domingo, 6 de novembro de 2016

Um ano de morte do Rio Doce/MG

Fonte: Imagens extraída das redes sociais - google imagens 2016.


Por: Belarmino Mariano Neto

O Rio Doce, Minas Gerais e Espirito Santos em um ano de luto. O rio Doce em seu Leito de Morte, continua escorrendo dia e noite, os poluentes do estouro da barragem de rejeitos minerais da Samarco/Vale do Rio Doce (05/11/2015/2016). Essas multinacionais parece que estão imunes. Esse é o melhor país do mundo para o neoliberalismo e as multinacionais explorarem.
Estamos diante do maior crime ambiental em nosso país. Alguns meios de comunicação tentam falar de desastre ambiental, como se tivesse acontecido algo que não era previsível e assim tentam encobrir esse crime anunciado. Até o momento quase nada foi feito, as empresas envolvidas como Samarco/Rio Doce, escamoteiam a realidade e escapam impunes de quase todos os processos e responsabilidades criminais. Tudo isso aconteceu e até agora nenhum preso, ninguém sabe os exatos crimes, pois até os reparos materiais são feitos na maior lentidão do Planeta.
Diante da cegueira jurídica e da lentidão na resolução do problema e na real responsabilidade criminal da empresa, o rio continua agonizante, com sua água constantemente contaminada. o rio em seu leito de morte, perece cadavérico e os criminosos continuam soutos e poluindo seu leito. 
A morte do rio  Doce é uma confirmação de centenas de ambientalistas, mais de 200 especies de peixes, entre eles: robalo, tucunaré, surubim, lambari, cascudo, além das centenas de outras especies que adentravam nas áreas de marés, vindas do Oceano Atlântico e que foram afastados depois da contaminação. Foram milhares de toneladas de peixes mortos, além de tartarugas, crustáceos, aves e outros animais,  que se alimentavam de peixes.
A destruição da vida ao longo do Rio Doce é um crime e deveria levar os responsáveis para a  prisão e sem direito a fianças. Mas imunes os responsáveis pela Samarco/Rio Doce passam impunes e imunes por uma justiça e um governo cegos, para as ações devastadoras do grande capital.
O grupo indígena Krenak já havia denunciado que essa seria uma tragédia para acontecer, pois sentiam o quanto a contaminação já vinha atingido a bacia de onde eles tiravam boa parte do seu sustento. Ao lado dos indígenas, centenas de comunidades de pescadores e camponeses foram profundamente atingidas pela contaminação da água e pela destruição dos cardumes e especies que eram fundamentais para a manutenção das famílias e para o comércio local e regional.  Para esses povos, "essa tragédia jamais será esquecida".
A bióloga Takako Watanabe fez as seguintes indagações: "Não é só a raça humana que sofreu com esse desastre! Falam de 20 pessoas mortas e alguns ainda desaparecidos, mas e os milhares de seres que foram exterminados? Os peixes podemos até ver, mas e os demais seres vivos desse ambiente? E o rio? E as consequências disso tudo? Dá para recuperar?"
As imagens são muito fortes. Um destruição irreparável, terror e morte. Empresas que só pensam em lucro e continuam impunes, como se nada tivesse acontecido:



Fonte: Imagens extraída das redes sociais - google imagens 2016.
Fonte: Imagens extraída das redes sociais - google imagens 2016.

O "brazil" que foi entregue as multinacionais pela privatização de FHC, agora sofre as consequências ambientais da exploração sem controles. Esse é o modelo de exploração predatória utilizado pelo perverso sistema capitalista selvagem. Lucro, lucro, lucro. Em nome do capital, os governos de Collor a FHC privatizaram importantes estatais que extraem minério em Minas Gerais, Pará e outras regiões. Todas passaram para as mãos de empresas multinacionais, como a Vale do Rio Doce e suas associadas. O pior é sabermos que esse era um mal anunciado. As pessoas, os animais e a natureza pouco importam para essa gana capitalista. 
Se considerarmos a Ecologia Política e a Geopolítica veremos que esse é um problema da ordem econômica capitalista, que explora a natureza e os seres humanos sem compromisso algum com a humanidade e o meio ambiente. 
Então confirmem que o processo de privatização da era FHC também atravessa os financiamentos privados de campanhas, dos partidos das elites dominantes. Empresas Privadas e Estatais que serviam e ainda servem como a origem dos caixas dois de campanhas milionárias. O "Petrolão", a "Lava-Jato", o "Mensalão Mineiro" e tantos outros escândalos de corrupção demonstram que os favorecidos estão no poder e atravessam todos os meios para encobrir seus crimes e os crimes dos seus comparsas. 


Fontes:

http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2015/11/noticias/cidades/3915239-duzentas-especies-de-peixes-do-rio-doce-ameacadas-pela-lama.html
http://tragedianunciada.mabnacional.org.br/2016/02/02/indigenas-da-aldeia-krenak-lamentam-a-morte-do-rio-doce/

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