quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O pior homem que já pisou neste país

*Um texto imprescindível!*

por _Fernando Horta_

Na década de 50, nos EUA, no auge das perseguições políticas do Macarthismo, os “condenados” por suas posições políticas eram colocados nas mesmas prisões que os piores criminosos daquele país. Estupradores, assassinos, e criminosos cuja imaginação comum apenas tangencia seus feitos eram mandados para prisões de “segurança máxima” e conviviam lado a lado com professores, trabalhadores e mesmo advogados que eram “julgados” comunistas.

A bibliografia sobre o período está recheada de casos neste sentido. Um condenado a prisão perpétua por crimes de assassinato e estupro, por exemplo, ao receber a visita da mãe ouviu dela um inusitado conselho: “Não se misture com aquela gente”. “Aquela gente”, nas palavras da mãe do apenado, eram os “comunistas”. Pessoas cujo único “crime” era pensar um mundo diferente, econômica e socialmente mais justo. “Aquela gente”, aos olhos da matriarca do apenado, estava abaixo, na escala de pecados, de seu filho que havia matado e estuprado várias pessoas.

A postura desta senhora, nos anos 50, não era um caso isolado. De fato, o macarthismo, através de uma campanha midiática e mentirosa, transformava seus alvos em indivíduos que as massas conservadoras julgavam não deveriam ter o direito sequer de respirar. A bestialidade chegava a tal ponto que não são poucos os casos de linchamento de pessoas nos EUA “suspeitos” de ligação com o comunismo. A violência das massas, legitimadas pela campanha de ódio, não se restringia apenas a comunistas, mas, como mostram os casos de Emmett Louis Till e Harry Hay, a questão racial e de sexualidade também atraíam o ódio e o desprezo.

“Comunista” era ligado narrativamente ao “negro vagabundo e ladino” e ao “homossexual depravado”.

Em 1953, num dos primeiros atos de seu governo, Eisenhower assinou uma lei que bania do serviço público norte-americano pessoas com “condutas sexuais pervertidas”. A designação de Eisenhower durou por quase 20 anos.

Comunistas, negros e homossexuais eram os piores dentre todos os que tinham pisado na Terra. A eles não era permitido que pensassem, que vivessem, que trabalhassem ... A presença da URSS evitou que muitas destas pessoas fossem sumariamente mortas, porque a propaganda seria péssima para o “mundo livre”, como os EUA faziam questão de serem chamados.

Suzanne von Richtofen foi condenada por manda matar os pais para ficar com a herança. Ela e os executores do crime (os irmãos Cravinhos) foram condenados a 39 anos e seis meses de reclusão. Suzanne tem garantidas as saídas da cadeia no Natal e até mesmo no dia dos Pais. Os irmãos Cravinhos, também são receptores da letra da lei e saem da cadeia no dia das mães além de darem entrevistas a jornais e televisões.

O ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado por ser o mandante do assassinato e destruição do corpo da mãe de seu filho, Elisa Samudio. Bruno, em conluio com comparsas, teria não apenas matado Elisa, mas dado seu corpo despedaçado para cães comerem. Em 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão. Durante os mais de seis anos que esteve preso, tanto Bruno, quanto seu cúmplice imediato “Macarrão” tiveram seus direitos respeitados quanto à “saída temporária” e até quanto a serem colocados em “regime semi-aberto”.

Numa república, a lei deve ser cumprida e parece que tanto Bruno, quando Suzanne, a despeito do quanto achemos selvagens seus crimes, tiveram respeitada sua humanidade. Humanidade que não lhes é dada (ou retirada) em função de seus comportamentos, mas que é – desde o século XVIII – a base do que se chama de “liberalismo político”. O homem tem direitos naturais que lhe assistem, indiferente ao que possa fazer ou pensar em vida. A base da sociedade contemporânea ocidental é o respeito inalienável a tais direitos como a vida, a inviolabilidade do corpo, à liberdade de pensamento e à propriedade privada.

Contudo, um homem que vive entre nós está na condição de ser o pior dos homens que já pisaram a Terra desde Adão e Eva. Segundo as duas juízas-carcereiras, colocadas para vigiar as portas da prisão do “mal encarnado”, este homem não merece sequer o custo das grades que lhe confinam ou da comida que come. Desrespeitar os direitos de alguém é dizer aberta e claramente que este sujeito não tem humanidade. Carolina Lebbos e Gabriela Hardt decidiram, entre turnos, manter “o pior homem entre nós” trancafiado sem poder sequer comparecer ao velório de seu irmão.

Para o judiciário brasileiro, que tem em Moro o símbolo-esperança e modelo de ação, Luís Inácio Lula da Silva está abaixo, na escala dos pecados, do que Bruno ou Suzanne. Lula está abaixo de Carlinhos Cachoeira, de Pimenta Neves (que em 2000 assassinou a esposa), dos irmãos Cravinhos, de Guilherme de Pádua (assassino de Gabriela Perez), entre outros.

O que fez o “pior dos homens” para merecer este tratamento? Quais crimes cometeu? Certamente crimes de imoralidade e desumanidade absolutas, que indicariam uma repulsa social acima de qualquer argumentação razoável. Que poderes tem este indivíduo, que deve ser proibido visitas, entrevistas e falas à imprensa? Que maldade e pecados encerra o homem a quem o judiciário brasileiro não permite sequer o cumprimento das suas próprias leis?

Lula foi condenado a 12 e um mês de prisão. Não há uma conta com dinheiro ilícito em seu nome. Não há um imóvel, carro, lancha, avião, iate ou joia que tenha sido aprendido ou descoberto em seu nome ou de familiares. Não há um documento seu assinado, uma ligação ou uma gravação telefônica sua ou de familiares que o tenham colocado em posição de ter cometido ato criminoso.

Lula foi condenado baseado num “powerpoint” de um procurador que na argumentação final usou teorias de probabilidade (que ele desconhece) para “provar” que Lula “tinha que ser culpado”.

Lula foi condenado por um ex-juiz que, após oito anos de investigações conseguiu apenas uma única palavra contra Lula. Moro reduziu a pena imposta por ele próprio a Léo Pinheiro, de 26 anos de prisão para pouco mais de dez anos, após Léo ter “colaborado” para a condenaçõa de Lula. Em segundo grau, o desembargador Gebran reduziu novamente a pena do empreiteiro de dez para três anos e seis meses de cadeia. E, enquanto você lê este texto, Léo Pinheiro está em casa, em “prisão domiciliar”.

Lula foi condenado por três desembargadores que, em suas sentenças finais, gastaram não mais do que cinco páginas para discutirem argumentos de acusação e defesa, e mais de quinze para elogiarem o colega ex-juiz Moro.

Lula foi condenado no processo mais rápido da história do TRF-4. Tempo suficiente para lhe retirar do pleito de 2018.

O pior dos homens entre nós, segundo o judiciário brasileiro, foi condenado por ter visitado um apartamento que lhe era oferecido para comprar. As provas se resumem a duas visitas e uma delação.

Este “monstro” precisa ficar enclausurado, longe da imprensa, da sociedade e do mundo, porque ele pode ser capaz das maiores insanidades sociais, como, por exemplo, chorar a morte do irmão ou, talvez, falar. E em falando, Lula pode vir a retirar o Brasil do coma induzido por nossas instituições. O perigo que representa a voz e o pensamento do homem que tirou 40 milhões de pessoas da pobreza, elevou o Brasil à sexta economia do mundo e deu escola e educação superior a mais gente do que todos os presidentes anteriores somados, é dele demonstrar a inaptidão, ignorância e incapacidade do atual governo. Este “inominável ser” deve ser mantido isolado, com focinheira e duas juízas especialmente designadas a ficarem monitorando as portas da cela.

Lula está preso sim ... se não estivesse o Brasil não estaria sendo governado por fascistas, exposto ao ridículo internacional e se submetendo aos desígnios da política externa de outros países.

Lula está preso sim e, graças às duas diligentes juízas, temos a certeza que a “pior criatura” que já pisou neste país não tem o direito sequer de velar seu irmão. E tudo isto pelo pavoroso crime de ter construído um Brasil mais justo e mais igual. Algo que a Justiça brasileira, a bem da verdade, nunca aceitou, em mais de 500 anos de história.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Aterro Sanitário e riscos ambientais no Vale do Mamanguape/PB

Figura 01 - Bacia hidrográfica do rio Mamanguape. Imagem extraída do RIMA/SUDEMA, 19/12/2018.
Por: Belarmino Mariano Neto *
        Talles Chateaubriand de Macedo **

Guarabira poderá ter Aterro Sanitário dentro da Bacia Hidrográfica do rio Mamanguape. O Relatório de Impactos Ambientais (RIMA), disponível no site da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (SUDEMA/PB), apresenta vários mapas com a exata localização do futuro aterro. O mais grave é vermos que poderá ser instalado acima da barragem e adutora Araçagi, que abastece dezenas de municípios das regiões de Guarabira e Mamanguape. As imagens não deixam dúvidas. O mapa acima, encontrado no RIMA, destaca a bacia hidrográfica do rio Mamanguape e na parte central da bacia, encontramos a barragem de Araçagi.

domingo, 11 de março de 2018

GEOGRAFIA: Espaço, Lugar e Paisagem

Riscos e Rabiscos da Terra. Arte de Belarmino Mariano.

Por: Belarmino Mariano

Gosto muito do espaço geográfico, mesmo considerando as métricas, estruturas, formas, desenhos, arranjos e relações. Gosto quando Milton Santos nos apresenta ideias como: O homem em sociedade através do seu trabalho, transforma a natureza ao longo do tempo, com o uso de técnicas das mais diversas, estas ações humanas significam a formação o espaço social ou geográfico (SANTOS, 1985).

Asim trabalho com esse esquema teórico: Espaço-Tempo e a Sociedade-Natureza. Prefiro pensar em coisas simples e realizáveis como o espaço a partir do lugar dos nossos dias, dos nossos desejos, das nossas emoções (SANTOS, 1997). O lugar dos nossos medos, dos nossos sonhos. O lugar é o nosso quarto, a casinha branca no meio do nada. O espaço enquanto o lugar que expressa as nossas vidas.

tempo. Extraído das reses sociais.

Estamos tão cheios de atividades que nem paramos para perceber os lugares onde estamos, por onde passamos... as vezes os lugares nos marcam, em outras vezes marcamos os lugares. parece até que os lugares, mesmo os mais invisíveis, são marcas indeléveis em nossas existências. As montanhas, os vales, os precipícios. Os vilarejos, as florestas e seus homens, as casinhas, os celeiros, as estradas, as curvas como lugares de perigo.
Para Mariano Neto, et al (2006), todos os espaços guardam as paisagens de si mesmos, estas são alteradas e modificam os lugares, a natureza dos lugares. Os lugares são as nossas casas, as tocas dos coelhos, os buracos no chão. as cabanas de palha, os ninhos dos pássaros,  os dormitórios e os presídios. O espaço esta em todos os lugares e os lugares são capsulas do espaço. Os lugares são metáforas, são utopias, são os desvios e os encontros. Os lugares estão dentro dos lugares e dentro dos nossos pensamentos e emoções.
Peluso (2013) afirma com base em Santos (1997) que o conceito de natureza se alterou; ela deixou de ser sujeito – a Natureza dos tempos primordiais que jamais conheceremos, e adquiriu a condição de objeto – a natureza do período urbano atual, em que a cidade é o lugar mais perfeito do predomínio das técnicas. Ou seja, deixou de ser a Primeira Natureza e se transformou, para sempre, em segunda natureza. Santos (1997, p. 203) escreve que a antiga distinção entre primeira natureza e a segunda natureza deve ser flexibilizada, pois “a natureza já modificada pelo homem também é primeira natureza”, visto que “a produção não é mais ação do trabalho sobre a natureza, mas trabalho sobre o trabalho”
O espaço não existe, o que existem são nossas ilusões, imaginações e a partir delas tentamos medir distâncias, medir formas, medir volumes...então o espaço começa a ganhar sentido, quando do seu grande vazio de sentidos, vamos ocupando, preenchendo, transformando...vazios preenchidos ganham o sentido de espaço (MARIANO NETO, ET AL, 2006).


Foto: Gabriel de Paiva. Nuvens Cumulo-nimbo -
Céu de Caldas Brandão, Agreste da Paraíba/ 03/03/2018.
Outra grande ilusão da vã filosofia humana é achar que tudo o que vemos, seja o espaço em forma de paisagem. A PAISAGEM que tanto nos fascina. Gosto muito de pensar a paisagem em conexão com todos os nossos sentidos. Para além do olhar.
A paisagem impregna os lugares, como as as suas estruturas, formas, dimensões, fluxos, entre outros desenhos, arranjos e relações (SANTOS, 2005).  A Natureza é frágil e ao mesmo tempo rigorosa. As paisagens podem ser vendavais em forças atmosféricas, podem ser congeladas como o ártico, a antártica, ou a cordilheira do andes, himalaia e alpes. As paisagens também podem esta congeladas em uma obra de arte.
As paisagens possuem elementos perspectives em seus odores, em seus sons (ruídos), em aspectos táteis, mas também em seus sabores, mas e muito mais, em nossos sentimentos, emoções, desejos, medos, angustias. Podemos esta diante de uma paisagem, mas as paisagens podem simplesmente estarem em nossa imaginação. as paisagens não são feias ou bonitas, são apenas paisagens.


Feira livre de Guarabira alagada. Foto de Belarmino Mariano
10 de março de 2018.
As paisagens podem ser centros urbanos alagados pela ultima chuva de verão. Mas os nossos sentidos, sentimentos e valores, dão diferentes sentidos a uma mesma paisagem. Uma pessoa pode se alegrar diante de uma paisagem como um por-do-sol, enquanto que outra pessoa pode ficar triste diante do mesmo por-do-sol. A paisagem desperta nossos sentimentos.  A paisagem é uma combinação de estruturas, uma combinação de formas, a combinação de processos ou dinâmicas.

Essa é roupagem para o que consideramos o espaço geográfico. Então estamos diante de uma contradição, entre a teoria de espaço como ilusão mental e dinâmicas humanas concretas. Representações extraordinários de tudo o que fazemos nas nossas relações com a natureza e com a nossa própria espécie.

Podemos refletir sobre o espaço como uma acumulação desigual do tempo. Segundo podemos pensar o tempo como uma construção social e terceiro podemos pensar o espaço e tempo como infinitos simultâneos recentes que se encontram e se complementam. em nossas representações sócio-espaciais.
O espaço é a movimentação geral da sociedade edificando uma massa heterogênea de formas que se impõem ao cotidiano, ao trabalho, ao lazer. Essas formas, por vezes, seduzem, por vezes, aprisionam. Em alguns momentos são reais, em outros, imaginárias. Ao assumir as diferentes faces de uma mesma realidade, pode enganar o leitor desavisado. 
Em verdade, todas essas faces do espaço são cunhadas na fetichização de um processo de criação que é sempre histórico, gravado com as marcas indeléveis do tempo, em que a natureza primeira se transforma em uma segunda natureza (Santos, 1985) que por sua vez se transforma novamente. Assim, podemos dizer que a natureza do espaço está em revelar as distintas faces da natureza humana em sua trajetória pela Terra. Nessa trajetória, encontramos no espaço a acumulação desigual dos tempos. 
Tomemos a cidade como uma forma sócio-espacial e procuremos encontrar em sua organização as variáveis postas na afirmação (espaço, tempo, desigualdade, acumulação). O que você tem diante de seus olhos e sob os seus pés?
Todo espaço geográfico é obrigatoriamente histórico. Quando separamos espaço de tempo, é por uma mera didática ou pedagogia, ancorados pela filosofia clássica que considerou estudar a ideia de espaço dissociada da de tempo. Para as bases filosóficas, se tratava de duas categorias de análise. 
Para Albert Einstein (2001), na Teoria da Relatividade Especial e Geral, tempo-espaço se trata de uma coisa só. Espaço-tempo é como se fossem duas faces de uma mesma moeda. considerando a mente humana e seus pensamentos, se criou dilemas como o espaço-tempo, a partir de observações elementares da natureza foram acumuladas, aprofundadas, mitificadas, endeusadas. A partir da  e da Física teórica chegamos a relatividade do espaço-tempo e por ultimo, estas ideias foram captadas pela ideologia dominante como algo concreto e materializado a partir das ações humanas em sociedade. 
Espaço-tempo, associados, são ideias que perpassam todo o conhecimento humano. O espaço-tempo podem ser pensados na perspectiva social, política, econômica, cultural e ambiental. Dentro da lógica capitalista, são propriedades e mercadorias, caras e raras, perceptivas e imperceptíveis aos olhares desatentos.  

Referências:
EINSTEIN,  Albert. Teoria da Relatividade. Porto Alegre: LP&M-Pockt, 2001.
MARIANO NETO, Belarmino. SALES, Luiz Gustavo; SALES, Ricélia Marinho de Lima. A Natureza da Geografia e suas Múltiplas Ações. João Pessoa: Secretaria de Estado da Educação, 2006. <https://drive.google.com/file/d/0BzuVaa1bm0peRzZoZk5lTkJwejBhX2xfUHJwOWwtS1FtVkdF/view?ts=59ae0cb3
PELUSO, M. L. O DESAFIO DE COMPREENDER A NATUREZA NA OBRA DE MILTON SANTOS. Revista Eletrônica: Tempo - Técnica - Território, v.4, n.1 (2013), p. 22:31 ISSN: 2177-4366.<file:///C:/Users/Belarmino%20Mariano/Downloads/19212-61326-1-PB.pdf>
SANTOS, Milton. Espaço e método. São Paulo: Nobel, 1985. 
_____. A natureza do espaço. Técnica e tempo. Razão e emoção. Hucitec: São Paulo, 1997. _____. Da totalidade ao lugar. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Nasce uma Nova Esquerda

Guilherme Boulos e a vice na chapa Sonia Guajajara com os filhos na Conferência Cidadã Foto: Mídia Ninja
A Conferência Cidadã, que ocorreu no sábado (3), em São Paulo, foi algo inédito nos últimos anos.

Por: Juliano Medeiros (Revista Fórum na integra)

Aconteceu, neste sábado (3/3), a Conferência Cidadã, evento organizado pelos movimentos sociais para oferecer as candidaturas de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara ao PSOL. Sônia já é filiada ao partido. Guilherme se filiará na tarde desta segunda-feira (5/3). Ambos precisarão do aval da Conferência Eleitoral do PSOL, que ocorre no próximo dia 10. Há outras pré-candidaturas inscritas, representando diferentes posições partidárias, todas elas legítimas. Mas por que, então, a imensa maioria da militância e da direção partidária, além da bancada federal do partido na Câmara dos Deputados, preferem Guilherme Boulos? Exatamente porque sua candidatura, como ficou demonstrado no evento de ontem, representa a confluência de diferentes lutas, extrapolando em muito as fileiras do PSOL.
O PSOL surgiu como um contraponto aos limites do projeto de conciliação liderado pelo Partido dos Trabalhadores após a vitória de Lula, em 2002. Foram tempos difíceis. Por muitos anos o partido “pregou no deserto”, sem que suas ideias tivessem o alcance necessário para alavancar um projeto radical de esquerda, alternativo ao petismo. Só com as crises econômica e política que atingiram o Brasil, a partir de junho de 2013, suas críticas passaram a ter maior acolhida na esquerda. Com o golpe que destituiu Dilma, ficou claro que a conciliação tinha limites estruturais. A história, enfim, dava razão ao PSOL.
Nesse processo de reflexão sobre os limites do lulismo, se forjou um novo campo político nos movimentos sociais. Esse campo inclui o MTST, as lutas pelo passe livre, as ocupações de escolas, a primavera feminista, uma nova geração de intelectuais críticos, artistas progressistas, o despertar das lutas indígenas, dentre muitos outros. Esse campo político, claramente “pós-lulista”, aponta agora a necessidade de oferecer uma alternativa ao povo brasileiro. Essa alternativa, que já vem sendo construída nas lutas contra a retirada de direitos, promovida pelo ilegítimo governo Temer, e na defesa da democracia, ganha agora expressão eleitoral.
O evento de ontem, na Casa das Caldeiras, foi algo inédito nos últimos anos. Um encontro entre diversas formas de resistência que decidem ir além: ocupar a política partidária, somando esforços com aquele que é hoje a única força política capaz de incorporar esse despertar de lutas e ir além dos limites impostos pela falsa democracia das elites: o PSOL. Estamos diante do encontro de gerações de lutadores históricos, como Ivan Valente, Luiza Erundina, Chico Alencar, Edmilson Rodrigues, que não se renderam às razões de Estado ou às ilusões da conciliação, com uma nova onda de movimentos sociais que expressam as contradições que a nova dinâmica da exploração capitalista produziu em nosso país. Um momento histórico.
Fonte documental e imagem:

domingo, 4 de março de 2018

Climatologia - Fortes Chuvas na Paraíba

Foto: Gabriel de Paiva. Nuvens Cumulo-nimbo - Céu de Caldas Brandão, Agreste da Paraíba/ 03/03/2018.

Por: Belarmino Mariano e Gabriel de Paiva (Grupo Geografia da Paraíba)

Geografia Física - Climatologia

Bela nuvem registrada hoje na zona rural de Caldas Brandão, Agreste da Paraíba. As chuvas continuam ocorrendo com frequência em todas as regiões do estado. Com estas palavras o Grupo Geografia da Paraíba) lança mão de uma das áreas mais importantes da Geografia Física, a Climatologia e a Meteorologia.
A imagem de capa, nos chama para uma rápida explicação sobre o movimento de massas de ar, vindas do litoral atlântico em direção ao interior do continente Sul Americano, na região de baixas latitudes, entre O* e 7* graus de latitude sul em relação ao Equador. Esse período marca, o final do verão no hemisfério sul, reflexos de acumulo de calor na superfície em tela, como mais um dos fatores climáticos que interfere diretamente nas condições atmosféricas locais.
Sobre as nuvens cúmulo-nimbo, desta-se pelos cúmulos formados pela ações dos ventos convectivos, na medida em que as massas se deslocam, tanto em velocidade, quanto em altitude, quando ultrapassam os limites dos 10 mil quilômetros, começam a condensar e concentrar, criando um grande campo vertical em deslocamento. 
Em função da altitude, superior aos 15 mil quilômetros, passa a sofrer forte pressão dos ventos da troposfera, ganhando formas diversas, mais visivelmente alongadas, tanto em sentido vertical quanto horizontal, ganhando grandes dimensões em seu deslocamento, com corres fortemente acinzentadas escuras e homogeneidade nos tons escuros. Para os habitantes do Agreste e Sertão: "Um sinal de que vai chover e forte".
Também em função da altitude, pressão e acumulo progressivo, os meteorologistas consideram as cúmulos-nimbo, relacionadas as frentes, seguidas por tempestades, raios e fortes chuvas e dependendo da região geográfica, podem ocorrer com granizo e até neve.


Imagem do satélite METEOSAT-10 do INMET

A  imagem de Satélite (METEOSAT-10 DO INMET), compartilhada pelo Grupo Geografia da Paraíba, demonstra "Nebulosidade ainda é considerável no Sertão da Paraíba e pode continuar chovendo nas próximas horas. Embora a Zona de Convergência Intertropical tenha se afastado para o Norte em virtude do fortalecimento da zona de baixa pressão no interior nordestino, as nuvens carregadas ainda pairam sobre o Sertão Paraibano" (Geografia da Paraíba).
A imagem do satélite METEOSAT-10 do INMET, expões "a concentração das nuvens ocorre na porção centro-sul do Sertão, nas bacias hidrográficas do Rio Piranhas e Rio Piancó. A expectativa é de que, com a continuidade das chuvas, ocorra forte recarga nos mananciais sertanejos, principalmente o Coremas/Mãe D'Água, que é tão importante para a região" (Geografia da Paraíba).
Para Gabriel Garcia, aquela paisagem de encher os olhos. Muita chuva hoje em Caldas Brandão, Agreste da Paraíba. E na sua região?
Muita chuva hoje em Caldas Brandão, Agreste da Paraíba. Foto: Gabriel de Paiva.
Imagens e fragmentos de texto, extraídos originalmente do Grupo Geografia da Paraíba

https://www.facebook.com/GeografiaPB/photos/a.190625574427965.1073741828.190160327807823/965503360273512/?type=3&theater

https://www.facebook.com/GeografiaPB/photos/a.190625574427965.1073741828.190160327807823/958590264298155/?type=3&theater


https://www.facebook.com/GeografiaPB/photos/a.190625574427965.1073741828.190160327807823/955043647986150/?type=3&theater

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O Tempo nas Cidades

Imagem extraída das redes sociais.

MESA-REDONDA: "O TEMPO NA FILOSOFIA E NA HISTÓRIA"
Conferência: O Tempo Nas Cidades
Milton Santos (GET/USP-2001)*
               
*Milton Santos foi professor titular de Departamento de Geografia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, falecido em 24 de junho de 2001. (Texto extraído da transcrição da conferência do autor na mesa-redonda "O tempo na Filosofia e na História", promovida pelo Grupo de Estudos sobre o Tempo do Instituto de Estudos Avançados da USP em 29 de maio de 1989. A transcrição completa foi publicada na Coleção Documentos, série Estudos sobre o Tempo, fascículo 2, em Fevereiro de 2001).

O Tempo


O texto que segue é um esboço de uma velha ambição que jamais pude realizar (espero poder realizá-la ainda) que é oferecer um curso de pós-graduação sobre o tempo. Ainda que não seja filósofo, sou geógrafo, parto da ideia de que a Geografia é uma filosofia das técnicas, considerando a técnica como a possibilidade de realização da História, de mudança da História, de visibilidade dessas rupturas.

LEIA O ARTIGO NA INTEGRA: O TEMPO NAS CIDADES

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A NATUREZA DA GEOGRAFIA E SUAS MULTIPLAS AÇÕES



AUTORES:
Profº. Dr. Belarmino Mariano Neto (UEPB/CH)[1]
Prof. Dr.. Luiz Gustavo Lima de Sales (UFCG/Pombal)²
Profa. Dra. Ricélia Marinho de Lima Sales (UFCG/Pombal)³

COORDENADORIA DE ENSINO MÉDIO - G E O G R A F I A: REFERENCIAIS CURRICULARES DO ENSINO MÉDIO DO ESTADO DA PARAÍBA (GEOGRAFIA). João Pessoa, Paraíba: Secretaria de Estado da Educação e Cultura, Agosto de 2006. ISBN 978-8598357-33-1. João Pessoa, Agosto de 2006.

INTRODUÇÃO:
“O homem é a natureza adquirindo consciência de si própria”* (RECLUS, 1887)*

Pensar a natureza da geografia no inicio de século 21 é um desafio para todos os acadêmicos da disciplina de Geografia, na qual são sugeridos elementos de análise que podem representar categorias essenciais dessa ciência. Nesse sentido, parte-se da correlação existente entre o espaço-tempo e a sociedade-natureza, para que se possa mediar os conceitos-chave da Geografia que adquirem significados na articulação com os conceitos estruturadores da área de Ciências Humanas e suas tecnologias, quais sejam: relações sociais, dominação, poder, ética, identidade, cultura e trabalho. Assim, a Ciência Geográfica pode ser articulada a quatro dimensões fundamentam o conhecimento geográfico: Espaço, Tempo, Sociedade e Natureza. Estas são bases para a construção material e formal desta ciência.

LEIA O TEXTO NA INTEGRA: A NATUREZA DA GEOGRAFIA




*Cf. RECLUS, Élisée, 1887-1892. Reproduzido de ANDRADE, 1985, p.38
[1] O artigo foi produzido a partir de uma consultoria que fizemos para a constituição dos referenciais curriculares para o ensino médio da Paraíba. No artigo foi atualizado em agosto de 2016.

Porta Avião doa EUA atingido por Míssil Iraniano no Golfo Pérsico

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