, deu um prazo para meus pais saírem de suas terras. Ele deixou o chão com uma boa plantação de milho, feijão e teve que retirar as poucas cabeças de gado e rebanho pequeno de cabras.
Esse comentário reflete a exata política das oligarquias rurais em todo o Brasil e no Nordeste, além do “voto de cabresto”, as pessoas viviam reféns de um espaço controlado pelos latifundiários e nas cidades, os grupos políticos eram também atrelados aos fazendeiros locais. Impedindo que outas forças de esquerda ganhassem espaço na cena política. Será que ainda existe esse tipo de relação nos dias atuais? Como muitas pessoas passaram a viver em cidades, sem emprego para todos, com boa parte dos cargos públicos controlados pelos grupos políticos e a falta de concursos públicos, os contratos de trabalhos em serviço público, são um novo tipo de “cabresto político”, em que, para se conseguir algum contrato, se é obrigado a assumir os interesses políticos daquele grupo que esta no poder.

AS OLIGARQUIAS NA PARAÍBA E EM GUARABIRA

                Se considerarmos as devidas escalas espaciais, e teóricos como Michel Foucault, em Microfísica do Poder (1982), mesmo que o autor não trate diretamente da questão, mesmo assim veremos que as oligarquias estão estruturadas nos estados e municípios que compões a estrutura territorial do Brasil. No caso de Guarabira a situação se aplica facilmente. Pois existem modelos exemplares de famílias que durante décadas se revezam no poder político local, controlando as estruturas de poder para si e para os seus mais próximos, em que a prefeitura é um exemplo do “panoptico”, de onde os oligarcas controlam a tudo e a todos.
                Temos importantes historiadores como Cleodon Coelho (1975) e Moacir Camelo de Mello (1999), que tratam diretamente da História de Guarabira, mas existem muitas lacunas, quanto às questões de disputa e controle oligárquico das famílias locais, ressaltando muito mais o papel de valorização dos fundadores da cidade, sem uma preocupação com os interesses políticos e as disputas de poder, dentro de uma lógica elitista e conservadora de valores. De maneira que um leitor desavisado, pode construir uma ideia falsa da realidade histórica da fundação e desenvolvimento local.
Historiadores mais atuais, como Martinho Alves e o professor Josias, tentam em seus blogs e até em livros, reconstituir a história de Guarabira, em alguns casos elencando novos indícios de atuação políticas de alguns grupos, em Martinho Alves, faz um resgate biográfico patriarca Antônio Roberto Paulino. Já o historiador, José Octavio de Arruda Melo (1994, 1993 e 1997), consegue em suas diferentes obras, discutir as questões urbanas e dos grupos familiares que se reversavam no poder, inclusive em Guarabira e região.
Vale salientar que o modelo colonial brasileiro foi fundamentado historicamente para que esse sistema oligárquico se tornasse a base de controle dos espaços de poder, de cultura, economia, justiça e, dos meios de comunicações, quase que hereditariamente, tendo sofrido pequenas alterações entre o colonialismo de exploração, imperialismo regimental (monarquia) e períodos republicanos. Nesse ultimo, foi colocado um pouco de fermento da ideia de “democracia torpe”, balizada pelo poderio econômico de algumas famílias, pois a grade maioria dos partidos políticos segue esquema oligárquico, ou seja, controlados por famílias tradicionais.

PRIMEIRA REPÚBLICA, OLIGARQUIAS E POPULISMO NA PARAÍBA E EM GUARABIRA.

De acordo com arquivos do TSE sobre o histórico dos processos políticos e eleitorais brasileiros,

Em 15 de novembro de 1889 tem fim o período imperial brasileiro, com a proclamação da República. A mudança na forma de governo, no entanto, não significou, verdadeiramente, a instituição de um regime político verdadeiramente democrático e livre das influências do poder econômico (http://jus.com.br/artigos/12872/historico-do-processo-eleitoral-brasileiro-e-retrospectiva-das-eleicoes#ixzz3jNp5Nprm).

Nessa perspectiva conceitual historicamente representada, vale registar que, os governos municipais, foram durante décadas indicados pelos governadores como intendentes, entre os anos de 1889 a 1929. Estes assumiam o executivo com o papel de administrar as cidades, com poder de mando policial, administrativo e tributarista. Eram conhecidos como Intendentes.

Fonte: www.grandesimagenes.com



Nessa época, Guarabira registrou quatro importantes famílias oligárquicas que se revezaram no poder (Pimentel, Aquino, Guedes e Bandeira) que iniciaram o poder de mando sob uma base territorial que encobria toda uma região constituída por municípios como a sede (Guarabira), distritos e povoados como: Pilõezinhos, Araçagi, Pirpirituba, Cuitegi, Alagoinha e Mulungu que se emanciparam politicamente depois dos anos de 1960. Além dessas importantes famílias, outros grupos familiares se revezaram no poder, de acordo com os interesses dos governados da Parahyba. Na atualidade ainda é possível encontrarmos alguns desses sobrenomes familiares, entre os grupos que se revejam no poder local?


OLIGARQUIAS E POPULISMO NA ERA VARGAS

O período que compreende a era Vargas (1929 a 1947) foi muito conturbado em relação às eleições e os prefeitos eram nomeados pelos governadores que eram escolhidos indiretamente. Entre esse período, novamente tivemos como destaque a frente do poder executivo, como maior exemplo a família Aquino, com vários mandatos, apesar de não terem sido sucessivos em todos os momentos, além dos Guedes e Pimentel. Como podemos observar, as nomeações estavam relativamente atreladas ao poder de mando dos governadores que precisavam das famílias mais poderosas de cada região do Estado para garantia de sua governabilidade, atribuindo-lhes poderes e a ocupação dos diferentes cargos públicos aos familiares em uma nítida troca de favores e benesses.

 
Fonte:  hiltonfranco.com.br                          Fonte: entracossaco.wordpress.com

Melo (1994) destaca em seu livro História da Paraíba: lutas e resistências, que um dos mais fiéis representantes das oligarquias rurais paraibanas, foi o interventor Argemiro Figueiredo (1936 - 1940), sua principal base de apoio foi o grupo da várzea, tanto do rio Paraíba como do vale do Mamanguape.
Se pensarmos em governadores ou interventores da Paraíba, vale registrar que em todo o período republicano, se destacaram mais de vinte (20) oligarquias, que se espalharam pelo Estado da Paraíba, e interferiram diretamente em algum momento da História política paraibana, entre elas: Almeida; AndradeAquino; Araújo; Pessoa;Bandeira; Borges; Braga; Brito; Cabral; Carneiro; Cavalcante; Coutinho;Cunha; Dantas; Leal; Lima; Lins; Lucena; Miranda; Melo; Moreira; Odilon; PaulinoPimentel; Rego; Ribeiro; Targino; Toscano; Vasconcelos; Veloso; entre outras, com destaque em negrito para as que influenciaram na formação oligárquica de Guarabira. Vale registrar que muitas dessas famílias se uniram através de matrimônios, entre os filhos/as, o que representava a ampliação das possessões territoriais tipicamente latifundiárias.
Outras famílias chegaram à Paraíba através dos Estados de Pernambuco ou do Rio Grande do Norte, influenciando tanto em áreas rurais, como em atividades urbanas na capital ou em centros urbanos polarizadores mesorregionais, entre o Litoral, Agreste, Borborema e Sertão, além de microrregiões (Cariri, Brejo, Seridó e Curimataú). As atividades rurais, atreladas às manufaturas e ao comércio fez com que a política paraibana irradiasse seu poder para as classes dominantes.
Ainda da Era Vargas, vale destacar que as oligarquias uniram ao seu espeço de poder, práticas populistas de atrair eleitores e apoiadores para os seus projetos políticos de sustentação e governabilidade. Melo (1994) considerou que o populismo como uma espécie de estratégia de poder, não restrito ao Brasil, pois em outros países como a Argentina com Juan Domingos Peron (pós 1929) e no Brasil com Getúlio Vargas (1930). Na Paraíba ele afirma que Ruy Carneiro interventor (1940-1945) foi o melhor exemplo de oligarquia populista, posteriormente seguido por dezenas de outros governadores e prefeitos, em especial nos centros urbanos maiores como João Pessoa; Campina Grande; Patos; Guarabira; Cajazeiras; Areia; Itabaiana; Mamanguape, entre outras áreas.


OLIGARQUIAS E POPULISMO LOCAL NA ERA DO VOTO E DA TORPE DEMOCRACIA

Outro importante período político para os municípios foram às décadas entre 1948 até 2015, pois os prefeitos eram escolhidos por eleições diretas, com disputas acirradas entre as oligarquias locais. No estudo de caso sobre Guarabira, considerando que a maioria dos municípios circunvizinhos fazia parte de um único colégio eleitoral, esse período foi marcado inicialmente por disputas familiares entre os Aquino e Pimentel e posteriormente entra no jogo político a Família Paulino e Toscano, como sendo um novo ramo oligárquico, fruto de uniões familiares entre Aquino/Paulino e de abertura de espaço político dos paulinos aos toscanos.
Nesse período também teremos importantes movimentos urbanos, mais independentes dos traços oligárquicos, mas durante décadas sem muito sucesso, pois o poder econômico e de mando era quase que inabalável. Então, para que um profissional liberal chegasse ao poder, precisava está ligado familiarmente a uma oligarquia local. Então, para além do populismo e do conservadorismo das elites agrárias, alguns dos seus filhos com ares de modernidade, chegaram a atuar na política, arejando em algumas cidades a perversa lógica autoritária, impetrada pelos militares e uma oligarquia populista.




Outras oligarquias comandaram a política em períodos distintos, sob a liderança de políticos individuais, como Ernani Sátiro (Patos), Ivan Bichara (João Pessoa), João Agripino maia (Catolé do Rocha), ou sob a liderança de famílias como Pereira (Pombal), Ribeiro Coutinho (Santa Rita) e Veloso Borges (Alagoa Grande). (MELO, 1994).

Além dos exemplos, também tivemos a situação em que algumas figuras históricas da política paraibana, mesmo com forte influencia oligarca, seguiram um pouco da ideologia de esquerda, como Osmar de Aquino (Guarabira); Agassiz Almeida (Cariri paraibano) Abelardo Jurema (João Pessoa) e Vital do Rêgo (Campina Grande). Estes políticos foram diretamente perseguidos pela Ditadura militar e tiveram seus mandatos cassados. É importante dizermos que estamos apenas tratando de questões relativas às oligarquias, o que não caberia uma análise sobre as esquerdas paraibanas, foco de resistência contra as tradicionais famílias oligarcas e populistas ou que todos os citados fossem de fato esquerdistas.

Fonte:  outraspalavras.net


GUARABIRA: FAMÍLIAS OLIGARCAS NA ATUALIDADE


Apesar das duras críticas que alguns grupos tentam jocosamente relacionar as atuais oligarquias locais, como os Paulinos e os Toscanos, vale registrar que no caso da oligarquia dos Paulinos, esse grupo familiar, tenha até certo ponto substituído a família Aquino ou herdado seu legado político para os dias atuais, pois se trata de um grupo familiar muito jovem na história política local, tendo uma maior tradição oligarca no vizinho Estado de Pernambuco.
Destacamos um momento político em que apesar da ditadura militar, os paulinos se colocavam em um campo oposto ao das famílias Pimentel, pois optaram politicamente pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) crítico da ditadura militar, talvez por herança da oligarquia dos Aquino, também fortemente atreladas ao campo de defesa e assistencialismo as classes populares mais pobres, adquirindo importantes dividendos político-eleitorais e herdando um pouco do populismo assistencialista da época. Enquanto que o grupo político da família Pimentel estava atrelado às forças conservadoras da antiga Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de sustentação da Ditadura Militar, ao qual também estiveram ligados representantes familiares das oligarquias Bandeira e Amorim. Isso não vale para todos os membros familiares, pois alguns dos políticos, dependendo da formação profissional como o jurídico, também adotaram o assistencialismo em suas estratégias para chegar ao poder.
Como grupo político de oposição aos governos militares, o MDB, posteriormente PMDB, conseguiu com a Oligarquia local dos Paulinos, eleger sucessivos prefeitos, desde Antônio Roberto Paulino (MDB - 1977-1982); Zenóbio Toscano (PMDB - 1983-1988); Antônio Roberto Paulino (PMDB - 1989-1992). Perdeu a eleição para Jader Pimentel que havia trocado a ARENA pelo Partido Democrático Brasileiro (PDT – 1993-1997), uma versão crítica do antigo regime militar e ligado nacionalmente ao Leonel Brizola, que era governo gaúcho e havia sido perseguido pela ditadura militar, com perda de mandato e exílio político.
Uma nova situação politica se fez com a eleição de Maria Hailéa de Araújo (Lea) Toscano (PMDB/1997-2000 e de 2000-2004), primeira mulher eleita e reeleita para a prefeitura de Guarabira, com o total apoio dos paulinos. Depois de 2001, com o rompimento das oligarquias Targino Maranhão e Cunha Lima (PMDB) em escala estadual, essa cisão afetou as relações oligarquias também em Guarabira, pois os toscanos também rompem com os paulinos e seguiram o grupo Cunha Lima que entraram no Partido Democrático Social Brasileiro (PSDB).
Na sequência de disputa pelo poder municipal, o grupo Paulino elegeu Maria de Fátima de Aquino Paulino (PMDB – 2005-2008 e 2009-2012), eleita e reeleita, tornando a oligarquia Paulino/Aquino a que mais governou o município de Guarabira, desde a época das intendências e nomeações indiretas, até os dias atuais. Se fizermos um quadro das oligarquias dos Aquino e Paulino, juntos somam duas décadas de domínio da política de Guarabira (Quadro 01):

QUADRO 01 – PRINCIPAIS OLIGARQUIAS DE GUARABIRA NO PODER
OLIGARQUIAS
PERIODOS À FRENTE DO PODER EXECUTIVO
DURAÇÃO NO PODER
AQUINO
1921/1923; 1940/1942; 1946/1947 e 1955/1957
11 anos
PIMENTEL:
1912/1915; 1946/1946; 1963/1969; 1973/1976 e 1993/1996.
20 anos
PAULINO:
1977/1982; 1989/1992; 2005/2008 e 2009/2012
12 anos.
TOSCANO:
1983/1988; 1997/2000; 2001/2004 e 2013/2016 (atual)
13 anos
Fonte: Organizado pelo autor, a partir de dados históricos referendados.

Das quatro principais oligarquias que já governaram Guarabira e ainda possuem remanescentes familiares nos governos e no poder legislativo local, se juntarmos as famílias Aquino e Paulino, em função das ligações familiares matrimoniais, chegaremos a mais de duas décadas. Outro aspecto a considerar é que se caso os toscanos indiquem alguém da família para Sucessão de Zenóbio Toscano, em sendo eleito/a, os toscanos poderão atingir 17 anos no poder. Para evitarmos imagens pessoais, optamos por expor aqui apenas os brasões das famílias, em respeito ao legado histórico, independente das posições de poder que alguns membros assumiram em diferentes momentos da vida política local (Figuras de brasões):









 




Para fazermos justiça histórica aos políticos de Guarabira, a família Pimentel foi a que mais tempo passou no controle do poder executivo local e se consideramos as alianças políticas feitas entre essas oligarquias como garantia de poder paralelo e parcial, todas as oligarquias já se misturaram para governar em uma verdadeira política de revezamento dos grupos. Uma sincronia que até parece combinada, onde as brigas históricas entre as famílias existem como uma espécie de “teatralização política”, da qual o povo participa como massa de manobra, torcida organizada, que trabalha nas eleições em troca de migalhas ou favores políticos, com um carguinho de 5º escalão nos órgãos públicos municipais, que respingam diretamente em órgãos do governo estadual, caso um dos grupos seja aliado direto do governador de plantão.


E importante registrarmos que a oligarquia dos Toscanos é muito tradicional e forte em várias regiões do Brasil, oriunda de território italiano da região Toscana em termos políticos é muito nova em Guarabira, aparecendo no cenário político basicamente por intermédio da Oligarquia Paulino, com o racha entre as duas famílias por volta de 2001, os paulinos dão a entender que houve uma traição política dos toscanos ao grupo do PMDB. Esse argumento é facilmente intendido em entrevistas do Ex-governador Roberto Paulino ao afirmar que os toscanos só governaram Guarabira, depois que tiveram o apoio dos paulinos e dentro do tradicional PMDB, partido que elegeu o maior número de prefeitos do período democrático e por eleições diretas e pela “vontade popular”, como argumenta o político Roberto Paulino.
É importante registramos que vários políticos ligados a estas quatro oligarquias, já chegaram a assumir mandatos parlamentares na Assembleia Legislativa estadual, Câmara Federal e no caso do Ex-governador Roberto Paulino, que foi o político local que atingiu o maior cargo executivo, como Vice-governador e depois assumiu o cargo de governador, na chapa do também ex-governador José Targino Maranhão (PMDB – 1999 a 2002). Outro exemplo de influencia em governos estaduais foi o do Deputado Estadual Zenóbio Toscano, que chegou a assumir a Secretaria de Infraestrutura da Paraíba, durante os governos de Ronaldo Cunha Lima, Cássio Cunha Lima e no primeiro governo de Ricardo Vieira Coutinho, chegou a assumiu a direção da Empresa Paraibana de Gás (PBGÁS). Isso demonstra que o poder local sempre esteve de certo modo, atrelado aos interesses estaduais, em que as famílias sempre ocupam importantes cargos, não apenas na esfera municipal.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Feita essa exposição histórica acerca dos grupos oligárquicos que já estiveram no poder local, ou estadual, bem como, alguns ainda permanecem claramente no controle da vida pública local, gerenciando milhões de reais em recursos dos tesouros: nacional, estadual e municipal, justifica o quanto esse jogo político superficialmente democrático, aparentemente festivo e de uma disputa do jogo democrático, em que poucos são os escolhidos para participar da festa, impede que outras forças políticas se aproximem da gestão pública local. O que de fato esta em jogo, não é o controle administrativo de uma prefeitura, existem muitos mais e maiores interesses em jogo.
Grupos empresariais financiam as campanhas milionárias para um prefeito e vice-prefeito, milhares de reais são gastos para uma simples candidatura de vereador, em que, sempre estão colocados entre os 10 ou 15 primeiros lugares, alguns sobrenomes familiares ou algum candidato completamente comprometido com essa ou aquela oligarquia, com esse ou aquele grupo político estritamente oligárquico. Raros são os candidatos de dentro da população pobre, raros são os eleitos que pertencem a uma classe de trabalhadores.
Cria-se uma falsa ideia de que se trata de uma política apaixonada, como se fosse uma cultura de cordões azuis e encarnados, disputando a simpatia do público em uma festa religiosa de “Lapinha”. Ou algo como o bumba meu boi da Ilha de Parintins (Amazonas), em que um é garantido (vermelhão) e outro e caprichoso (Azulão), disputando as melhores fantasias, alegorias e passes de danças.
Se quiserem outras alegorias, vamos para torcidas de futebol, em que os times, Flamengo X Vasco, se enfrentarão em uma partida clássica no Maracanã. Então, se estabelece uma ideia de “rivalidade sadia” entre os torcedores, abre-se uma bolsa de apostas populares, em dinheiro, objetos de valor e até mesmo animais de estimação são colocados nas apostas, em que são apresentados placares em número de votos que cada candidato poderá obter.
Talvez em uma analogia mais infantil, podemos pensar em um “cabo de guerra”, em que os dois grupos esticam a corda ao máximo de suas forças para ver quem consegue desestabilizar o outro, dentro de uma arena delimitada por um risco e, perde o grupo que se desequilibrará. Nessas horas, vale xingamentos, provocações, empurrões e todos os tipos de manobras e astúcias que cada grupo tiver em mãos para usar contra o seu oponente.
Terminadas todas estas "brincadeiras", com as coisas sérias da vida pública com essas disputas, o grupo vencedor passa de 4 a 8 anos fazendo quase nada que beneficie o público, arruma todo tipo de vantagem para os seus familiares e aliados próximos.
O Grupo perdedor se resigna a esperar, pois sabe que também chegará a sua vez. Sempre que pode, usa seus aliados inconformados ao denuncismo, às críticas e muitas vezes aos ataques pessoais, se possível através de algum meio de comunicação, que pertence aos mesmos grupos que disputaram aquela brincadeira de ganhar ou perder a eleição.
Nos quatros cantos da cidade, iremos ver lamentações e defesas. Um grupo ataca o eleito e lamenta a falta de obras, a falta de cuidados com a cidade e os cidadãos. Do outro lado, aqueles que receberam um carguinho qualquer ou tem algum familiar “mamando” e sem concurso em alguma repartição, defende com “unhas e dentes” aquele gestor de plantão.
Sempre aparecem aqueles que aparentam neutralidade para defender a tese de que isso nunca mudará, de que o povo é o culpado por esse jogo político, etc. e tal. Que as pessoas se vendem por um saco de cimento, ou por um milheiro de tijolos e que os vereadores são todos uns "paus mandados". As críticas e comentários não passam dessa falácia lamentável.
A questão central agora é entendermos que, o povo não é e nunca foi culpado pelo que acontece na política local. Na verdade, existe uma longa história de compra de votos, de voto de cabresto e de votos assistencialistas, instituída pelas oligarquias brasileiras há séculos. Um esquema de falsos favores, de falsas promessas e apadrinhamentos temporários que impedem as pessoas de um amadurecimento mental sobre as questões políticas as quais estão atrelados.
Se o poderio econômico das oligarquias funciona há séculos, se existe um verdadeiro aprisionamento das pessoas, pois cargos de baixo escalão, em troca de misero salário e da fidelidade política aquele oligarca no poder, como se libertar desse jogo sujo e de azar, pois ao final o povo sempre sai perdendo?
Abro um parêntese para a ideologia de que perder nesse jogo é algo inaceitável para os eleitores menos esclarecidos. Como me disse um dia desses o poeta e músico Arthur Silva, as pessoas estão tão presas a esse esquema perverso que não querem votar naquele candidato que acham que vai perder e, na maioria das vezes, perdem por votar naquele candidato que distribuiu mais dinheiro, mais tijolos, mais feiras, mais remédios, mais “promessas”, mais “santinhos”. Então, o perder nesse caso é matematicamente simples. Tudo aquilo que o político corrupto deu em troca do seu voto, ele vai tirar triplicado, pois terá que dividir com esse ou aquele empresário corrupto, que financiou a campanha do político vitorioso.
O preço para esse tipo de politicagem é bastante elevado, pois em todas as eleições são três ou quatro meses de festa e quatro anos de lamentação, de falta de investimentos na coisa pública, de denuncias e escândalos, por desvio de dinheiro, por contratações e licitações irregulares, com obras superfaturadas, com serviços públicos de péssima qualidade, entre milhares de outras mazelas que a cena política local representa para a grande maioria dos eleitores, que não é total, pois uma minoria se deleita com os recursos e espaços de poder republicanos conquistados pela lógica da corrupção.
O desafio é superarmos essas contradições, dando um salto mental em nossos atos cotidianos. Vamos começar a pensar que os 15 vereadores do município de Guarabira precisam assumir o compromisso com o povo que votou nele. Com a população, pois foram eleitos para fiscalizar o executivo, para cobrar do executivo, para apresentar projetos e exigir que o prefeito execute as obras previstas. Os vereadores foram eleitos para legislar em causa do povo, nunca em causa própria. Então meus camaradas, nesse quesito, precisamos fazer uma limpeza geral nessa Câmara de vereadores, pois do contrário não adianta trocar de prefeito, esse jogo de azar de tirar um vermelhão e botar um azulão ou vice versa, de nada adianta com uns vereadores comprometidos apenas com os seus interesses e os interesses do prefeito que se elegeu, como faz a sua família há décadas.
Para vereador é preciso votar em pessoas ou partidos que não estejam nesse esquema viciado, então, não vendam os seus votos para vereador por dinheiro nenhum, pois vereador que sai comprando voto é bandido da pior espécie. Quando chegar à Câmara, vai armar uma quadrilha, com outros para extorquir o prefeito, em troca da aprovação de projetos, logo, fica preso aos interesses daquele oligarca da prefeitura.
Se o cara vier comprar seu voto, e se você for corajoso, grave, filme e entregue uma cópia para a justiça eleitoral. Se não tiver essa coragem toda, “você já sabe o que fazer”, para que ele não possa comprar o voto de outro eleitor. Têm candidato a vereador que nessa época se traveste de Santo, de religioso, mas depois de eleito, só atende as demandas exclusivamente familiares, assessorias e cargos dos melhores é pra família, às vezes deixa de fora até os seus mais fieis cabos eleitorais.
Atentos, pois alguns são empresários travestidos de democratas e populares, compra seu voto e depois que você precisa de uma ação em defesa da sua comunidade, da sua classe, ele lhe diz logo, - “O que eu podia lhe dá já dei na época da eleição”. Nesse caso, escolha vereadores de sua classe social e de partidos que sejam independentes, que não entrem em coligações alimentadas com o desvio de dinheiro público.
Quanto aos candidatos para prefeito, veja a história dos candidatos, conte quantas vezes ele já foi prefeito, quantas vezes a mulher dela já foi prefeita, o filho ou a filha dele já foi prefeita, ou vereador/a, ou deputado/a. Às vezes aparece um genro ou uma nora dele se passando por novidade, até mesmo um fiel assessor de longas datas, pois existe um limite de dois mandatos por família, exatamente para evitar vícios e esquemas de corrupção.
Tomadas estas precauções, não preciso lhe dizer mais nada, pois todos estes prefeitos ou prefeitas e familiares que já passaram pela prefeitura de Guarabira, fizeram péssimas ou fracas administrações. Digo sem medo de errar, pois as obras que por aqui aparecem, foram feitas diretamente com recursos do governo federal, ou diretamente com nossos impostos. Obras que na placa custam cinco ou seis milhões e na prática gastou-se um ou dois milhões e se desviou a outra parte, pode ficar certo/a que seu dinheiro foi para o ralo da corrupção, com seu aval, pois você o elegeu.
Veja o tamanho dos partidos, partidos grandes, com fortes estruturas, vá ver e existem grandes empresas e empresários financiando estes partidos. Grandes estruturas de campanha, palanques gigantescos, com milhares de bolas de festa. Lembre-se do aniversário de sua filha, como aquelas centenas de bolas ficam caras, imagine agora milhares de bolas, para cada grande comício? Muito material de campanha sendo derramado pelo meio das ruas, grandes placas de propagandas, outdoors gigantes em pontos estratégicos da cidade.
Vamos para grandes arrastões, para vermos quem bota mais gente? Começa logo com a distribuição de um “kit Montilha/Coca-Cola”, galões da “cachaça batizada”, vindas direto do engenho e ainda saem deixando nas esquinas, montando esquadrões, com uma batucada, bandeiras e tudo mais. “Tudo financiado pelo candidato a Vereador Biu da botija”, que recebeu uma herança, que desenterrou umas joias da família e esta investindo na campanha.
Se for uma carreata, veja como “surge do nada”, várias ordens de combustível, aqueles postos estratégicos fazem fila de carro e moto, quem está bancando tudo isso? Esses grandes partidos sempre estão ganhando as eleições, pois são viciados e profissionais, contratam logo uma equipe de Marketing, o mais caro marqueteiro, contrata um instituto de pesquisa, compra jornalistas e radialistas para que façam análises de conjuntura, de quem pode esta na frente, de quem pode ganhar com tal ou qual vantagem.
Então meu companheiro e minha companheira, esse é um esquema secular de campanhas, que mudou basicamente a forma e os materiais, mas no fundo no fundo é a mesma, surrada e velha política das oligarquias que matam e morrem, mas não querem deixar o poder por nada nessa vida.
Especializaram-se nesses esquemas de usar o povo como massa de manobras. Profissionalizaram-se na política e seus partidos e suas famílias são verdadeiras empresas de fazer política e políticos, por que não dizer verdadeiras máfias, que saem comprando partidos pequenos ou legendas de aluguel para dizer que é: “coligação em nome do povo”;  “Coligação da vontade popular”; “Coligação povo de futuro”; “Coligação pelo bem de todos”, entre outras mentiras que ludibria as pessoas de bem.


Ano após anos, vemos partidos políticos de esquerda, sérios e independentes se apresentando com uma nova forma de fazer política, totalmente contrários aos esquemas viciados desses grandes partidos, então algum eleitor diz: “-Eu não vou votar, por que esse candidato não vai ganhar e eu não quero perder meu voto”. Aí, vai e vota naqueles candidatos que acha que vão ganhar, e eles realmente vencem a eleição. Então concluo dizendo que você acabou perdendo seu voto do mesmo jeito, ou pior ainda, pois já tinha indícios de que aquele político era “macaco velho”, que já havia “enfiado a mão em cumbuca” e era viciado em esquemas de corrupção.
Com exceção de uma minoria ainda muito jovem, que talvez ainda não compreenda a complexidade do que esta por dentro da politicagem e dos politiqueiros, todos nós sabemos exatamente o que é, e compreendemos como funciona. Então, não podemos ser apenas espectadores ou coadjuvantes da cena política, apenas em períodos eleitorais. Precisamos ser protagonistas da nossa vida política, pois a política interfere diretamente na qualidade de nossas vidas, nos rumos da nossa economia, nos investimentos ou não, em saúde, educação, segurança, moradia, transportes, cultura, lazer e até mesmo nas condições ambientais de nossa cidade, de nosso estado e do nosso planeta. Seja um ativista político, fortaleça as menores forças que tentam mudar essa lógica perversa de políticos corruptos.


Fontes de Pesquisa:

COELHO, Cleodon. Guarabira através dos tempos. Guarabira: Nordeste. 1975.
FOULCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro/RJ: Graal, 1982. (file:///D:/Documentos/UEPB/Downloads/Microfsica%20do%20Poder.pdf).
MELO, José Octávio de Arruda. Guarabira: democracia, urbanismo e repressão 1945-1965. João Pessoa: União, 1997.
MELO, José Octávio de Arruda (org.). A Paraíba das origens à urbanização. João Pessoa, Editora Universitária, 1993.
MELLO, Moacir Camelo de. Itinerário Histórico de Guarabira, João Pessoa. 1999.
MELO, José Octavio de Arruda. HISTÓRIA DA PARAÍBA: Suas lutas e resistências. João Pessoa: Editora União, 1997 (http://www.ebah.com.br/content/ABAAABMVMAF/historia-paraiba-jose-octavio).
SOARES, Vera Teixeira. Coronelismo e Oligarquias - 1889 – 1934. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

20 de Agosto, não é Pelo Governo ou Pelo Golpe, é Contra o Ajuste Fiscal e Por Direitos.

Por: 

Tárcio Holanda Teixeira

TERÇA-FEIRA, 18 DE AGOSTO DE 2015

Quem acompanha o blog Vida Vivida, ou as redes sociais vinculadas ao blog, deve lembrar do texto publicado sobre os atos dos dias 13 e 15 de março (http://www.tarcioteixeira.com/2015/03/13-ou-15-de-marco-o-que-voce-defendeu-o.html), pelo visto estávamos em uma análise próxima da realidade, mas alguns teimam em repetir o erro. Nas próximas linhas relacionaremos os atos do mês de março aos atos unificados de maio e agosto de 2015.

Após um debate programático, deixando claro até onde entendemos existir unidade nas mobilizações, vou fazer questão de repudiar a postura de alguns sindicalistas filiados ao PT que tentam liquidar os/as que pensam diferente com o mesmo método daqueles que alguns chamam de “coxinha”, com base na mentira e no aparelhamento das estruturas sindicais.

Sabemos que muitas pessoas, principalmente os defensores do Governo Dilma, precisam administrar muitas contradições e traições, são muitos os métodos usados para afastar os/as lutadores/as sociais que apresentam um programa verdadeiramente necessário e atual para classe trabalhadora na conjuntura atual; adiantamos que esses métodos não nos afastarão da luta ou da busca por unidade programática, mas também não ficaremos calados, sigamos ao texto.

Após março, quais os rumos das direções e do povo no pós 16 e 20 de Agosto?

Primeiramente dizer que ninguém promove um golpe ou defende-se de um golpe sem o devido apoio popular, sem os/as trabalhadores/as na base de apoio. Em outras palavras, os/as trabalhadores/as estavam presentes nos dois atos de março, contudo, existem diferenças em suas direções. A direção que organizou o primeiro ato (13 de março) teve como objetivo a defesa do Governo; já os/as dirigentes do segundo ato (15 de março) tentaram canalizar a insatisfação com o governo para um golpe. Motivos mais que suficientes para o PSOL não ter ido em nenhum dos dois atos e para o primeiro ato ter tido milhares de pessoas a menos.

O atual Governo é indefensável, MPs retirando direitos trabalhistas, desmonte da saúde e da educação pública, entrega da Petrobrás, Agenda Brasil e o Ajuste Fiscal como um todo. Nenhuma criança do ensino básico vai cair na balela de proteger Dilma/PT e responsabilizar Levy e Eduardo Cunha (PMDB/RJ), como se a Presidenta da República e seu partido, o PT, nada tivesse com a retirada de direitos que sofre o povo brasileiro.

As pessoas não estão dispostas a aceitar golpe, a correr o risco de ter Cunha ou Renan Calheiros na Presidência da República; não estão dispostas a ter novas eleições, a maior parte do povo brasileiro compreendeu o impacto do poder econômico no processo eleitoral; não tem no PSDB de FHC, Aécio Neves e Cássio Cunha Lima, uma referência positiva, apenas aspectos nefastos ao país, a exemplo da entrega da Vale do Rio Doce, o processo do Mensalão Mineiro, do Metrô de São Paulo, a cassação de Cássio, entre tantos outros escândalos que envolve a tucanada.

Arrisco dizer que a redução nos números de cidades que realizaram atos no dia 16 de agosto é resultado do descrédito do povo com a direção golpista (PSDB, PMDB, DEM e Outros) que vem organizando e convocando esses atos; arrisco ainda afirmar que os atos que estão sendo convocados para defender o Governo, como vem fazendo parte do movimento sindical em Pernambuco, serão verdadeiros fiascos.

E só existem dois caminhos, o governo e a oposição golpista de direita?

Apesar do Presidente da CUT-Paraíba, pressionado pelo SINTEP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Paraíba) e pelo SINTEM-JP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de João Pessoa), não ter escondido seu incômodo com a presença do PSOL nas reuniões preparatórias para o ato unificado do dia 29 de maio, “Contra a Terceirização, Medidas Provisórias 664 e 665 e o Ajuste Fiscal. Em Defesa da Democracia”, após escutar as outras entidades presentes ele acabou compreendendo a importância de realizar um ato unificado com todos que querem defender os direitos dos trabalhadores. O ato do dia 29 de maio foi superior aos do dia 13 de março por um motivo simples, o seu programa.

Nós do PSOL não participaremos de nenhum ato em defesa do governo ou de golpe.

Farei questão de representar o PSOL nos atos do dia 20 de agosto que defenda a pauta que vem sendo construída nacionalmente por diversas entidades e movimentos sociais. Felizmente, aqui na Paraíba, durante a reunião para debater o ato do dia 20 de agosto, os/as presentes foram na linha da defesa dos direitos e não da defesa do governo. A pauta nacional para os atos do dia 20 é: “Contra o ajuste fiscal! Que os ricos paguem pela crise! - A política econômica do governo joga a conta nas costas do povo.”; “Fora Cunha: Não às pautas conservadoras e ao ataque a direitos!”; “A saída é pela Esquerda, com o povo na rua, por Reformas Populares!”.

A pauta que precisa ser defendida por todos deve ser a mesma que ecoou nas ruas em 2013, nada mais que as: “Reformas necessárias para o Brasil: Reforma Tributária, Urbana, Agrária, Educacional, Democratização das comunicações e Reforma democrática do sistema político para acabar com a corrupção e ampliar a participação popular”.

Compreendemos que não existe apenas uma polarização entre governo e golpe, existe o caminho do Programa, da pauta a ser defendida, esse deve ser o caminho dos que querem a transformação social e a conquista de direitos.

Permitam mais uma conjectura, agora sobre os atos do dia 20 de agosto, eles serão importantes, mas milhares de trabalhadores/as e estudantes não participarão por desconfiar de algumas organizações que estão na convocando e preparando os atos, entidades que não possuem mais a mesma representatividade de outrora. Para ampliar as vitórias vamos precisar da horizontalidade e das mobilizações de 2013.

E por que querem calar o PSOL?

De um lado, Eduardo Cunha pauta na Câmara dos Deputados uma contrarreforma que tem endereço certo, calar o PSOL, único partido com representação no Congresso Nacional que não recebeu nenhum centavo das empresas envolvidas na Operação Lava Jato, único partido com representação no Congresso Nacional que teve uma candidatura a presidência que destoou das propostas que hoje são apresentadas no Congresso.

Do outro lado, o PT, ao lado do PSDB, PMDB, DEM, PTB, PP e outros partidos aprovaram a lei antiterrorismo, que coloca em risco a autonomia e a luta dos movimentos sociais em nosso país, apenas o PSOL e o PC do B votaram contra.

Na Paraíba também seguem os ataques ao PSOL. Sindicalistas filiados ao PT aprovaram no Congresso Estadual da CUT (CECUT/PB), realizado entre 06 e 08 de agosto do corrente ano, uma moção de repúdio com acusações graves e mentirosas contra duas centrais sindicais, a Conlutas e a Intersindical, segunda nem sindicato filiado na Paraíba possui; e contra dois partidos da esquerda socialista, o PSTU e PSOL.

A moção, apresentada pelos diretores do SINTEM e do SINTEP, não se limita ao debate político, ao afirmar que PSTU, PSOL, Conlutas e Intersindical, estavam articuladas com a direita conservadora; a moção aprovada no CECUT/PB ainda afirma que desrespeitamos “idosos/as, mulheres e aposentados/as da base”.

Sem freio, como Cunha no Congresso Nacional, a maior instância da CUT na Paraíba ainda nos acusa de ter quebrado “o Auditório do SESI, o Ginásio do Esporte Clube Guarany, o Auditório da Federação Espírita da Paraíba, além de socos e pontapés nas Assembleias em frente ao Liceu Paraibano”; e seguem nos acusando de espancar funcionários da sede da entidade, quebrar e pichar o prédio e, pasmem, de roubar pertences pessoais de trabalhadores/as alojados nas dependências do SINTEM.

São acusações descabidas de duas direções que estão desesperadas ao perceber que os/as professores/as não estão dispostos a seguir sendo dirigidos/as por pessoas que contratam segurança privada para impedir o debate democrático nas assembleias da categoria; por pessoas que acabam assembleia sem votar, sem garantir o direito democrático das pessoas falarem. Situações idênticas nas greves da educação de João Pessoa e da Paraíba.

No caso do SINTEM é ainda mais problemático, trabalhadores/as da educação municipal estão precisando entrar na justiça para conseguir garantir sua filiação ao Sindicato, já que é necessário ter um ano de filiado/a para compor chapa nas eleições que ocorrerão no segundo semestre do próximo ano (2016), mesmo período que Benilton Lucena, Diretor do SINTEM, possivelmente concorrerá a reeleição de vereador.

As direções sindicais enraizadas nos sindicatos há décadas não estão acostumadas a uma base participativa e a um debate horizontal, base essa que tem percebido a forma democrática como o PSOL contribui, sem impor sua política e compreendendo que os militantes sem filiação partidária é tão importante quando qualquer outro.

Sabemos que a moção em análise possui o objetivo não só de caluniar o PSOL e os demais envolvidos, mas afastar o PSOL do debate política nos espaços unitários da classe trabalhadora, como tentaram fazer no ato de 29 de maio, mas não cairemos em arapucas, não nos afastaremos da luta. Os governistas de plantão, defensores do Ajuste Fiscal de Dilma/Levy e da Agenda Brasil que administrem suas contradições.

Evitando que as entidades que foram caluniadas (PSOL, PSTU, Conlutas e Intersindical) precisem entrar na justiça burguesa, sugerimos a formação de uma Comissão de Ética composta por pessoas indicadas em comum acordo pelas organizações envolvidas neste caso. Caso não seja possível a formação da Comissão de Ética, lamentável, teremos que acessar o Judiciário.

Por fim, independente das acusações descabidas que nos fazem, estaremos no dia 20 de agosto na luta contra os ajustes de Dilma/Levy, por direitos e por democracia.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A Marcha das Margaridas, 32 anos sem Margarida Maria Alves



Foto: José Cruz/Agência Brasil
Da Agência Brasil, Luana Lourenço
 
Três meses antes de ser assassinada na porta de casa, na frente do marido e do filho pequeno, a líder sindical paraibana Margarida Maria Alves disse, em um discurso de comemoração pelo 1° de maio (Dia do Trabalhador), que era melhor morrer na luta do que morrer de fome. Trinta e dois anos depois de sua morte, as palavras de Margarida ainda ecoam entre as mulheres trabalhadoras rurais e dão força para a luta diária por representatividade e melhores condições de trabalho e de vida no campo.
 
Outra frase famosa do mesmo discurso, “da luta eu não fujo”, está gravada em umas das paredes da antiga casa de Margarida Alves, que se transformou em museu em 2001. Na construção simples, uma geladeira azul que foi da camponesa ainda está guardada. Nos quatro cômodos da casinha de fachada amarela também estão à vista documentos da época em que Margarida liderava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, atas de reuniões, instrumentos usados pelos trabalhadores no corte da cana-de-açúcar para as usinas, fotos e objetos pessoais: uma camisa branca com bordado de flores, os óculos, o chapéu usado por ela quando visitava os trabalhadores na roça e uma bolsa.
 
Nas paredes, recortes de jornais de todo o país e alguns do exterior dão a dimensão da repercussão do crime ocorrido em 12 de agosto de 1983. O assassinato chamou a atenção do Brasil para o clima de tensão entre sindicatos e latifundiários da região do Brejo Paraibano nos anos 1980. Como Margarida Alves, outras lideranças de trabalhadores também estavam marcadas para morrer. Mesmo diante das ameaças, a campesina não se intimidou e só teve a voz calada pela espingarda calibre 12 de um matador de aluguel. Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 30 anos depois nenhum dos mandantes foi condenado.
 
Luta sindical
Entrar na casa onde viveu a amiga faz a violeira e repentista Maria da Soledade Leite se emocionar. “Margarida era uma mulher determinada, Margarida não era dessas de baixar a cabeça”, conta, sem esconder o orgulho da companheira que foi a primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores na Paraíba.
 
“O trabalhador tinha a maior confiança nela, nós tínhamos, porque ela quando ingressava numa luta, ia até o final. A luta de Margarida era pelo décimo terceiro, pela carteira assinada, pelo direito ao sítio, porque os patrões plantavam a cana até na porteira da casa, quando a gente abria a porta da casa já estava dentro dos canaviais, a luta dela era para que o trabalhador tivesse uma areazinha onde pudesse ter suas plantações, enfim, poder dar uma vida digna à sua família.”
 
Soledade e Margarida se conheceram em Alagoa Grande em 1975 e lutaram juntas pelas mesmas causas, na militância sindical e também por meio da arte dos repentes e dos cordéis. Quando Margarida morreu, a homenagem da amiga foi em forma de verso: “Dia 12 de agosto nasceu um sol diferente/um aspecto de tristeza, o sol frio em vez de quente/ era Deus dando o sinal da morte de uma inocente (…) Jesus Cristo deu a vida pra redimir os pecados/ Tiradentes pela pátria foi morto e esquartejado/ Margarida na defesa dos pobres e necessitados”, escreveu na época. “Ela gostava muito de poesia”, lembra Soledade.
 
Se a saudade ficou registrada no poema, a memória de Margarida continua inspirando Soledade a cantar e brigar pelos direitos das mulheres paraibanas. Desde 2000, a violeira participa da Marcha das Margaridas – mobilização inspirada na líder campesina – e só não se juntou à caminhada em Brasília este ano por causa de uma dor no joelho. “O nome de Margarida ficou imortalizado, onde a gente estiver, sempre o nome de Margarida vai estar na frente. Se a gente vai cantar, se a gente quer representar alguma coisa de garra da mulher, a gente diz que é uma Margarida, forte como Margarida, sempre o nome de Margarida.”
 
Inspiração
A trajetória da líder sindical também é usada como referência pela assessora técnica da organização não governamental AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, Adriana Galvão Freire, para incentivar outras mulheres a buscar seus direitos. A organização atua no Polo da Borborema, uma articulação sindical e de entidades da agricultura familiar de 14 municípios da microrregião do Brejo Paraibano.
 
“A Margarida é uma grande inspiração para a gente, assim como outras mulheres que a gente também foi perdendo no caminho pela violência”, diz Adriana.
 
“A gente sempre usa Margarida como uma referência, uma inspiração para a nossa luta. Ela sempre faz parte do nosso processo, como uma inspiração de que o lugar da mulher também é na luta, como ela mesma dizia. Essas frases, a figura, a força de Margarida sempre contagiam”, completa.
 
Para que a impunidade do caso Margarida Alves não se repita, mulheres e jovens do Polo da Borborema se mobilizam há dois anos para pedir justiça pelo assassinato da agricultora Ana Alice Valentin, estuprada e morta quando voltava da escola, aos 16 anos, por um vaqueiro. No próximo dia 18, o caso vai a julgamento e o grupo vai acompanhar a sessão com uma manifestação e uma vigília.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O Longo Aboio Por Joana Belarmino

Quando eu e o meu pai deixamos de nos falar, naquela semana de maio de 1993, ele não passava de um amontoado de células, músculos e pele, encharcados de medicamentos, na UTI do hospital de Bayeux, meu pai a tocar às portas da eternidade, eu, presa a um profundo sentimento de perda, desenraizamento, saudade antecipada.
            Houve uma tarde, uma cena, a qual não conseguirei nunca esquecer. Eu e o meu irmão Belo, cada um do lado da cama de utei, segurando as mãos do meu pai. De repente Belo começou a cantar um aboio.
            Na voz cortada pelo pranto, as notas longas do aboio, a tanger o gado imaginário, a recordar o meu pai, moço, forte, o cigarro de palha entre os lábios, o relho na mão, o olhar paciente a guiar seu rebanho.
            Havia desamparo no canto do meu irmão. Mas havia também coragem. Coragem de romper o dique da alma, destapar a rolha da dor, entregar ao meu pai, no silêncio daquela uti, a última homenagem, cimentar aquela trajetória final do velho Mariano com lembranças de força, de vida.
            Meu pai amava o gado, a terra, as cercas que erguia para abrigar os rebanhos, em tantos finais de tardes da sua vida de agricultor.
            Tantos anos passados, a lembrança daquela tarde, daquele aboio, ainda acorda em mim o rio das lágrimas que então despejei, como chuva a regar a saudade que já se fazia posseira do solo da minha alma.
            Naquela tarde, enquanto segurava os dedos calosos do meu pai, deixei que as lembranças boas da nossa vida viessem todas para fora, empurrando a dor, arrancando a tristeza, como se fora erva daninha. Lembranças da infância, das covas de milho que meu pai me ensinou a cavar e semear. Lembranças da caverna cheia de brisa onde eu e os meus irmãos passávamos o dia, enquanto o meu pai trabalhava no roçado. Lembranças do seu velho chapéu, cheio dos melhores umbus maduros. Lembrança melhor, do pão doce da feira de quarta-feira, que ele trazia para nós.
            Também naquela tarde, como agora, experimentei a saudade transformando-se, suavizando-se, sendo como o crepitar doce e alegre das fogueiras que meu pai fazia.
            O longo aboio do meu irmão, como a querer tanger o meu pai à sua última morada, a tarde quase a esmorecer, uma brisa suave a alisar as folhagens, eu a querer novamente lavar os pés do meu pai, a limpar-lhe as sujidades da terra, depois de um dia duro de trabalho.
            Meu pai se foi, dois dias depois daquela tarde, e a doçura da saudade que sinto, tem as notas plangentes daquele aboio, e o calor do crepitar das suas fogueiras. Tantos anos passados, mas, vez em quando, surpreendo-me a sentir o calor das suas mãos, conduzindo meu destino.

Fonte: texto integral - http://blogln.ning.com/profiles/blogs/o-longo-aboio

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PROF. BELARMINO MARIANO SE FILIA AO PSOL

Foto extraída do Facebook de Tárcio Holanda Teixeira, agosto de 2015.

Estamos diante de uma crise política de graves proporções em nosso país. Existe uma claro movimento de ataque a democracia nacional e de desrespeito as forças de esquerda e aos interesses sociais. Quando olhamos para o governo, notamos um forte campo de forças fisiologistas envoltas em corrupção, desvio de um programa democrático e popular que segue encabeçado pelo partido dos Trabalhadores (PT), por grande ala do PMDB e dezenas de partidos reacionários e elitistas. Essas forças partidárias já governam o Brasil por 13 anos, com alguns programas paliativos, mais dentro da macroeconomia, favorecendo aos esquemas internacionais do capitalismo financeiro hegemônico, em que os banqueiros e os grandes conglomerados multinacionais controlam a vida econômica por dentro das entranhas do país. 
Por outro lado, temos as forças claramente de direita, representadas pelos sociais democráticos, assumidamente neoliberais e pós-neoliberais do PSDB, vulgarmente identificados como "tucanos", seguidos por mais uma dezena de a partidos de aluguel, claramente reacionários, conservadores ou de direita. Estes também governaram o Brasil por décadas, adotando as piores politicas contra a classe trabalhadora, assolando a soberania nacional, com a entrega de gigantescas empresas estatais, que foram vendidas ao "preço de banana" para empresas multinacionais e/ou transnacionais estrangeiras segundo as receitas econômicas do Fundo Monetário Internacional (FMI e suas agências financeiras globalizadas. 
No atual momento, esses dois grupos que se revezam no poder central e nos diferentes estados e municípios brasileiros, resolveram se gladiar, afetando claramente os princípios basilares da democracia brasileira, alterando conquistas constitucionais importantes e aprovando políticas recessivas, quebrando direitos dos trabalhadores que foram conquistados a duras penas. No congresso nacional assistimos sucessivos golpes contra os interesses dos trabalhadores e da sociedade em geral. O governo e seus aliados aprova em muitos momentos, medidas de ajuste fiscal que prejudicam a a classe trabalhadora e favorecem os empresários e a elite dominante. Aprovam cortes nas áreas de saúde e educação e aumentam juros, com a mera justificativa que precisam controlar uma inflação abertamente provocada pelos setores empresariais de dentro e de fora do Brasil, corroendo os salários dos trabalhadores e as suas parcas economias de poupança.
Além desse quadro conjuntural, ainda temos uma contra-reforma política que atinge de cheio os pequenos e combativos partidos de esquerda. O grupo hegemônica à frete da reforma política alteram regras que beneficiam os grandes partidos como financiamento privado de campanha e reduzem os espaços de propaganda dos partidos pequenos, para impediram que se diga a verdade. Os escandalosos esquemas de corrupção como o "Mensalão" do PSDB, também adotado pelo PT/PMDB  e seus aliados, foi convertido em um novo esquema de desvio do erário público que ficou batizado como o "Petrolão", que além de sucatear a Petrobrás, com desvios bilionários para financiar campanhas de políticos corruptos de quase todos estes partidos da direita, incluindo o PT, PMDB e PSDB e suas políticas retrogradas que envergonha os brasileiros dos quatros cantos do país.
Diante desse quadro, afirmamos que se não reagirmos, rastejaremos para o fundo de um lamaçal sem fim, pois as elites dominantes e seus braços políticos querem aproveitar esse momento de profunda crise política e economia para fortalecer seus projetos reacionários e seus esquemas de controle político da nação, como sempre fizeram ao longo de nossa história antiga e recente.
O PT perdeu uma oportunidade história para implantar um programa transitório - democrático e popular que fizesse com que as forças do campo da esquerda avançassem e agora estamos diante de um claro processo de retrocesso político e até cultural em nosso país. Vemos ataques contra os direitos humanos, contra a juventude e contra a soberania nacional. Vemos leis sendo mudadas, através de manobras dos poderes legislativos e executivos, em muitos casos com o aval do poder judiciário, que não chama o feito a ordem. O mais recente e escandaloso exemplo foi a aprovação da maior idade penal, a contra-reforma política e o ajuste fiscal aos moldes do banco mundial, além de medidas como a redução da carga horária de trabalho semanal para 36 horas, com redução dos salários dos trabalhadores. O governo petistas ao invés de proteger os trabalhadores, com politicas de recuperação do valor do salário mínimo nas bases de cálculos do DIEESE, além de fortalecer a base salarial dos servidores públicos federais, apresenta como alternativa, mais arrocho salarial.

A escolha pelo campo das esquerdas

 

Entre os poucos partidos que defendem os interesses da classe trabalhadora, temos o PSOL, que apresenta importante programa de compromisso com as transformações sociais, se caracterizando como um partido, que apesar de jovem, guarda em sua história recente, importantes quadros políticos comprometidos com a ética politica, com a defesa incondicional de um programa para a classe trabalhadora e proletária e que usa a política partidária para demarcar um espaço contra-hegemônico, além de educar a sociedade para as transformações possíveis no presente e para mudanças duradoras para as futuras gerações. A participação do PSOL em disputas eleitorais, serve antes de mais nada, como pedagogia política, pois nestes espaços, mesmo que reduzidos, o partido consegue desmascarar os partidos da elite, expondo para a sociedade envolvida, que existem outras saídas e outros caminhos para uma sociedade: justa, igualitária e livre do julgo capitalista. 
Diante de tudo isso, precisamos tomar partido pelo campo da esquerda e em defesa da nossa democracia com liberdade. Assim, escolhi seguir as bases do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), na perspectiva de fortalecer em curto, médio e longo prazo, o campo político e partidário das esquerdas brasileiras. Espero poder contribuir nas áreas de ecopolítica, geopolítica, questões agrárias, questões ambientais e na defesa de uma educação pública e de qualidade, fortalecendo a militância e ativismo protagonista que mira o Socialismo Libertário.

Site oficial do Psol: http://psol50.org.br/site/

sexta-feira, 10 de julho de 2015

"ARTISTA QUE NÃO REAGE RASTEJA!"

Fotografia de Levy Galdino - Fonte: https://www.facebook.com/levy.galdino?fref=photo 

Por Belarmino Mariano Neto

“ARTISTA QUE NÃO REAGE RASTEJA!” Com esta frase de fundo o Movimento organizado pelos artistas de Guarabira, através de sua Associação de Arte e Cultura de Guarabira, fizeram um protesto hoje (10/07/2015) no Centro de Guarabira, ao lado da Casa de Cultura, recentemente ocupada pela Prefeitura de Guaraba, via mandato judicial impetrado pelo prefeito constitucional. Esse ato desagradou profundamente os artistas, que já vinham fazendo duras críticas ao atual prefeito que em campanha havia prometido investir na Cultura e nos artistas locais, com um Fundo Municipal de Cultura e até o momento nada fez nessa área.
Os artistas de Guarabira se manifestaram através da musica, com muito rock, musica popular brasileira e apresentações de artista locais. A poesia, o cordel e o repente fizeram parte do rool de apresentações. Um sentimento de revolta e insatisfação tomou conta tantos dos artistas experientes, quanto dos novos talentos que despontam na cultura de Guarabira. Ficou muito claro que o fechamento da casa de cultura que era um ponto de encontro dos produtores culturais da cidade, foi no mínimo impensado pelo gestor municipal, pois ele havia obtido o apoio da grande maioria para se eleger e nesse momento deu as costas totalmente aos ativistas culturais de Guarabira.
Silvania Rodrigues informou no momento que o Secretário de Cultura do Estado, Lau Siqueira, havia estado em Guarabira na ultima segunda-feira e já estava ciente de toda a situação, também já havia protocolado um encaminhamento para o prefeito estabelecendo o fim da parceria que havia entre a prefeitura e o governo do estado, para a partir daí entregar o espaço para o povo que produz cultura em nossa cidade.
Entre as apresentações culturais, vários artistas e apoiadores do movimente fizerem falas críticas ao ato do governo municipal e cobraram das autoridades o cumprimento de uma pauta de investimentos em cultura local, pois até o momento, os artistas de Guarabira, estão se sentindo completamente desprestigiados perante o gestor do município, que simplesmente ignora a existência de grande numero de artistas, talentos locais, sem espaço e sem apoio de qualidade alguma.
O poeta Artur Silva dedicou um lindo poema aos artistas e agitadores culturais de Guarabira, intitulado solidariedade:


SOLIDARIEDADE (POETA ARTUR SILVA).

“TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE
NO REINO DA FANTASIA
EM BUSCA DE LIBERDADE
ENCONTREI UM CERTO DIA
COM MINHA FELICIDADE
ERA UM FINAL DE TARDE
QUANDO FOI NO OUTRO DIA
PELAS RUAS DA CIDADE
EU E MINHA POESIA
TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE
MESA FARTA E ALEGRIA
DIREITO DO CIDADÃO
TODO HORA, TODO DIA
SAÚDE, TRABALHO E PÃO
É PRECISO EDUCAÇÃO
PRA SAIR DESSA AGONIA
MINHA GARGANTA ESTÁ SECA
A BARRIGA ESTÁ VAZIA
TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE
SEM ESPAÇO PRA CULTURA
SEM FUTURO, SEM QUIMERA
VOU LEVANDO MINHA VIDA
ALIMENTANDO UMA FERA
MINHA FOME NÃO ESPERA
MINHA SEDE NÃO DEMORA
PARA AMAR E SER AMADO
TODA HORA É TODA HORA
TODO DIA É DIA DE SER SOLIDÁRIO
TODA HORA É HORA DE SOLIDARIEDADE”.

Na próxima Sexta-Feira, o movimento volta a se reunir no Projeto Café com Poeira para mais um protesto, pois enquanto a Casa de Cultura dos artistas de Guarabira não for entregue ao movimento cultural, haverá reação dos produtores de cultura, pois como afirmou artista Leledo Cidadão, os artista tem vergonha na cara e não vão se curvar para um prefeito que não consegue enxergar a importância cultural para o seu povo. 

Com fotografias de Levy Galdino, convidamos todos para compartilhar, curtir e reivindicar em defesa dos artistas guarabirense, pois sem cultura um povo não vale nada!





terça-feira, 7 de julho de 2015

A Força do “Não”



Por: Joana Belarmino de Sousa*

No último domingo, tal como devem ter feito milhões de pessoas no mundo todo, sintonizei-me com a Grécia e com a difícil missão do seu povo, que teria de escolher entre dois caminhos, cada um deles tão difícil quanto o outro, com seus abismos, sua impossibilidade de desvios alternativos, seu conjunto de inevitabilidades.
Como milhões de pessoas no mundo todo, torci pelo “Não”, e divulguei nas redes sociais, as tags dessa torcida, enquanto acompanhava pelos principais portais de notícias, as repercussões daquele acontecimento.
Festejei a vitória retumbante do “Não” grego, ciente da impossibilidade de compreender o tamanho do sacrifício que o caminho escolhido imporá aos cidadãos daquele país, ciente da imensa distância existente entre esta minha precária solidariedade e a real situação de sofrimento vivida pela Grécia, com todas as suas terríveis nuances, as quais somente podemos assistir de muito longe.
De fato, para qualquer lado que se olhasse, na terra de Platão e de Sócrates, havia um cenário sombrio a ser contemplado. O não, entretanto, era por assim dizer, o salto mais arriscado. Aquele que colocaria a Grécia no topo de uma montanha, pavimentada toda ela por um caminho de solidão, isolamento, abandono dos trilhos do mundo exterior e do capital internacional.
O não envolvia porém, a coragem de milhões de gregos que já haviam desafiado um processo eleitoral anterior, colocando nas mãos de Alexis Tsipras, os destinos do país para os próximos anos.
Assim, ouso dizer, o “não” fez mais pela Grécia do que faria o “sim”. Ao mesmo tempo em que expôs ao mundo, o âmago da terrível crise que assola o país, obrigou que o grupo dos seus vizinhos, a Europa toda, representada pela Troika, constituída pela União Europeia, o Banco Central europeu e o FMI, se voltassem para uma compreensão mais aguda dessa crise, que não é apenas da Grécia, mas se gesta na própria forma como se dão os financiamentos das dívidas dos países hoje dependentes do capital mundial.
A agonia prossegue, agora com as diversas negociações. Dentro da Grécia entretanto, enquanto tenta adaptar-se ao limitado mundo das contenções, das dificuldades, dos carecimentos, o povo grego alimenta-se da esperança no seu líder maior, Alexis Tsipras, e na possibilidade de construírem um futuro mais digno para o país.
Sim, a crise grega é, em larga medida, uma amostra dos caminhos que temos palmilhado ao sabor das diretrizes do capital mundial, cuja acumulação, com predomínio na financeirização do próprio capital, assume proporções inaceitáveis, ameaçando o futuro da própria globalização.
Nenhum país pode-se dizer imune à situação de crise que assola o mundo. Mas há que se compreender porque estamos caminhando inevitavelmente para uma posição tão perigosa. Precisamos escutar o que tem nos dito David Harvey, em sua aguda crítica ao sistema capitalista e aos movimentos das suas últimas décadas, que nos trouxeram a esse perigoso agora.
* Joana Belarmino de Sousa - Doutora em Semiótica pela PUC/SP, profa. de Teoria da comunicação da UFPB.

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