terça-feira, 17 de novembro de 2015

Mineração e tragédias em Minas Gerais. Até quando?





Mineração e tragédias em Minas Gerais. Até quando?
Texto do Promotor Marcos Paulo Miranda - MG

Minas Gerais tem o seu próprio nome ligado à mineração, atividade que durante o apogeu do ouro e do diamante sustentou, em boa parte, a economia de Portugal. Nos dias de hoje, sem a fartura de pedras e metais preciosos, o minério de ferro é uma das bases da economia do Estado. Mas um lado funesto decorrente das atividades minerárias ao longo de mais de três séculos de exploração é ainda pouco conhecido: a perda de vidas humanas e a destruição do meio ambiente em episódios recorrentes na história do povo mineiro.

Tratando sobre a extração de ouro no Morro de Pascoal da Silva, em Vila Rica, em 1717, o Conde de Assumar deixou registrado em seu diário que os negros faziam “huns buracos mui profundos aonde se metem, e pouco a pouco vão tirando a terra para a lavar; porém esta sorte de tirar ouro he mui arriscado, porque sucede muitas vezes cahir a terra e apanhar os negros debayxo deitando-os enterrados vivos”.

O Barão de Langsdorff, ao percorrer região de Mariana em 1824, registrou: “passamos por um vale pobre e árido, por onde ocorre o rio São José, turvo pela lavação do ouro e em cujas margens se veem montes de cascalhos, alguns até já cobertos de capim. É difícil imaginar uma visão mais triste do que a deste vale, outrora tão rico em ouro”.

Em meados de 1844, na Mina de Cata Branca, município de Itabirito, à época alvo da exploração aurífera por uma empresa britânica, houve o desabamento da galeria explorada e soterramento de dezenas de operários escravos. Segundo os registros, dias depois do acidente ainda eram ouvidas vozes e gemidos dos negros em meio aos escombros. Ante a dificuldade de resgate, foi tomada a decisão de se desviar um curso d’água para inundar a mina, matando os pobres trabalhadores sobreviventes afogados, ao invés de espera-los morrer de fome.

Sobre o fato, José Pedro Xavier da Veiga deixou registrado nas suas célebres Efemérides Mineiras: “E lá estão enterradas naquele gigantesco túmulo da rocha as centenas de mineiros infelizes, que encontraram a morte perfurando as entranhas da terra para lhe aproveitar os tesouros. A mina conserva escancarada para o espaço uma boca enorme rodeada de rochas negras e como que aberta numa contorção de agonia”.

Em 21 de novembro de 1867, na Mina de Morro Velho, em Nova Lima, um desabamento matou dezessete escravos e um trabalhador inglês. Dezenove anos mais tarde, em 10 de novembro de 1886, a história se repetiu em Morro Velho. Mais recentemente, rompimentos de barragens nas minas de Fernandinho (1986) e Herculano (2014), em Itabirito; Rio Verde (2001), no Distrito de Macacos, em Nova Lima; e da Mineração Rio Pomba (2008), em Miraí, redundaram em dezenas de outras mortes e prejuízos irreversíveis ao meio ambiente.

No último dia 05 de novembro de 2015, em Mariana, o rompimento de duas barragens da empresa Samarco soterrou quase integralmente o Distrito de Bento Rodrigues, ceifou vidas, destruiu dezenas de bens culturais e danificou de forma severa os recursos ambientais de vasta extensão da Bacia do Rio Doce. Todos sabem que a história é mestra da vida e os fatos adversos por ela registrados devem servir de alerta para o futuro, para que os erros não sejam repetidos.

O aprendizado com os equívocos de antanho deveria impor ao setor minerário da atualidade uma completa mudança de paradigmas. Afinal, temos condições de sermos autores da nossa própria história e não podemos admitir a repetição reiterada desses desastres como algo normal, inerente às atividades econômicas de Minas Gerais.

Entretanto, percebemos que ainda se avultam as inconsequentes condutas induzidas pela ambição do lucro fácil e pelo desdém aos direitos alheios, não raras vezes secundadas pela omissão ou incompetência de autoridades públicas responsáveis pelos processos de licenciamento ambiental, que se contentam com a adoção de tecnologias ultrapassadas em empreendimentos de alto risco, que raramente são fiscalizados.

A anunciada flexibilização do licenciamento ambiental pelo Governo de Minas, com o nítido propósito de beneficiar, entre outros, o seguimento dos empreendimentos de mineração, segue na contramão do que a sociedade mineira espera e precisa: segurança e respeito aos seus direitos.

É hora de dizer um basta.
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Marcos Paulo de Souza Miranda, coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

Em:
http://saudedomeio.com.br/mineracao-e-tragedias-em-minas-gerais-ate-quando/
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Veja uma compilação de artigos. SUGESTÕES, indique nos comentários.
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Tragédia em Mariana mostra que barragens são bombas armadas
http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2015/11/13/tragedia-em-mariana-mostra-que-barragens-sao-bombas-armadas.htm

A lama da Samarco e o jornalismo que não dá nome aos bois
http://outraspalavras.net/alceucastilho/2015/11/09/a-lama-da-samarco-e-o-jornalismo-que-nao-da-nome-aos-bois/

O Mito da demora no Licenciamento Ambiental
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/533466-o-mito-da-demora-no-licenciamento-ambiental

Quem é Quem nas Discussões do Novo Código de Mineração
Clarissa Reis Oliveira para o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração
http://ibase.br/pt/wp-content/uploads/2015/09/quem-e-quem-comite-2014.pdf

Mar de lama, literalmente
http://www.cartacapital.com.br/revista/876/mar-de-lama-literalmente-6686.html

A Tragédia das Barragens da Samarco e o Licenciamento Ambiental Ineficiente, Burocrático e Mercantilizado
http://licenciadorambiental.com.br/a-tragedia-das-barragens-da-samarco-e-o-licenciamento-ambiental-ineficiente-burocratico-e-mercantilizado/

Minas Gerais: onde estão Ana Clara, Mateus, Yuri e Thiago?
Tragédia em Minas não terá sua “foto de criança síria”; postura das autoridades e da imprensa, até agora, é protocolar, sem empatia com a população atingida
http://outraspalavras.net/alceucastilho/2015/11/10/mariana-mg-onde-estao-ana-clara-mateus-yuri-e-tiago/

Licenciamento de barragem em Mariana está vencido há dois anos
http://oglobo.globo.com/brasil/licenciamento-de-barragem-em-mariana-esta-vencido-ha-dois-anos-18022460

Ambientalistas querem maior rigor em novo código de mineração
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/549078-ambientalistas-querem-maior-rigor-em-novo-codigo-de-mineracao

Basta! Chega de mortes, destruição e sofrimento para saciar a voracidade da mineração!
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/548772-basta-chega-de-mortes-destruicao-e-sofrimento-para-saciar-a-voracidade-da-mineracao

Governo de Minas Gerais perdoa 120 mil multas ambientais
http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/governo-de-minas-gerais-anistia-120-mil-multas-ambientais/

Fotos revelam rachadura em outra barragem em Mariana
http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/11/fotos-revelam-rachadura-em-outra-barragem-em-mariana.html

Da lama ao caos: o País que não queremos
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/549041-da-lama-ao-caos-o-pais-que-nao-queremos

Rompimento de barragem pode impactar vida marinha por cem anos
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/rompimento-de-barragem-pode-impactar-vida-marinha-por-cem-anos-3615.html

“Lama de Mariana pavimentou rios por onde passou. Dano é irreversível”
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/549064-lama-de-mariana-pavimentou-rios-por-onde-passou-dano-e-irreversivel

O rompimento da barragem da Samarco e a enxurrada de culpados
http://www.ecodebate.com.br/2015/11/17/o-rompimento-da-barragem-da-samarco-e-a-enxurrada-de-culpados-artigo-de-efraim-rodrigues/
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Destruição do Rio Doce em Minas Gerais


O Brazil que foi entregue as multinacionais pela privatização de FHC, agora sofre as consequências ambientais da exploração sem controles.
Por: Belarmino Mariano Neto

Esse é o modelo de exploração predatória utilizado pelo perverso sistema capitalista selvagem. Lucro, lucro, lucro. Em nome do capital, os governos de Collor a FHC privatizaram importantes estatais que extraiam minério em Minas Gerais. Todas passaram para as mãos de empresas multinacionais, como a Vale do Rio Doce e suas associadas. O pior é sabermos que esse era um mal anunciado. As pessoas, os animais e a natureza pouco importam para essa gana capitalista. Só uma sociedade socialista e ecológica.

A bióloga Takako Watanabe fez as seguintes indagações: "Não é só a raça humana que sofreu com esse desastre! Falam de 20 pessoas mortas e alguns ainda desaparecidos, mas e os milhares de seres que foram exterminados? Os peixes podemos até ver, mas e os demais seres vivos desse ambiente? E o rio? E as consequências disso tudo? Dá para recuperar?"
Samuel Basilio Costa. de Esplendor - Minas Gerais nos enviou esse pequeno vídeo em que milhares de peixes aparecem mortos pela água, completamente contaminada pelos dejetos das barragens de rejeitos industriais da mineradora Samarco, na ultima quinta-feira (05/11), entre os municípios de Ouro Preto e Mariana.

Rio Doce, Minas Gerais.



Se considerarmos a Ecologia Política e a Geopolítica veremos que esse é um problema da ordem econômica capitalista, que explora a natureza e os seres humanos sem compromisso algum com a humanidade e o meio ambiente. então vejam essa imagem e confirme o processo de privatização que também atravessa os financiamentos privados de campanhas, dos partidos das elites dominantes. 


Fonte: 
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,barragem-de-rejeitos-se-rompe-em-minas-gerais,10000001248

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Entrevista de Belarmino Mariano ao Programa Pra Você



Por Michele Marques e Belarmino Mariano

No ultimo dia 11 de novembro, a Radialista e comunicadora Michele Marques fez uma entrevista com o prof. Belarmino Mariano Neto, pré-candidato a prefeito de Guarabira pelo PSOL - Partido Socialismo e Liberdade.
Ele tratou entre outras questões sobre os rumos do partido nas eleições municipais de 2016 e apresentou alguns cenários da disputa entre as diferentes candidaturas que estão apontando para o próximo ano, além de avaliar o quadro político em que as velhas forças oligárquicas locais tentam se manter no poder a todo custo.

Maior desastre ecológico de Minas Gerais - Quanto vale a vida e a natureza?

Rio Doce, Minas Gerais.

Por Sérgio Elias e Chico Alencar

Mariana, MG: como descansar diante da morte de um rio - o rio Doce - um dos rios mais lindos do Brasil? Essa segunda imagem é o resultado 



QUANTO VALE A NOSSA VIDA?

A presidente do Ibama, Marilene Ramos, anunciou ontem (quarta) à noite que multará a mineradora Samarco/Vale/BHP. A princípio serão duas multas, cada uma de R$ 50 milhões: uma por perda de biodiversidade e outra por lançamento de dejetos nos rios. O valor pode ser superior, bem como podem ser mais de duas multas.

Multa é o básico. O mínimo do mínimo. E o valor (100 milhões) é muito pouco. É pouco porque dinheiro nenhum vale uma vida. Dinheiro nenhum trará de volta as pessoas e animais que morreram. Dinheiro nenhum vai recuperar, a curto-médio prazo, as perdas ambientais (especialistas falam em no mínimo 100 anos). Ao que tudo indica, teve até espécies que entraram em extinção. Não foi acidente. Não foi desastre. Foi desrespeito. Foi irresponsabilidade. Foi crime.

Precisamos rediscutir o Código da Mineração - não como está sendo feito atualmente no Congresso, mas para criar regras mais rígidas e tornar a atividade independente de conglomerados internacionais. Vale a pena explorar as minas de minério com um risco como esse?


Fonte:

https://www.facebook.com/chicoalencar/photos/a.220261591409433.36789.184693888299537/744979122271008/?type=3&fref=nf

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1117700628247747&set=a.982330678451410.1073741826.100000234617460&type=3&fref=nf

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O QUE É ECOLOGIA PROFUNDA?


Por: Coletivo Gaia Parahyba 
A natureza, cuja evolução é eterna, possui valor em si mesma, independentemente da utilidade econômica que tem para o ser humano que vive nela. Esta ideia central define a chamada ecologia profunda – cuja influência é hoje cada vez maior – e expressa a percepção prática de que o homem é parte inseparável, física, psicológica e espiritualmente, do ambiente em que vive.
Na nova era global, milhões de pessoas voltam a perceber que o sentimento de comunhão com a natureza é um dos mais elevados de que o ser humano é capaz, e fonte de grande felicidade. Não é coisa do passado ou um costume do tempo das cavernas. Ao contrário, deverá marcar as civilizações do futuro. Em qualquer tempo histórico, o convívio direto com a natureza foi e será um fator decisivo para o bem-estar físico e psicológico do ser humano.
A expressão ecologia profunda foi criada durante a década de 1970 pelo filósofo norueguês Arne Naess, em oposição ao que ele chama de "ecologia superficial" – isto é, a visão convencional segundo a qual o meio ambiente deve ser preservado apenas por causa da sua importância para o ser humano.
Ao nível superficial, o homem coloca-se como centro do mundo e quer preservar os rios, o oceano, as florestas e o solo porque são instrumentos do seu próprio bem-estar. Quando olha para o meio ambiente com esta preocupação, o homem só enxerga os seus próprios interesses, já que, inconscientemente, se considera a coisa mais importante que há no universo. Olha a árvore e vê madeira. Olha o solo e vê o potencial agrícola ou a possível exploração de minérios. Olha o rio e vê um curso d’água navegável por barcos de determinado porte. Ele sabe que deve preservar os chamados recursos naturais, porque são preciosos. A natureza para ele é um grande cofre, abarrotado de riquezas renováveis, mas que deve ser cuidadosamente preservado. Daí a necessidade de autoridades ambientais atuantes e uma boa legislação que preserve o meio ambiente.
Este nível da consciência ecológica tem importância, porque faz com que os seres humanos questionem seu comportamento econômico e comecem a perceber mais claramente que a ética, afinal, dá bons resultados. A postura mais primitiva, de mera pilhagem, vem sendo deixada de lado em grande parte da economia. As políticas públicas de meio ambiente têm reforçado até hoje prioritariamente este primeiro nível, claramente insuficiente, de consciência ambiental. A multa, a repressão, a aplicação da legislação ambiental e a fiscalização seriam instrumentos muito úteis a curto prazo, se no Brasil a política nacional de meio ambiente não tivesse sido tão persistentemente esvaziada.
Mas as boas notícias são mais fortes que as más. Uma nova consciência empresarial já repensa o conjunto das atividades econômicas a partir da meta de administrar sabiamente, a longo prazo, os recursos naturais. As gerações mais recentes de empresários e executivos trazem consigo uma forte consciência ambiental. Sua atitude é compatível com a descrição holista do universo e com a ecologia profunda. Progresso econômico e bem-estar material deixam de ser inimigos da preservação ambiental ou da busca espiritual. As novas tecnologias permitem aumentar a produção, ao mesmo tempo que se diminui, radicalmente, o impacto ambiental. O verdadeiro progresso econômico – surge agora um consenso em torno disso – deve ser socialmente justo e ecologicamente sustentável. As medidas convencionais e de curto prazo para a preservação ambiental combatem os efeitos da devastação e pressionam pela gradual adaptação das atividades econômicas às leis da natureza. Mas a ecologia profunda dá um sentido maior às estratégias convencionais de preservação. Atacando as causas ocultas da devastação, projeta e estimula o surgimento de uma nova civilização culturalmente solidária, politicamente participativa e ecologicamente consciente.
Em última instância, as causas da destruição ambiental são o individualismo ingênuo, o sentimento de cobiça material sem freios e a ilusão de que o ser humano está separado do meio ambiente, podendo agir sobre ele sem sofrer as conseqüências do que faz. Ter isto claro é importante. No entanto, não basta uma percepção teórica deste dilema ético. Além de compreender intelectualmente o princípio da unidade ecológica de tudo o que há, é oportuno vivenciar e deixar-se inspirar pelo sentimento da comunhão com a natureza. Deste modo, aprende-se a colocar cada um dos processos econômicos e sociais a serviço da vida, já que é absurdo pretender inverter o processo e colocar a vida a serviço deles.
Não há, pois, oposição real entre a ecologia convencional ou de curto prazo e a ecologia profunda ou mística. São dois níveis diferentes de consciência. Ambos são indispensáveis, e são mutuamente inspiradores. Foi em meados da década de 1980 que diversos pensadores – Warwick Fox, Henryk Skolimowski e Edward Goldsmith, além do próprio Arne Naess – começaram a produzir textos variados a partir do ponto de vista da ecologia profunda. A nova física e a nova biologia, com Fritjof Capra, Gregory Bateson, Rupert Sheldrake, David Bohm, e também os trabalhos científicos de James Lovelock e Humberto Maturana, entre outros, deram legitimidade científica à ecologia profunda. Em sua vertente religiosa, esta corrente de pensamento tem ampla base de apoio na tradição mística de todas as grandes religiões da humanidade. São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia, está longe de ser uma figura isolada.
Cauteloso, Arne Naess recusou-se a criar um sistema racionalmente coerente – um circuito fechado de idéias – capaz de limitar o conceito de ecologia profunda, e manteve-o como uma idéia aberta segundo a qual a variedade da vida é um bem em si mesma. Para Naess, esta ecologia surge do reconhecimento interior da nossa unidade com a natureza. O fato nem sempre requer explicações e muitas vezes não pode ser descrito com palavras. Mas a ação freqüentemente mostra com clareza o que é ecologia profunda.
Em certa ocasião, um rio da Noruega foi condenado à destruição para que fosse construída uma grande hidrelétrica. As margens do curso d’água seriam inundadas para que se fizesse o lago da barragem. Um nativo do povo Sami recusou-se, então, a sair do lugar. Quando, finalmente, foi preso por desobediência e retirado dali à força, ele não teve opção. Mais tarde a polícia perguntou-lhe por que se recusara a sair do rio. Sua resposta foi lacônica:
"Este rio faz parte de mim mesmo".
O indígena estava certo. O meio ambiente faz, realmente, parte de nós mesmos. São dele o ar que respiramos e a água que compõe 70 por cento do nosso corpo físico. Dele vêm os nutrientes que renovam a cada instante as nossas células. Esta unidade dinâmica não está limitada ao plano material da vida, mas também é psicológica e espiritual, mesmo que alguns de nós não tenham plena consciência disso.
(Texto extraído da introdução do livro "A Vida Secreta da Natureza" de Carlos Cardoso Aveline).

domingo, 4 de outubro de 2015

Inscrições para Mestrado em Formação de Professores



Por: Belarmino Mariano Neto -

Estão abertas até o dia 30 de outubro as inscrições para o Mestrado em Formação de Professores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O público-alvo do curso são portadores de diplomas em cursos de licenciaturas, habilitados e/ou atuando na Educação Básica.
Os interessados em participar da seleção devem efetuar inscrição através do link: https://edna.uepb.edu.br/scapg/index.php, com posterior entrega da documentação na sede do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores, no Centro de Integração Acadêmica, localizado na Rua Domitila Cabral, S/N, Câmpus de Bodocongó, nos dias 3 e 4 de novembro, das 8h às 11h e das 14h às 17h.

sábado, 3 de outubro de 2015

Guarabira sem Osmar, por Antonio do Amaral


Artigo postado na integrada do Portal Nordeste.1

  

osmardeaquino
Osmar de Aquino: “Guarabira ou Paris). Foto: Reprodução Internet

Publicado há 20 anos, por ocasião dos 15 anos de falecimento do grande tribuno, advogado, deputado federal e ex-prefeito de Guarabira, o Dr. Antonio do Amaral escreveu um artigo para homenagear o ilustre guarabirense. Osmar foi deputado constituinte em 1945.
Contemporâneo  de Osmar, o ex-prefeito, professor da UEPB e agora Juiz de Direito, Antonio do Amaral nos fez reverenciar esse grande brasileiro.
Oito de maio de 1980, há quinze anos passados Guarabira, a Paraíba, o Nordeste e o Brasil, perdiam OSMAR DE ARAUJO AQUINO, que convalescida num leito do Hospital Santa Isabel, na Capital deste Estado.
Trinta e cinco anos passado, desde o lúgubre maio de 1980, o Nordeste1 brinda seu autores com essa crônica tão linda, viva e consistente.
Eis o texto.
Guarabira sem Osmar
O anúncio do seu inacreditável falecimento consternou a todos quantos tiveram conhecimento dessa infausta notícia.
Murchava um lírio branco nos jardins flóridos desta encantadora cidade.
O dinamismo de sua ação associada à sua extraordinária e exemplar personalidade, motivou um comentário anônimo de que demoraria décadas, para que outra mulher pudesse dar à luz, a um ser tão encantador, como era OSMAR.
Humanista que no seu quotidiano, buscava a interligação da teoria à prática.
Advogado brilhante que em suas teses jurídicas, desenvolvidas ardorosamente em defesa dos seus constituintes, pouca importância dava aos honorários advocatícios, custeando inúmeras vezes as despesas com o processo, além dos gastos com os próprios interessados.
Político apaixonado pelos problemas sociais norteava a aproximação do topo da Pirâmide Social em relação às suas bases, com o objetivo de diminuir o fosso entre os que são abastados, com os desgarrados da sorte.
Jornalista percuciente sempre reservou o seu talento intelectual, em defesa dos problemas cujas dimensões motivavam a polêmica em todos os seguimentos, chamando a atenção das classes privilegiadas, sobre a exclusão da grande massa de desassistidos, sem acesso quer aos meios de produção, quer ao capital.
Orador incomparável em suas perorações elevou o ser humano e registrou verdadeiras pérolas, na limpidez do seu penetrante pensamento, voltado para uma dialética tão convincente, que normalmente levava os seus admiradores a um verdadeiro êxtase.
Se alguém ousasse conceituar OSMAR, poder-se-ia denominá-lo de um pan-homem, voltado exclusivamente para o profundo amor que nunca deixou de dedicar aos seus semelhantes, até mesmo em condições as mais adversas.
Inesquecível fora à sua volta a este torrão, quando em instantes de indescritível inspiração, nos idos de 1964 sentenciara:    “Volto ao teu seio, terra estremecida das minhas angústias, das minhas alegrias e dos meus sonhos”.
Os caminhos palmilhados por OSMAR, procurando incansavelmente o soerguimento dos seus irmãos, faz-nos lembrar os versos Cassiano Ricardo, quando diz, referindo a outra personalidade: “Quem morreu não foi ele/ foram as coisas, que deixaram de ser vistas pelos seus olhos”.
Sua ausência é lembrada e faz falta aos nossos contemporâneos.
Não é demais dizer que Osmar pertence à categoria dos gigantes da pátria, carregando-a nos ombros e não permitindo que ela desapareça.
A visão do seu alvorecer em que o homem se firme na plenitude dos seus sonhos, ficou registrado quando afirmara: “… e mesmo dentro da noite de opressão, nós te damos as mãos dentro da escuridão, haveremos de gritar ‘chaplinianamente’ para os descrentes e aflitos: calma, os pássaros cantarão amanhã”.
A máxima Brecheteana de que os homens imprescindíveis, são aqueles que trabalham toda a vida e a vida toda, encontra ressonância quando OSMAR, certa vez e em razão de uma enfermidade que lhe abatera dissera: “Doutor Geraldo (Camilo) mantém, ainda, tiranicamente, em semi-repouso”.
Oxalá, por paradoxal que possa parecer, a presença de OSMAR, neste tributo de saudade, inspire a busca da verdade, emergindo o a amor à gleba natal, para vê-la grande de respeitada, onde os fariseus proliferam, os aventureiros dominam o povo pobre, que a tudo assiste sem saber reagir, nem como reagir e possam dos canteiros dessa fenomenal Guarabira, florir o quanto antes, milhões de lírios brancos.
Antonio do Amaral, Juiz de Direito e ex-prefeito de Guarabira.
Fonte: http://www.nordeste1.com/

Porta Avião doa EUA atingido por Míssil Iraniano no Golfo Pérsico

.  Por Diego González vis Blaut Ulian Junior  🇮🇷🔥🇺🇸‼️A Verdade Material rompeu a barreira da negação do Pentágono. O que an...