terça-feira, 7 de abril de 2015

Geografia e banalidade do discurso ambiental


Por: Belarmino Mariano Neto

Início, meio e fim. Estou aqui diante de três coisas. Tendo que começar a dizer sobre um tema que vem se tornando cada vez mais banal no meio de um verdadeiro bombardeio de informações sobre a importância de preservar a natureza e muito preocupado com o fim de tudo isso, pois enquanto as pessoas falam ou discutem o meio ambiente, muitos estão com o cigarro aceso ou acabaram de jogar o papel do bombom pela janela (MARIANO NETO, 2001).
A partir de agora, centralizarei meu texto nos elementos da informação ambiental como uma das marcas do atual estágio de globalidade pela qual passa e vive o humano em seu presente. A ideia é relacionar a linguagem como elemento envolvente dos sistemas de informações e da própria ciência que até certo ponto se torna refém do discurso e da representação.
Fonte da imagem: www.radioaustralia.net.au
A informação ambiental como banalidade do discurso é uma tentativa de conectar os limiares da pós-modernidade com a informação, seus veículos em rede e todo o emaranhado de contradições do presente.
Vivemos o paradoxo da pós-modernidade em que a linguagem, a informação ou o discurso ocupam o centro da ciência. A linguagem é a ponte na criação das relações. A teia com os outros mundos e o espaço do dizer e da produção cultural. A informação passou a ser o elemento de maior importância para o mundo contemporâneo. Um mundo visual que produz a consciência da sensibilidade, o conhecimento dos primórdios e do essencialismo e as imagens construídas pela vida de cada pessoa.
A linguagem constrói ciência, (des)constrói o censo de verdade ou de realidade alimentando ideias e utopias. A linguagem cria condições, quebra fronteiras e desafia a constante ideia de ponto final. A capacidade cultural e tecnológica de dizer, de falar, de escrever, de informar e de estabelecer conexões intervencionando a lógica do tempo e do espaço, abrindo portas para a tele distância na arte da ideia do humano como sendo um programa de palavras ditas, não ditas e por dizer.
Se a espécie humana ainda precisa de uma alavanca para modificar o mundo. Modificar, não. Para salvar o mundo, ela já reencontrou. Essa ferramenta, usada e demonstrada com competência pelos cinco mil jornalistas que fizeram a cobertura da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, em Johannesburgo, na África do Sul, tem um novo nome: informação ambiental (FIRMINO, Hiram. p. 06, 2002).
A grande questão é: até que ponto a totalidade da informação ambiental tem surtido algum efeito real nas atitudes humanas, em seus Estados, governos, sociedades e empresas? Sem sombra de dúvidas, a informação ambiental foi totalmente democratizada. Internet, televisão, vídeos, rádios, revistas, jornais, folhetos, etc.
São produzidos diariamente com temas que estão relacionados com o meio ambiente e sua preservação. Já somos mais de 6,8 bilhões de seres humanos, e de um jeito ou do outro nos chega a informação ambiental.
Mas, até que ponto, nós nos importamos com estas questões a ponto de mudarmos de atitudes? É claro que a consciência não se faz num dia, mas no dia da consciência de cada uma destas são questões relevantes para o momento pelo qual passa a humanidade.
Estou percebendo que o problema não é de (cons)ciência – conhecimento. A questão maior é que existe uma poluição informacional em todos os sentidos. A massificação da informação ambiental é acompanhada de uma massificação ainda maior do consumismo.
Ao lado de uma informação do tipo defenda a natureza, temos dez informações sobre compre, compre, compre, consuma, consuma, consuma, compre, consuma, compre, consuma, compre. A sociedade de mercado monopolista e de consumismo a qualquer preço já descobriu as marcas ecológicas, que geralmente também são dez vezes mais caras. Já temos nos SUPERMERCADOS seções inteiras de produtos ecologicamente corretos: café ecológico, açúcar de demerara e mascavo, açúcar orgânico claro, arroz integral e ecológico, verduras orgânicas e sem agrotóxicos, etc. Estas marcas disputam espaço com os ligths, dietéticos, transgênicos, enlatados, estabilizados, e todas as "marcas envenenadas e turbinadas" do mercado tecnológico dos alimentos.
Firmino (2002) acha que, se continuarmos pensando globalmente, mas não fizermos nada localmente, enquanto indivíduos, cidadãos e nação, o fim não será surpresa. A situação do planeta é de alto risco, mas às práticas da superprodução capitalista despreocupadas com os efeitos sobre o meio ambiente nos deixam perplexos, impotentes e alienados de qualquer ação efetiva contra este estado e velocidade destrutiva.
O pior é que as informações ambientais não estão sensibilizando efetivamente a grande maioria das pessoas. Salve a natureza ou a si próprio é algo banalizado em meios aos outros tipos de apelos bombardeados pelo mercado. "Beba coca-cola e salve a natureza ou salve a natureza e será salvo" não estar fazendo muita diferença mesmo. Ninguém acredita, mas acaba tomando coca-cola e esquecendo de salvar a natureza.
Fonte da Imagem: qkantton.wordpress.com
A aparente ação de muitas empresas é de que estão investindo em defesa do meio ambiente, principalmente empresas com elevado nível de poluição.
Fazendo uma meia culpa. Mas no geral continuam com suas atividades a todo vapor. Ou seja, não basta um programa paliativo. O que precisamos é de uma radical mudança de atitudes. Uma sociedade ecológica, uma humanidade ecológica precisa ser em todos os sentidos.
A exploração abusiva dos recursos naturais nos coloca diante de uma natureza fúnebre. A natureza como ambiente dos lugares estragados, a natureza como um depósito de lixo a céu aberto.
A informação ambiental é uma prática que começa a ser especializada pela mídia a partir da reunião do Clube de Roma, anos 70, primeiro passo para a percepção de que os recursos naturais não são renováveis, e que a exploração desenfreada dos recursos renováveis coloca em risco a vida na Terra. Desse encontro tira-se o documento que aponta para o Crescimento Zero.
Onde os países ricos alertando o mundo para os problemas ambientais globais, causados pela sociedade urbano-industrial e crescente dinâmica demográfica dos países subdesenvolvidos, colocam em risco o desenvolvimento econômico e o meio ambiente, especialmente para as nações com dependência tecnológica e atraso econômico que propagam "o desenvolvimento a qualquer custo" (BRODHAG, 1997, p. 49).
Em 1972, a Organização das Nações Unidas – ONU convocou a Conferência de Estocolmo (Suécia), que marcou a mundialização das questões ecológicas. (SENE & MOREIRA, J. C. 1998, p. 407) Nessa "Declaração do Ambiente", são perpassados os primeiros acordes para as preocupações com o desenvolvimento sustentável, com um forte apelo aos direitos fundamentais do homem - vida, liberdade e igualdade de condições em um ambiente racionalmente protegido, onde o desenvolvimento deve ser planejado pelo Estado no sentido de melhorar o ambiente em benefício das populações; fazer uma gestão dos recursos no sentido preservar e melhorar o ambiente, assegurando às gerações atuais e vindouras uma melhor qualidade de vida. Foram aprovados 26 princípios gerais e pouca ação por parte dos diferentes países. O importante é que Estocolmo marcou a visão ecológica global, tendo sido, de fato, uma conferência de caráter planetário.
Na sequência, chegamos à Rio 92, Conferência Internacional da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, com a presença de 106 chefes de Estados ou representantes e mais de 35 mil pessoas. Este encontro resultou na "Agenda 21", com quarenta capítulos, 800 páginas, muitas sugestões e poucos compromissos firmes. Pois este documento não fixou os objetivos, estimativas, custos, nem modalidades. Estamos diante dos fios invisíveis que manipulam as contradições de uma política ecológica mundial (FREIRE, 1992, p.27).
Fonte da imagem: Antes que vire lixo - gaiabrasil.com.br
As ONGs e outros se contrapuseram ao encontro patrocinado pela ONU, mas o que prevaleceu foram as decisões do G-7 (o grupo dos sete países mais ricos) e suas instituições financeiras. Os crimes ecológicos e o modelo de desenvolvimento continuam, apesar do compromisso das nações em gradualmente diminuir tais crimes (BRODHAG, 1997, p.61). O desperdício da sociedade de consumo forma esse novo caldo de cultura, que não é total, mas fragmentado nos indivíduos de cada canto do mundo como em um processo sem fim. Incorporadores de valores, rugosidades, sentidos e ritmos do existir.
Do dia 26 de agosto a 04 de setembro de 2002, em Joanesburgo, na África do Sul, foi realizada a Rio + 10. Uma Reunião da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Reuniu mais de 160 chefes de estados, 45 mil delegados e 7 mil ONG’s representantes de 185 países. Em nível de representação internacional, essa foi sem dúvidas a maior conferencia mundial sobre o tema.
Se a Rio 92 nos deixou claro que a natureza é finita, limitada e que funciona dentro de um sistema interdependente e que precisa do princípio do equilíbrio, perguntamos o que de fato os governos, empresas e sociedade civil fizeram para reverter a velocidade de suas práticas econômicas antiecológicas? Estamos diante de uma década da Rio-92. Naquele período vários ecologistas já apontavam para esta situação de descaso com o meio ambiente.
Roberto Freire (1992) divulgou um manifesto intitulado a FARSA ECOLÓGICA. A ECO-92, encontro paralelo ao Rio-92, foi fortemente criticado como divisionismo de radicais. Hoje a gente entende porque a Rio+10 foi um fracasso frustrante. Não só a Rio+10. Tivemos o Protocolo de Kyoto, o Fórum social mundial realizado na África do Sul, a ameaça Norte AMERICANA de guerra aos iraquianos e o descompromisso do Governo Bush e dos seus colaboradores em relação ao meio ambiente. Estes elementos históricos parecem distantes, mas na atualidade, os governos dos países desenvolvidos continuam seguindo o mesmo receituário contra ambiental de a dua década.
Para o Greenpeace, o Rio + 10 pode ter sido a 2ª chance. Será que teremos uma terceira, quarta, quinta chance? Com esse capitalismo turbinado, os impactos locais, regionais, nacionais e globais já estão totalmente sistematizados. O pequeno Rio de minha cidade estar cheio de pneus pirellefarestone, garrafas pet de coca-cola, latas de óleo da Texaco, Shell e todas as grandes marcas, mundiais.
O Rio de 1992 encontra-se mais poluído, mais violento, mais pobre. Em 2016 teremos os Jogos Olímpicos e o Rio de Janeiro será sede. Entre as exigências oficiais, um grande trabalho ambiental para limpeza da Baia da Guanabara. Efetivamente, não acontecerá como previsto.
A África de 2002, em especial Joanesburgo, não mudou muito a sua situação ambiental. O Rio+10 é a pura constatação de que a agenda 21 foi mais gasto de papel, energia e utopias de um mundo ambientalmente viável, socialmente justo e economicamente sustentável. Reflexo disso é a grave crise ambiental vivida no continente africano, onde epidemias e doenças graves como o ebola assolam grandes áreas do continente.
Fonte da imagem - Natureza morta - moblog.whmsoft.net
Para concluir esse quase manifesto deixo aqui registrado a denúncia, de que no Brasil já existe uma nova indústria parecida com aquela da seca. É a "Indústria Ambiental". Os recursos para salvar os rios, as florestas, os animais, começam a aparecer nas placas dos governos e até empresas privadas, mas o ambiente continua degradado. Entidades estão sendo criadas para defender o meio ambiente, muitos são escritórios para carrear recursos para fins ilícitos. Essa pode ser uma visão pessimista, mas só vejo uma saída: a transformação dessa sociedade capitalista e consumista por uma sociedade ecológica autogestionária. O que chamo de Socialismo Comunitário Ecológico. Ou quebramos essa lógica de destruição socioambiental capitalista ou não teremos futuro ecológico.

Referências:
BOOKCHIN,Murray. Por uma ecologia Social. Rio de Janeiro: Utopia, nº. 04, 1991.
BRODHAG, Christian. As quatro verdades sobre o planeta. Por uma outra civilização. Lisboa: Instituto Piaget, 1997.
CASTELLS, Manuel. O Poder da identidade. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
FIRMINO, Hiram. A Ecologia do Sapo. In.: JB Ecológico. Rio de Janeiro, nº. 08, 21/12/2002.
FREIRE, Roberto. A Farsa Ecológica. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1992.
LEVI, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000.
MARIANO NETO, Belarmino. Ecologia e Imaginário – Memória Cultura, Natureza e Submundialização. Joao Pessoa/PB: Editora da UFPB, 2001.
SENE, Eustáquio de, & MOREIRA, J. Carlos. Geografia Geral e do Brasil: Espaço Geográfico e Globalização. São Paulo: Scipione, 2002.
SILVA, T. Tadeu da, HARAWAY, Donna & KUNZRU, Hari. Antropologia do Ciborgue – as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

domingo, 22 de março de 2015

Resenha Geográfica - Kant, o kantismo e a Geografia...

Resenha Geográfica -
Fonte da imagem: Site da editora: http://www.editoraappris.com.br/, 2015.

KANT, KANTISMO E A GEOGRAFIA -Histórias, Percalços e Possibilidades Investigativas (Org.) - VITTE, Antônio Carlos, Editora Appris: Curitiba/PR, 2014.


Resenhado por: Belarmino Mariano Neto

Esta seção de Resenhas geográficas serve como base para divulgarmos livros relevantes, seja de um autor ou organizado por professores da área de Geografia. Temos uma boa variedade de livros que tratam diretamente da evolução do pensamento geográfico, mas na atualidade e entre os geógrafos brasileiros, vale destacar o trabalho do professor VITTE, Antonio Carlos, do Departamento de Geografia da Unicamp. Ele conseguiu reunir importantes trabalhos de pesquisadores em diferentes universidades brasileiras.
O fino desta obra é o aprofundamento de um autor que era visto preferencialmente como um dos mais marcantes filósofos da modernidade. Pouco era tratado em suas obras acerca da relação de Kant com os princípios elementares que deram origem a geografia cientifica. Então Vitte conseguiu reunir autores que tratam diretamente dessa relação, Kant e a geografia. O livro já facilmente comprado através do site da Editora Appris: http://www.editoraappris.com.br/produto/4291073/Kant-o-Kantismo-e-a-Geografia-Historias-Percalcos-e-Possibilidades-Investigativas . O livro não fica muito caro, pois custa em média R$: 58 reais, com um frete de aproximadamente R$: 10 reais.

O Livro e seus autores:

O livro foi estruturado em oito capítulos, resultado de diferentes pesquisas, em nível de iniciação científica, programas de pós-graduação em geografia entre outros estudos. O Capitulo 1, de responsabilidade do próprio organizador, trata sobre a Filosofia e Geografia em Kant, onde o autor foca no principio da causualidade em Kant, buscando fazer uma arqueologia da natureza, chegando as ideias de Kant sobre geografia Física e Geografia Humana.
O Capitulo 2 ficou na responsabilidade de RIBAS, Alexandre Domingues, em que ele trabalhou com os conceitos de Espaço em Kant. O autor consegue responder pela ideia de espaço na gestação da ciência moderna e apresenta uma analise crítica  das noções de espaço entre os séculos XVI e , XVII e XVIII.
O Capítulo 3 foi construído SLVEIRA, Roberison Wittgeinstein Dias – O autor apresenta elementos da Filosofia crítica de Kant para a edificação das ciências da natureza. Nesse trabalho podemos ver importantes argumentos sobre a ideia de uma ciência da natureza independente, daí, talvez as bases para uma geografia física.
O Capítulo 4 foi produzido por um amigo de longas datas, o geografo e produtor cultural, SOBREIRA, Antonio Elísio Garcia em coautoria com SPÓSITO, Eliseu Savério. Nele os autores apresentam um ensaio ou uma busca do método cientifico em Kant. É um artigo de reflexão, que os leitores caminham na direção de algumas possibilidades metodológicas, tendo em Kant a linha e a agulha para essa tecedura.
O Capitulo 5 apresenta uma novidade em relação aos vários trabalhos sobre Immanuel Kant. Aqui SENHORAS, Elói Martins, nos convida para uma leitura sobre a ideia de geopolítica ambiental nas relações internacionais a partir do pensamento  kantista. A ideia principal foi fazer uma relação entre a geopolítica clássica, e geopolítica internacional e uma ecopolítica ou geopolítica ambiental.
A partir do capitulo 6, começamos a observar que o livro ultrapassa o pensamento kantista puro e são estabelecidas algumas  outras linhas de conhecimentos de autores que foram influenciados por Kant, estiveram em fronteiras diferentes ou o influenciaram em suas buscas científicas. Neste capitulo BRANDÃO, Eduardo, nos coloca diante da ideia de ciência, natureza e filosofia em Schopenhauer. Neste capítulo, iremos encontrar um fervoroso debate entre as ideias de  Kant e algumas visões opostas defendidas por Schopenhauer. Vale a pena a leitura de uma filosofia que transita de maneira crítica as ideias e fundamentos do pensamento de Kant e a interlocução com as diferentes escolas de pensamento filosófico da época.
Como já anunciamos no capitulo anterior, o Capitulo 7, escrito por RICOTTA, Lúcia, nos leva para o pensamento do geografo alemão HUMBOLDT, Alexandre Von. Aqui ele considerou alguns argumentos sobre a ideia de natureza na perspectiva da estética romântica até chegarmos as formulações efetivamente cientificas.
O Capítulo 8, escrito por BAUAB, Fabricio Pedrosa, voltou-se para os pensamentos do geografo holandês VARENIUS, Bernhardus e sua geografia geral para vermos até que ponto esse pensamento influencia na ideia de espaço em Kant. Podemos dizer que vale a pena conhecermos um pouco desse importante período, que vai entre o começo e meados do século XVII, principalmente com os grandes avanços coloniais da Holanda e com os dados trazidos no novo munda, uma crise do pensamento medieval.

Este é com certeza o livro que apresenta boas novas para o pensamento geografia, considerando sua direta relação com o pensamento filosófico Kant. Considerando que Immanuel Kant, passou mais de quarenta anos, lecionando geografia física para sua cátedra de filosófica, assim, temos que ele foi um grande influenciador do pensamento geográfico. Esta é uma sugestão de leitura obrigatória para todos os estudantes, professores e pesquisadores da geografia, em qualquer uma de suas tendências. Então, uma boa leitura.

terça-feira, 3 de março de 2015

Memorial das Ligas Camponesas: 90 anos de Elisabeth Texeira


Comemoração dos 90 anos de Elizabeth Teixeira


João Stédile (líder nacional do MST): A espoliação dos camponeses tem raízes desde o período colonial.
Agassiz Almeida: Viver é o constante encontro e desencontro com os homens e as circunstâncias.
Luiz Couto: O latifúndio fez do Brasil capitanias hereditárias.




             Organizado pelo Memorial das Ligas Camponesas de Sapé, e com apoio de universidades, sindicatos, entidades defensoras dos direitos humanos, realizou-se em Barra de Antas, Sapé, Paraíba, há poucos dias, evento comemorativo pelo transcurso dos 90 anos da líder camponesa Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira, assassinado em abril de 1962.
Vindos das mais variadas regiões do Nordeste, camponeses e líderes sindicais se deslocaram a fim de homenagear Elizabeth Teixeira, símbolo da luta pela reforma agrária no país. Personagens históricos das lutas camponesas estiveram presentes, entre eles, João Stédile, líder nacional do MST, deputado federal Luiz Couto, ex-deputado federal constituinte Agassiz Almeida, deputado Frei Anastácio, Edival Cajá e Anacleto Julião.
As comemorações iniciaram-se com o coral da UFPB cantando, sob a batuta do maestro Geraldo Menucci, o hino das Ligas Camponesas, com letra de Francisco Julião, acompanhado pela Orquestra Santa Cecília, de Sapé.
Antônio Alberto Pereira, um dos coordenadores do evento e professor na UFPB disse: Neste momento, vamos demonstrar a nossa gratidão por todos os que lutaram pela reforma agrária.
Oradores marcados por suas lutas em defesa dos camponeses e dos direitos humanos discursaram. João Stédile disse: A luta pela reforma agrária teve nas ligas camponesas lições de coerência e resistência, tão bem personificadas em João Pedro Teixeira, Pedro Fazendeiro, Francisco Julião, Nego Fuba e Elizabeth Teixeira.
Luiz Couto, usando da palavra, acentuou: Desde o período colonial que o latifúndio fez verdadeiros feudos, através de ocupações de vastas extensões de terra. A nossa luta simbolizada em Elizabeth Teixeira é contra a opressão que esmaga os camponeses do país.
O deputado Frei Anastácio, um vigilante lutador pelos camponeses, ressaltou: Desde os meus anos de mocidade estou incorporado nas lutas dos camponeses. Elizabeth Teixeira, como tantos outros vultos que marcaram a nossa recente história, dentre eles Dom Helder Câmara, Dom José Maria Pires, Gregório Bezerra, Agassiz Almeida, Francisco Julião, João Pedro Teixeira e Pedro Fazendeiro deixaram os seus exemplos de dedicação à causa camponesa, e recentemente este imbatível lutador João Stédile.
Encerrando, discursou o ex-deputado federal constituinte Agassiz Almeida: Companheira Elizabeth Teixeira, em nome dos resistentes e sofridos camponeses, ofereço esta lembrança emoldurada em madeira do Cristo Crucificado. Dele se irradia a luz da verdade para a consciência dos justos e dos homens que labutam nos campos.
Sob esta visão temos abraçado a causa que possibilita aos camponeses o imperativo direito de um pedaço de terra para trabalhar.
Desde o final da década de 1950, como deputado estadual, assumi a causa da luta pela reforma agrária. No trágico 2 de abril de 1952, as garras do latifúndio assassinaram João Pedro Teixeira; no dia seguinte, requeri CPI a fim de apurar os mandantes e executores do traiçoeiro crime. O golpe militar de 64 libertou e escancarou o poder aos covardes homicidas do imolado líder pela causa agrária, João Pedro Teixeira.

Neste momento, valente Elizabeth Teixeira, os teus anos se confraternizam com o hoje e o passado e bradam: marchemos para o futuro sem temer quaisquer desafios

*advertência da fonte original: Texto produzido e enviado por JBS/Diná Santana.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Programa de Curso: Geografia Política e Geopolítica

Universidade Estadual da Paraíba – UEPB
Centro de Humanidades (Guarabira)
Departamento de História e Geografia
Prof. Dr. Belarmino Mariano Neto

Fonte: mundorama.net 


Carga horária de 60 horas aulas
  
Ementa: Teoria e linguagens geográficas relativas à geopolítica e a geografia política. Teoria do conflito, do poder, da segurança, da nação e do nacionalismo. A geopolítica enquanto campo da ideologia. Geopolítica, imperialismo internacional e disputas territoriais. Os geógrafos universitários e espectro da geopolítica. “Geopolítica como a geografia das forças maiores”. Estado Nação e Globalização. Geopolítica, regionalização e disputas territoriais. Os conflitos do mundo, questões e visões geopolíticas. A geopolítica na América Latina e no Brasil. Os atuais conflitos internacionais e o papel da ONU.

Objetivo Geral: Compreender os fundamentos teóricos da geopolítica, considerando os conflitos mundiais e os poderes ideológicos das potencias internacionais.

Objetivos Específicos: Apresentar as principais categorias e princípios geográficos relativos a geopolítica; Estudar a geopolítica na perspectiva dos usos e abusos do poder; fazer estudos de casos sobre a geopolítica em escala regional; Refletir sobre geopolítica, nacionalismo e conflitos internacionais. Identificar as questões geopolíticas no contexto latino-americano.

Metodologia:  Análise crítica do tema a partir do Materialismo Histórico e Dialético (MHD). Orientação e acompanhamento de leituras, debates, seminários, aulas expositivas dialogadas; oficina experimental de projetos de pesquisa e produção de textos/artigos.

Avaliação: sistema contínuo com participação direta, presencial e produção intelectual apresentada de forma escrita ou oral, contextualizada e exposta ao debate/crítico.




Conteúdo Programático

1.     A construção do Pensamento geográfico na perspectiva geopolítica: Correntes de pensamentos, fundamentos teóricos e ideologias relativas a geopolítica.

2.     A Geografia Política e Geopolítica: Origens e pressupostos da geografia da geopolítica, ideologias geográficas e teorias do poder, conflito e violência política. Nacionalismo e formações dos estados nacionais.

3.     Geografia universitária, geopolítica e conflitos do mundo: Os geógrafos universitários e espectro geopolítico; geopolítica e guerras; relações internacionais e conflitos regionais; panorama do mundo pós Guerra-Fria; Oriente Médio; Leste europeu e disputas territoriais.

4.     Geografia e geopolítica da América Latina: Violência políticas, repressão e geopolítica nas Américas; Estados Unidos e geopolítica da América Latina; O Brasil no contexto das potencias regionais.

Bibliografia:

ANDRADE, Manoel Correia de. Geografia Ciência da Sociedade: uma introdução à análise do pensamento geográfico. São Paulo: Atlas, 1992.
ANDRADE, Manoel Correia de. Imperialismo e fragmentação do espaço. São Paulo: Contexto 1988.
ANDRADE, Manuel Correia. A questão do território no Brasil. São Paulo: Hucitec; Recife: IPESPE, 1995.
ARBEX, José. Nacionalismo. O desafio à nova ordem pós-socialismo. São Paulo: Scipione, 1997.
BRENER, Jayme. Leste Europeu – a revolução democrática. São Paulo: Atual, 1990.
BRENER, Jayme. Tragédia na Iugoslávia – Guerra e nacionalismo no Leste europeu. São Paulo: Atual, 1993.
CABRAL, Antônio. A terceira Guerra Mundial. São Paulo: Moderna, 1992.
CHIAVENATO, Julio J. Geopolítica, arma do fascismo. São Paulo: Global, 1981.
COSTA, Paulo S. M.; VLACH, V. R. Brasil: Geopolítica da Expansão territorial, poder perceptível e consolidação do território. Bogota/Colômbia: 110 EGAL, 2007.
COSTA, Paulo S. M.; VLACH, V. R. Brasil: Geopolítica da ocupação efetiva, poder perceptível e dinâmica territorial atual. Bogota/Colômbia: 110 EGAL, 2007.
COSTA, Haesbaert Rogério da. O Mito da Desterritorialização – do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
CUNHA, Luís Henrique. Manejo comunitário de recursos Naturais na Amazônia: arranjos institucionais e mediação externa. (Tese). Belém/PA: UFPA/NAEA - Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, 2002.
_______. Da “tragédia dos comuns” à ecologia política: perspectivas analíticas para o manejo comunitário dos recursos naturais. Campina Grande: UFCG/PPGS – Raízes – revista de Ciências sociais e econômicas. Vol. 23, nº. 01 e 02 – jan dez de 2004.
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FAÇANHA, A. C.; C. FILHO, J. I. ; SANTOS, R. W. P. A Geopolítica da Soja nos Cerrados piauienses. Bogota/Colômbia: 110 EGAL, 2007.
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KARNAL, Leandro. Oriente Médio. São Paulo: Scipione, 1994.
KROPOTKIN. O Estado e seu papel histórico. São Paulo: Imaginário/ Nu-sol/PUC-SP, 2000.
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OLIVEIRA, E. M. S.; JESUS, E. M. emancipação política: uma estratégia para o desenvolvimento local? Fortaleza-CE: XXIV EREGENE, 2007.
LACOSTE, Yves. Geografia do Subdesenvolvimento. São Paulo; Difel, 1985.
LACOSTE, Yves. A Geografia – isso serve, em primeiro lugar para fazer a guerra. São Paulo: Papirus, 1985.
MARCONDES FILHO, Ciro. Violência Política. São Paulo: Moderna, 1990.
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MARX, Karl. Manuscritos Econômicos e Filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001.
MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política; Livro primeiro: O processo de produção do capital. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1985.
MENDONZA, Guadalupe Galindo; SERVIN, Carlos Contreras. Geopolítica de Sustentácion o falta de competitividad econômica: La débâcle del sector cañero-azucarero mexicano em El marco da lãs políticas neoliberales y el TLCAN. Bogota/Colômbia: 110 EGAL, 2007.
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MORAES, Antonio Carlos Robert. Ideologias Geográficas. São Paulo: Hucitec, 1996.
MORAES, Antonio Carlos Robert Geografia Pequena História Crítica. São Paulo: Hucitec, 1991.
MOREIRA, Ruy. A crise paradigmática do mundo moderno. Rio de Janeiro: Obra Aberta, 1993.
MOREIRA, Ruy. O que é Geografia. São Paulo: editora brasiliense, 1985.
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OLIVA, Jaime e GIANSANTI, Roberto. Espaço e Modernidade – temas de geografia mundial. São Paulo: Atual, 1995.
RIBEIRO, Wagner Costa. Relações internacionais – cenários para o século XXI. São Paulo: Scipione, 2000.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal. RJ/SP: Record, 2001.
RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de Maria Cecília França. São Paulo: Ática, 1993.
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SCALZARETTO, Reginaldo; VICENTINO, Claudio. Cenário Mundial – a nova ordem internacional. São Paulo: Scipione, 1992.
SANTOS, Milton e SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil – território e sociedade no início de século XXI. São Paulo e Rio de Janeiro: Record, 2001.
SANTOS, M.; SOUZA, M. A. A. de; SILVEIRA, M. L. (org.). Território: globalização e fragmentação. São Paulo: Hucitec; Annablumme, 2002.
SILVA, Raquel Morais; LIMA, L. C.; SANTOS, E. O. A REESTRUTURAÇÃO DO TERRITÓRIO CEARENSE NA ÚLTIMA DÉCADA DO SÉCULO XX. Fortaleza-CE: XXIV EREGENE, 2007.
SOUSA SANTOS, Boaventura de. Pela Mão de Alice – o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 2001.

SOUZA, Marcelo José Lopes de. O território: sobre espaço e poder. Autonomia e desenvolvimento. In: CASTRO, I. E. de; GOMES, P. C. da C.; CORRÊA, R. L. (Orgs.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Programa de Teoria da Geografia

Universidade Estadual da Paraíba – UEPB
Centro de Humanidades (Guarabira)
Departamento de  Geografia
Coordenação de Geografia
Prof. Dr. Belarmino Mariano Neto belogeo@yahoo.com.br 

Disciplina: Teoria da Geografia
Carga horária de 60 horas aulas – Turma: 2015.1 e 2015.1 (Tarde e Noite)

Fonte da imagem: www.ediouro.com.br 

PROGRAMA DE CURSO

Ementa: Teoria e linguagens geográficas, A geografia enquanto ciência, ramos da geografia, campos de estudo, categorias geográficas, princípios geográficos, evolução do conhecimento geográfico, correntes de pensamento e teóricos, o pensamento geográfico no Brasil.

Objetivo Geral: Compreender os fundamentos teóricos e escolas de pensamento geográfico, considerando a evolução da ciência geográfica.

Objetivos Específicos: Apresentar as principais categorias e princípios geográficos; Expor as principais correntes de pensamento geográfico e suas fundamentações teóricas; Demonstrar as diferentes possibilidades metodológicas para a construção de uma pesquisa geográfica; Discutir técnicas, problemas e objetos que justifiquem a escolha de uma metodologia de pesquisa geográfica.

Metodologia: Orientação e acompanhamento de leituras, debates, seminários, aulas expositivas dialogadas; oficina experimental de projetos de pesquisa e produção de textos/artigos.
Avaliação: sistema contínuo com participação direta, presencial e produção intelectual apresentada de forma escrita ou oral, contextualizada e exposta ao debate/crítico.

Conteúdo Programático

1. A construção do Pensamento geográfico: Correntes de pensamentos, fundamentos teóricos e ideologias geográficas; Crise paradigmática do mundo moderno e perspectivas para a pesquisa geográfica; princípios e categorias geográficas.
2. A Geografia enquanto Ciência da Sociedade: Origens e pressupostos da geografia, ideologias geográficas, herança filosófica, os fundadores e as renovações do pensamento geográfico.
3. Geografia: Espaço, Tempo, Sociedade e Natureza. Os movimentos de renovação da geografia e a geografia crítica.
4. Geografia: lugar, paisagem, território, região cultura e ambiente. Princípios, correntes e ideologias da ciência geográfica contemporânea.
Bibliografia:
AMORIM, filho, O. B. Reflexões sobre as tendências teórico-metodológicas da Geografia. Belo Horizonte, ICHS, UFMG, 1978.
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz. Preconceito contra a origem geográfica de lugar – as fronteiras da discórdia. São Paulo: Cortez, 2007.
ANDRADE, Manoel Correia de. Geografia Ciência da Sociedade: uma introdução à análise do pensamento geográfico. São Paulo: Atlas, 1992.
ANDRADE, Manoel Correia de. (Org.) Élisée Reclus: Geografia. São Paulo: Ática, 1985.
ALVES, Giovanni; MARTINEZ, Vinício (Orgs.). Dialética do Ciberespaço – trabalho, tecnologia e política no capitalismo global. Bauru/SP: Editora Praxis (Document Arminda), 2002.
ASSOCIAÇÃO DOS GEOGRAFOS BRASILEIROS. Geografia, Território e Tecnologia. São Paulo: Terra Livre, nº 9, 1º semestre 1992.
ASSOCIAÇÃO DOS GEOGRAFOS BRASILEIROS. Geografia espaço & memória. São Paulo: Terra Livre, nº 10, 1º semestre 1994.
ASSOCIAÇÃO DOS GEOGRAFOS BRASILEIROS. Paradigmas da Geografia (Parte I). São Paulo: Terra Livre, nº 16, 1º semestre 2001.
ASSOCIAÇÃO DOS GEOGRAFOS BRASILEIROS. Paradigmas da Geografia (Parte II). São Paulo: Terra Livre, nº 17, 2º semestre 2001.
CARNEIRO, Sandra de Sá; SANT´ANNA, M. J. G. (Orgs.). Cidade: olhares e trajetórias. Rio de Janeiro: Garamond universitária, 2009.
CASTRO, Iná E. GOMES, Paulo C. C. e CORRÊIA, R. L. (Org.). Explorações Geográficas. São Paulo: Bertrand Brasil, 1997.
CASTRO, Iná E. GOMES.& MIRANDA, Mariana. EGLERE, Cláudio A. G. (Org.). Redescobrindo o Brasil: 500 anos depois. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
CASTRO, Iná Elias de. Geografia e política: território, escala de ação e instituições. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
CHRISTOFOLETTI, Antônio. Perspectivas da Geografia. Difel, São Paulo, 1982
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000.
CORRÊA, Roberto Lobato. Região e organização espacial. 2 ed. São Paulo, Ática, 1987.
CORRÊA, Roberto Lobato. Trajetórias geográficas. Rio de Janeiro/RJ: Bertrand Brasil, 2005.
DANTAS, Aldo. Pierre Monbeig – um marco da geografia brasileira. Porto Alegre/RS: Editora Sulina, 2005.
DOLFUSS, Oliviar. O espaço geográfico. Difel, São Paulo, 1978.
FERNANDES, Manoel. Aula de Geografia. Campina Grande-PB: Bagagem, 2003.
FILHO, Ciro Marcondes. Sociedade Tecnológica. São Paulo: Scipione, 1994.
HARTSHORNE, Richard. Propósitos e natureza da Geografia. Hicitec, São Paulo, 1978.
KROPOTKIN, Piort. O Estado e seu papel histórico. São Paulo: Imaginário/ Nu-sol/PUC-SP, 2000.
KROPOTKIN, Piort. Teoria e Método (Seleção de Textos Por José William Vesentini). São Paulo: Boletim da AGB 13, 1986.
LACOSTE, Yves. Geografia do Subdesenvolvimento. São Paulo; Difel, 1985.
LACOSTE, Yves.A Geografia – isso serve, em primeiro lugar para fazer a guerra. São Paulo: Papirus, 1985.
LÉVY, Pierre. A inteligência Coletiva – por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 2000.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: editora 34, 2000.
MACIEL, Caio Augusto Amorim (Org.). Entre Geografia e Geosofia – abordagens culturais do espaço. Recife/PE: Editora da UFPE, 2009.
MARIANO NETO, Belarmino. Ecologia e Imaginário: memória cultural, natureza e submundialização. João Pessoa: UFPB/Universitária, 2001.
MARIANO NETO, Belarmino. Geografia: Textos, contextos e pretextos para o planejamento ambiental. Guarabira: Gráfica São Paulo, UEPB, 2003.
MARIANO NETO, Belarmino; ARRUDA, Luciene Vieira (Orgs.). Geografia e Território – Planejamento urbano, rural e ambiental. João Pessoa: Ideia, 2010.
MARIANO NETO, Belarmino. http://observatoriodoagreste.blogspot.com – artigos, dissertações e teses, vários anos.
MORAES, Antonio Carlos Robert. Ideologias Geográficas. São Paulo: Hulcitec, 1996.
MORAES, Antonio Carlos Robert Geografia Pequena História Crítica. São Paulo: Hucitec, 1991.
MOREIRA, Emília, TARGINO, Ivan. Capítulos de Geografia Agrária da Paraíba. In ____ Os movimentos sociais no campo e as conquistas da classe trabalhadora. João Pessoa: Editora Universitária/UEPB, 1997, p. 279 – 331.
MOREIRA, Ruy. O Circulo e a Espiral: A crise paradigmática do mundo moderno. Rio de Janeiro: Obra Aberta, 1993.
MOREIRA, Ruy. O que é Geografia. São Paulo: editora brasiliense, 1985.
NOGUEIRA, Alexandre Peixoto Faria (2009), O Anarquismo como Método de Análise Geográfica: uma breve reflexão epistemológica. Disponible en http://observatoriogeograficoamericalatina.org.mx/egal12/Teoriaymetodo/Teoricos/12.pdf
OLIVA, Jaime e GIANSANTI, Roberto. Espaço e Modernidade – temas de geografia mundial. São Paulo: Atual, 1995.
QUAINI, Massimo. A construção da geografia humana. Rio de Janeiro: Terra e paz,1992.
RYBCZYUNSKI, Witold. Vidas nas Cidades – expectativas urbanas no novo mundo. Rio de Janeiro e São Paulo: Record, 1995.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice – o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 2001.
SANTOS, Milton. Por uma geografia nova. São Paulo: Hucitec, 1986.
SANTOS, Milton. As Metamorfoses do Espaço Habitado. São Paulo: Hucitec, 1994.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal. RJ/SP: Record, 2001.
SANTOS, Milton. Da totalidade ao Lugar. São Paulo: edusp, 2008.
SAQUET, Marcos Aurélio. Por uma geografia das territorialidades e das temporalidades – uma concepção multidimensional voltada para a cooperação e para o desenvolvimento territorial. São Paulo: Editora Outras Expressões, 2011.
SODRÉ, Nelson Wernack. Introdução à Geografia. Vozes, Rio de Janeiro, 1977.
TERRA BRASILIS. Geografia e Pensamento Social  Brasileiro. Rio de Janeiro: Grupo de Trabalho de História do Pensamento Geográfico no Brasil, Ano I,  nº 2, Jul/Dez. 2000.
TERRA BRASILIS. Dossiê América Latina. Rio de Janeiro: Grupo de Trabalho de História do Pensamento Geográfico no Brasil, Ano II,nº 3, 2001.
VITTE, Antonio Carlos (Org.). Contribuições à História e à Epistemologia da Geografia. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.
WANDERLEY, Maria Nazaré Baudel (Org.). Globalização e desenvolvimento sustentável: dinâmicas sociais rurais no Nordeste brasileiro. São Paulo/Campinas: Editora Polis, 2004.






sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Geografia Cultural, Lunário Perpétuo e chuvas de janeiro

Por Belarmino Mariano Neto

Fonte da Imagem: www.todocoleccion.net - 550 × 413Pesquisar por imagens - LUNARIO PERPETUO DE S. CALLEJA MUY ANTIGUO 


UM DIA DE MUITA CHUVA. Hoje é dia dois de janeiro de 2015, aqui no Agreste paraibano, Nordeste brasileiro. Estamos aos pés da Serra da Borborema, uma depressão sublitorânea, com escarpas serranas que variam entre 200 a 550 metros de altitudes. Em pleno verão brasileiro. Distante em aproximadamente uns 100 quilômetros da costa litorânea atlântica, de onde esperamos os ventos alísios equatoriais e do sudeste, trazendo um pouco de umidade para essas serras do planalto da Borborema.


Fotos: Imagens da chuva em Guarabira, 02/01/2015. Belarmino Mariano.
Sou um observador das fisionomias da natureza nessa região, em especial quando se trata de tempo e de mudanças repentinas na paisagem. Estamos em prolongado período de estiagens, muita seca durante todo o ano de 2014, que já vinha de um ano de 2013, não muito chuvoso. Ao Final de dezembro tivemos um lampejos de água em Guarabira, choveu bem menos que o esperado, mas qualquer gota de água nessa época do ano nos animas, pois temos chuvas para mangas, cajás e cajus. Essas chuvas também animam os camponeses locais, pois ficam contando as chuvas em dias.


Sempre que posso converso com os agricultores e quando me deparo com os mais velhos, pergunto sobre o "Lunário Perpétuo". Por aqui só os muito velhos lembram que seus bisavós tinham um livrinho velho desses, escondido a sete chaves.
De uma coisa eu sei, restou muito pouco de alguns conhecimentos tradicionais culturas antigas lusitanas. Como diz Alceu Valença "das coisas do arco da velha". Em meus anos de pesquisa ainda não tive a oportunidade de encontrar um lunário perpétuo aqui na Região de Guarabira. Será um achado de grande valia histórica para confirmar o "paradigma indiciário" de que essa foi uma região fortemente influenciada pela cultura do além mar, de homens, bois, ovelhas e cabras. Homens que singrando esses rios do vale do Mamanguape, do vale do Curimataú e do Vale do Camaratuba, tenham implantado aqui uma cultura, cujos conhecimentos, em muito estavam escritas no lunário perpétuo.
Vale ressaltar que aqui, esse livrinho tenha que ter sido adaptado, pois os conhecimentos cósmicos e almanáquicos, contidos no lunário obrigatoriamente, eram constituídos com base na observação dos astros, do sol, da lua e dos dias das terras ibéricas. Claro que a base universal contida em suas páginas davam o rumo, apontavam o norte dos conhecimentos tradicionais, trazidos das terras de Portugal.
Segundo um velho aqui do Curimataú paraibano, conhecido por Venâncio da Costa, aos idos dos seus 84 anos de idade, dizia que seu bisavó falava que, quando chove durantes os oito primeiros dias de janeiro, terremos um bom inverno em nossa região. Faz uns dez anos que ouvi essa história ali pelas bandas da Pedra da Boca, já nos limites com o Rio Grande do Norte, nas terras de Araruna. todo inicio de janeiro ficou a escutar os rumos da natureza local.

Fotos: Imagens da chuva em Guarabira, 02/01/2015. Belarmino Mariano.
Vi nesse período de observações que, em nenhum desses anos choveu de maneira intercalada durante os oitos primeiros dias do ano. Mas esse ano, já observei que no dia primeiro caiu um lampejos de água e em especial, no dia dois, choveu bastante por aqui nas terras de Guarabira. No quintal de minha casa o dia amanheceu assim. Chuva durante toda a madrugada, já passando do meio dia e ainda continua chovendo. A gente fica querendo aquela canção de Jorge Ben Jor:  "chove chuva, chove sem parar..."



 Agora ficamos a pensar em Rachel de Queiroz e seu mais significativo romance regionalista, intitulado o 15, referindo-se a grande seca de 1915, tendo como foco o Sertão cearense, mas que se universalizou como ideia de todo os sertões nordestino e mineiro. Desde 2013 que lembro da aproximação desse  ano de 2015, como um ciclo longo ou secular nos fenômenos da natureza. meus pensamentos se desdobram na direção da grande escassez de água vivida até recentemente no Estado de São Paulo, claro que mais especificamente na Grande São Paulo. Aqui no Nordeste, vivemos um ano de 2014, com grandes perdas de rebanhos, com uma agricultural quase que completamente estagnada por quase todo o ano.
Aqui no Agreste, perdemos cultivos e rebanhos. A escassez de água só não foi maior por causas de ações emergenciais tanto do governo estadual (Ricardo Coutinho), quanto do governo federal (Dilma Rousseff).

Foto: pitangueira em fruto, 01/01/2015, Belarmino Mariano
Em minhas viagens em especial para o curimataú e para o cariri, fiquei abismado com tanta seca. Na medida em que me dirigia para Campina Grande, fiquei assustado em contar exatos 57 caminhões pipas, saindo da região do Brejo para as cidades mais secas da região, isso em uma manhã, com apenas uma hora de viagem até Campina Grande. Maior cidade da Borborema, abastecida pelo segundo maior açude paraibano o Boqueirão, que chegou a 17% da sua capacidade hídrica.
Posso dizer que o dia de hoje me enche de esperanças, me faz lembrar do Lunário Perpétuo, me encheu os olhos com essa chuva persistente, com uma saída ao meio da rua e fazendo um radial concêntrico, ver o céu cinza em todos os 360 graus da abobada celeste. Esperar que chova durante os oito primeiros dias de janeiro, me faz mostrar a segunda pitanga, em minha pequena pitangueira. Essa foi colhida no dia primeiro de janeiro, ainda espero comer mutias pitangas.

Estas observações nos chamam para um aprofundamento em estudos geográficos acerca das nossas tradições culturais em fenômenos naturais como chuvas e estiagens. Se em 1930 Rachel de Queiroz escreveu a saga da seca, fico a relembrar meu velho pai Mariano Belarmino, que aos setenta anos de idade, nos contava que na seca de 1915 ele era menino com dois anos de idade, mas, na medida em que foi crescendo, sempre ouvia dizer que seus antepassados passaram muita fome e sede, nessa época. A seca era tanta que nada conseguia ficar em pé, morria tudo, o verde só se via em cacos de vidros cintilando ao sol. Meu pai dizia que sobreviveram comendo cactos, comendo calangos, carne de jumento seca, batata de umbuzeiro, casca de pau, entre outras iguarias que apresentasse alguma seiva viva.

Fonte: http://antonionobrega.com.br/discografia/

Podemos dizer que hoje os tempos são outros, que o mundo esta conectado e se falta em uma região, teremos de outras, entre outros argumentos da globalização que faz certo sentido. Mas a água aqui pertinho da gente é uma senda de confiança em um ano mais verde para todos.
Sobre o Lunário Perpétuo muitas são as versões, muitos são os significados e queremos encontrar aqui na nossa região, algo sobre tão antigo e oculto livro de conhecimentos tradicionais. E para esses dias de janeiro, que chova ao som de  Antônio Nobrega.



Esperamos que o Nordeste brasileiro em meio as chuvas de verão, faça sua festa de Reis, faça a sua festa de São Sebastião e que até 19 de março (dia de São José) a gente possa ter chuva e fartura para as festas juninas, como nos velhos tempo. O desafio será recuperamos as nossas nascentes, as nossas matas ciliares e os renascer dos nossos olhos de água. Assim, o medo da seca de 1915, tantas décadas repetidas, não acontecerá em 2015. Deus seja louvado!


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