sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

MDA disponibiliza 474 mil reais para Secretaria de Educação do Estado

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) disponibilizará recursos do PROINF (Programa de Infra-Estrutura e Serviços Territoriais) para que as secretarias estaduais de educação possam equipar melhor as cozinhas das escolas. O estado da Paraíba será contemplado com R$473,98 mil reais.
Os recursos serão destinados para compra de equipamentos como geladeira, freezer, fogão, panela e liquidificador para atender as escolas da rede pública estadual, localizadas nos Territórios Rurais. A prioridade para ter acesso ao recurso é dada para as escolas que já adquirem produtos da agricultura familiar, depois as escolas localizadas nos municípios que fazem parte dos territórios do Plano Brasil Sem Miséria, e em seguida as demais escolas dos Territórios Rurais.

O SAGRADO E O PROFANO DAS FESTAS DE PADROEIROS/AS NO TERRITÓRIO DA ARQUIDIOCESE DE GUARABIRA-PB


Érica Gomes da Costa Mariano (UEPB/CH – Aluna da Especialização em Geografia e Território) ericagcosta@yahoo.com.br
Belarmino Mariano Neto (Prof. Dr. UEPB/CH) belogeo@yahoo.com.br


                                                 Foto: Altar da Igreja de Pilões/PB, Érica Gomes, 2010
 RESUMO

A pesquisa em Geografia Cultural aponta para importantes caminhos de valorização da cultura e da identidade local a partir de valores e tradições construídas e percebidas pela sociedade em seu processo histórico. O objetivo com esta pesquisa é analisar a constituição territorial da arquidiocese de Guarabira/PB a partir das tradicionais festas de padroeiros/as, em que se emaranham o profano e o sagrado. A escolha por este estudo partiu do rico e secular patrimônio religioso da região, representado por uma forte influência do catolicismo, territorializado por fortes rituais de fé nos santos e/ou santas escolhidos/as como padroeiros locais. Ano após ano as procissões e festas fortalecem a cultura e a identidade que enlaçam as comunidades locais na perspectiva tanto do sagrado, quanto do profano.

Palavras-Chave: Sagrado, Católico, Profano

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ordem dos Advogados do Brasil premiará os cursos de Direito da UEPB com o “Selo OAB” de qualidade

Qui, 24 de Novembro de 2011 16:57
O conceito 4, em uma escala que vai de 0 a 5, no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade 2009), somado a uma média de 40% de aprovação nos últimos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), faz  do curso de Direito da Universidade Estadual da Paraíba um dos melhores entre as universidades públicas  e privadas do País.  Para celebrar esse bom momento do curso, que é oferecido nos câmpus de Campina Grande e Guarabira, a OAB concederá a Instituição um selo de recomendação. O “Selo OAB” foi uma forma encontrada pela Ordem para aferir a qualidade do curso de graduação oferecida pelas Instituições de Ensino Superior (IES).
Serão contemplados com o “Selo OAB” 90 cursos, dos 791 avaliados. A lista das universidades que receberão essa recomendação da Ordem dos Advogados foi divulgada na última quarta-feira (23). A seleção levou em conta o desempenho dos estudantes nos últimos três exames da Ordem e o conceito obtido pelo curso no último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, realizado em 2009.
O Diretor do Centro de Humanidades (CH) da UEPB, em Guarabira, Belarmino Mariano, atribui a conquista aos investimentos no que diz respeito a projetos de pesquisa e extensão, ao empenho da reitora Marlene Alves Souza Luna na qualificação do quadro docente, aos alunos e as melhorias na infraestrutura do CH.
“O curso de Direito em Guarabira, vive pequenas e grandes revoluções internas. Dois importantes congressos, a Especialização em Direitos Fundamentais e Democracia, o Centro de Referência em Direitos Humanos, a contratação de professores visitantes qualificados e principalmente o comprometimento dos discentes com as atividades de extensão e sua integração com a comunidade, faz com que o nosso aluno saia da sala de aula e acorde para uma nova perspectiva de envolvimento com uma pós-graduação. Todo esse contexto reflete essa conquista”, ressaltou Belarmino Mariano.
De acordo com o diretor do Centro Acadêmico (CA) do curso, em Campina Grande, Vinícius Leão, a recomendação da OAB é recebida como um reconhecimento ao trabalho e estudos de alunos e docentes oriundos dos departamentos de Direito da UEPB, com atividades acadêmicas, a exemplo do Encontro Regional dos Estudantes de Direito e o Seminário Internacional de Análises Criminais, bem como a participação em congressos, pesquisas e a produção de periódicos científicos como a Dataveni@ e a Barriguda.


Andreza Albuquerque

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Memória viva e morta - homenagem as vitimas da Ditadura

 

De 22 a 25 deste mês, os vereadores de Sapé, Mari e Guarabira prestarão homenagens aos ex-deputados Agassiz e Francisco Julião, este último in memoriam.
Os eventos se associam ao projeto nacional de memória histórica e resgate de personalidades que se destacaram na luta e resistência à Ditadura Militar de 64, ao qual estão integradas entidades e órgãos de defesa dos direitos humanos, como a OAB, a ABI, a CNBB, o Grupo Tortura Nunca Mais e o Centro de Referência dos Direitos Humanos.
As homenagens se iniciam por Sapé, às 19h30 do dia 22, por iniciativa do presidente da Câmara, Walter Filho. No dia seguinte, em Mari, no mesmo horário, será a vez da Câmara de Mari, em que apresentou a propositura a presidente Vânia Monteiro. Em Guarabira, onde o vereador Beto Meireles é o autor das homenagens, a sessão especial na Câmara Municipal ocorrerá no dia 25, às 19h30.
Com decisões deste teor, as câmaras de vereadores resgatam ao reconhecimento público nomes emblemáticos da nossa contemporânea história, no momento em que o país acaba de criar a Comissão Nacional da Verdade destinada a revolver um passado de tirania que asfixiou a  nação por 21 anos.
Francisco Julião e Agassiz Almeida, com o desfecho do Golpe Militar, foram presos e perderam os seus mandatos de deputado e amargaram longo exílio.
Há cerca de 50 anos, Agassiz Almeida (Paraíba) e Francisco Julião (Pernambuco), jovens deputados à época, defendiam  a reforma agrária através das Ligas Camponesas, e apontavam ao país os verdadeiros responsáveis pelas mortes de líderes camponeses,  entre os quais João Pedro Teixeira, Pedro Inácio de Araújo, (Pedro Fazendeiro), e João Alfredo.
Foi Francisco Julião quem mobilizou a primeira greve de camponeses na história do país, em 1960.
Em 1962, Agassiz Almeida requereu à  Assembléia Legislativa da Paraíba a constituição de uma CPI, Comissão  Parlamentar de Inquérito, para apurar os responsáveis pelo assassinato de João Pedro Teixeira, e também apontou os criminosos desta tipologia  delinquente,  o assassinato e desaparecimento de Pedro Fazendeiro.

Da Editoria/Blog
Com Celio Alves

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

COMBONIANOS DO BRASIL NORDESTE REPUDIAM ATO BÁRBARO CONTRA O POVO KAIWÁ


Amigos! Amigas!

Repasso-lhes, solidário, textos relativos à carta aberta lançada pelo CIMI, bem como a manifestação de repúdio feita pelos Missionário Combonianos do Brasil Nordeste contra mais uma ação criminosa, da qual resultaram vítimas o Cacique Nísio Gomes (barbaramente executado) e feridos vários membros do acampamento Tekoha Guaiviry, da Comunidade Indígena Kaiowá Guarani (Mato Grosso do Sul).

Justiça aos Povos Indígenas!
Respeito ao direito à terra dos Povos Indígenas! 
Punição aos executores e seusmandantes!
Mensagem enviada por Alder Calado,
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em carta aberta responsabiliza a presidenta da República, Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o presidente da Funai, Márcio Meira e o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli pela chacina praticada contra a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaiviry, na manhã desta sexta-feira (18). Os 42 pistoleiros, além de matar o cacique Nisio Gomes e levar o seu corpo, balearam mais três jovens indígenas e feriram vários outros por balas de borracha. Dois estão desaparecidos e outro se encontra hospitalizado. ‘O governo da presidenta Dilma, - afirma o CIMI - é perverso e aliado aos latifundiários criminosos de Mato Grosso do Sul. Insiste em caminhar para o massacre e se encontra banhado em sangue indígena, camponês e quilombola’. Por outro lado, - continua a carta do CIMI - a Polícia Federal tampouco investiga os assassinatos dos indígenas. A Polícia Federal precisa investigar exaustivamente o crime, proteger a comunidade e apresentar os criminosos’. As comunidades acampadas no Mato Grosso do Sul estão unidas contra mais este massacre, numa demonstração de profundo compromisso e firme decisão de chegar aos territórios tradicionais. Indígenas de todo o Estado se dirigiram ao acampamento tão logo souberam do covarde ataque. Na última quarta-feira, inclusive, estiveram lá para prestar solidariedade aos Kaiowá Guarani que retomaram um pequeno pedaço de terra mesmo sob risco de ataque – o que aconteceu, mas sem maiores repercussões. ‘O Cimi, - conclui a carta - mais do que nunca, acredita que a força, beleza e espiritualidade desses povos os manterão firmes e resistentes na luta, apesar de invisíveis aos olhos de um governo que escolheu como aliados os assassinos dos índios brasileiros.


Brasília, 18 de novembro de 2011.
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)


COMBONIANOS DO BRASIL NORDESTE REPUDIAM 
ATO BÁRBARO CONTRA O POVO KAIWÁ


O Missionários Combonianos do Brasil Nordeste, de quem este blogueiro é coordenador, condenam veementemente não somente o ato vil e bárbaro cometido por 42 pistoleiros a mando de inescrupulosos contra o povo indígena Kiwá-Guarani, mas também todas aquelas instituições assim ditas públicas que em lugar de defender os desprotegidos dessa terra omitem-se criminosamente quando estes são barbaramente trucidados. Mais uma página da história desse País está sendo escrita com sangue, crime e vergonha. Justiça para os povos indígenas do Brasil! 


Missionários Combonianos Brasil Nordeste - 20 de novembro de 2012

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Da Utopia da Construção a construção do Sítio Utopia: a Agroecologia no Brejo Paraibano


Linha de pesquisa: Geografia Rural e Agrária (Meio Ambiente Rural)

Título: Da Utopia da Construção a construção do Sítio Utopia: a Agroecologia no Brejo Paraibano

Cleityane Sabino Freire (Autora) – Geografia - Departamento de Geo-História/CH/UEPB

Profº. Dr. Belarmino Mariano Neto (Orientador) -Doutor em Sociologia -Departamento de Geo-História/CH/UEPB

Profº. Ms. Carlos Antônio Belarmino Alves (Examinador)-Mestre em Educação-Departamento de Geo-História/CH/UEPB

Profª. Drª. Luciene Vieira de Arruda (Examinadora)- Doutora em Agronomia -Departamento de Geo-História/CH/UEPB





RESUMO: O estudo parte da agroecologia enquanto ciência tendo como objetivo analisar as demandas agroecológicas praticados por agricultores familiares do Brejo paraibano. Assim, foi observado o surgimento de iniciativas de desenvolvimento rural, enfocando o território e o espaço Paraibano. As discussões teóricas acerca do tema, além de caracterização da área de estudo e o espaço geográfico enquanto fomento teórico-conceitual se apoiou em diversos autores entre eles: MOREIRA (1979), PRIMAVESI (1990), SANTOS (2005), ALTIERI (2002), MARIANO NETO (2006). A metodologia de observação participante e entrevistas semi-estruturadas buscou sistematizar os enfoques agroecológicos no Brejo Paraibano e em Alagoa Nova/PB Considerou-se como norte da pesquisa à construção da “utopia ativa” e atribuiu-se ao Sítio Utopia, um elemento dessa rede de enfoque agroecológico que surgiu em 1992 na Microrregião do Brejo paraibano. Essa área é considerada o “celeiro” da agricultura paraibana, merece relevância ao apresentar como fatores contribuintes os aspectos naturais e culturais, logo é predominantemente rural e demonstra também aspectos relativos a monoculturas comerciais. O foco da pesquisa veio enquanto proposta “utópica” de observar um espaço voltado à produção ecológica, fruto dessa construção foi estruturado o Sitio Utopia. Assim, a valorização dos recursos locais, e neste sentido o desenvolvimento da agricultura ecológica apontou para o resgate das práticas tradicionais do processo produtivo, manejando, disseminando e construindo novos desenhos da agricultura ecológica no Brejo Paraibano.


Palavras–Chave: Agroecologia, Sítio Utopia, Território;

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Bolsas internacionais para os estudantes da UEPB

Informamos que a Universidade Federal da Paraíba e o Santander Universidades firmaram convênio para a implantação do Programa de Bolsas Ibero-Americanas, permitindo que estudantes da UFPB sigam para um semestre de estudos acadêmicos em universidades mexicanas parceiras. Os(as) estudantes selecionados(as) receberão uma bolsa no valor total de 3.300€ para o período de estudos. As inscrições estão abertas até 25 de setembro.

Tem quatro bolsas para Ciências Humanas e o único critério de classificação é o CRE.
Além de ter mais de 40% e menos de 80% da graduação cursada. Mais ou menos quem está entre o 4º e 6º semestre.

O edital está em anexo ou no link: www.ufpb.br/aai

“Comitê da Memória, Verdade e Justiça,”


Instalado, em Recife, o “Comitê da Memória, Verdade e Justiça,” com a presença de vultos históricos da luta contra a Ditadura Militar.
 

 “Onde se escondem os criminosos do regime militar”?







Anexina Julião, Elizabeth Teixeira, Jurandir Bezerra e Agassiz Almeida



Com a presença e representação de vultos históricos da resistência à Ditadura de 64, como Gregório Bezerra (por seu filho Jurandir Bezerra), Francisco Julião (por sua filha Anexina Julião), Elizabeth Teixeira, Abelardo da Hora, ex-deputados Agassiz Almeida e Clodomir Morais, instalou-se, há poucos dias, na av. Visconde de Suassuna 99, Boa Vista, Recife, com mobilização de várias entidades defensoras dos direitos humanos e o apoio do Ministério Público de Pernambuco, o Comitê pela Memória, Verdade e Justiça, visando articular respaldo dos amplos segmentos da sociedade para a aprovação do projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, cujo objetivo é a abertura dos arquivos da repressão militar de 1964/1985.

Obedecendo a uma ampla programação, coordenada pelo vereador Marcelo Santa Cruz e Edival Cajá, com destaque para exibição do filme Os Trinta anos da Anistia e execução do hino das Ligas Camponesas e, afinal, o momento mais alto dos trabalhos: depoimentos de personalidades da contemporânea história de resistência ao regime militar de 64, entre as quais, Elzita Santa Cruz, em nome dos mortos desaparecidos, Alexina Julião, Agassiz Almeida, Elizabeth Teixeira, Clodomir Morais, Abelardo da Hora e Jurandir Bezerra.

Esta mobilização em nível nacional para a criação de Comitês da Memória, Verdade e Justiça em vários estados do país contou, em Pernambuco, com o apoio decisivo do Ministério Público, por seu Procurador-Geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon de Barros, com formação desde as suas lides acadêmicas em defesa das liberdades democráticas. A criação desses comitês visa despertar a sociedade brasileira para o projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, que cria a Comissão Nacional da Verdade, a qual tem por finalidade a abertura dos arquivos secretos da repressão militar.

Com o auditório do Ministério Público completamente lotado, vários testemunhos foram ouvidos, destacadamente, com profunda emoção, o de Alexina Julião, que relatou o longo padecimento de seu pai pelos calabouços do regime militar e o seu exílio em vários países.

Outro depoimento pranteado com intenso sentimento de dor foi o de Elizabeth Teixeira, causando na plateia intensa emoção. Depondo, Agassiz Almeida relatou o seu desterro logo nos primeiros dias de abril de 1964 à ilha de Fernando de Noronha, onde se encontravam Miguel Arraes e Seixas Dória. Com grande impacto de indignação, Agassiz externou a sua revolta em face da conivência do Brasil com os torturadores e genocidas da ditadura militar, cuja atitude violadora das convenções internacionais mereceu da ONU e da OEA veemente condenação.

Há 32 anos, acentuou Agassiz Almeida, um congresso emasculado fez publicar, em 1979, uma lei a que deram o nome de anistia.

O que se assistiu no curso desses anos, desde a promulgação dessa caricata lei de anistia? Um desfile da impunidade satisfeita e até agressiva.

Que democracia excrescente!

Na elaboração do meu livro A Ditadura dos generais, estive em vários países: Argentina, Chile e Uruguai. Assisti a torturadores e genocidas arrastados às barras da Justiça e condenados.

Aqui, no Brasil, formou-se, pior do que a impunidade, um nicho do cinismo em que os torturadores, acobertados por certo militarismo caolho e amparados em poderes comprometidos com o que existe de mais sórdido no recente passado da nossa história, agridem o próprio Estado Democrático de Direito.

Este Comitê da Memória, Verdade e Justiça tem a História como fanal.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

“O corpo tem suas razões - Antiginástica e consciência de si” Relações com a geografia e o ambiente


Autora (Thérèse Bertherat) Por: Belarmino Mariano Neto





Nosso corpo somos nós. É nossa única realidade perceptível. Não se opõe a nossa inteligência, sentimentos, alma. Ele os inclui e dá-lhes abrigo. Por isso tomar consciência do próprio corpo é ter acesso ao ser inteiro, pois o corpo e espírito, psíquico e físico, e até força e fraqueza, representam não a dualidade do ser, mas sua unidade (BERTHERAT, 1987, p. 14).



                Somos feitos de razão e emoção que se fazem pensamento, sentimento e vontade para que possamos estar em equilíbrio e conscientes do ser. Quando uma destas forças se sobrepõe as demais, perdemos o ritmo da existência, passando a encarar contrastes de um viver desequilibrado.

                O livro de Thérése Berttherat que trata da Antiginástica e consciência de si é um grande tratado de vida e de trabalho que se misturam e dão unidade ao corpo e a alma, desafiando as palavras a contarem sobre a prática do cotidiano que se faz em cada experiência.

                Estes escritos tratam do corpo enquanto morada sagrada dos nossos dias e o bom dono da casa é aquele que consegue harmonizar todos os espaços de um corpo que sente de o simples aí de uma unha ao (des)ritimar de um coração. A autora desafia as formas tradicionais de exercícios ou ginásticas para embelezar ou dar saúde, apontando algumas formas muito mais como embrutecedoras da calma, da alma e da alegria, onde os insatisfeitos têm em seu corpo uma casa onde não se mora tão grande é a assombração com os laços de insatisfação.

                A casa enquanto habitat, o bairro, a cidade. O morar alugado e a relação destas idéias com a casa corpo, que por muito passa despercebido de suas funções e cuidados, e passo a passo vai se tornando algo rígido, prisão e prisioneiro de sentimentos de angustia, alegria, decepções, tragédias trazidas pela vida e absorvidas completamente pelos ossos, carne, sangue e nervos, para em cada personalidade um morador de uma morada aparentemente estranha.

                O livro ao mesmo tempo em que se apresenta como uma busca que rebusca a vida afetiva e profissional da autora, é um apontador de caminhos, experiências práticas e formas de como você  se tratar como um corpo que pensa, sente e fala. (Re)agindo a todo e qualquer (des)estimulo de nosso cotidiano.

                A casa no beco representa o primeiro encontro da autora com seu corpo enquanto espaço de consciência. Saindo em busca de uma casa objeto material, se deparando com a antiginastica, descobre a casa real, aquela que guarda todos os segredos de uma vida, desde nosso nascimento e absorvedora de todos os nossos sentidos. Neste primeiro momento, já temos contato com alguns exercícios para a consciência corporal.

                O corpo que se faz forte, permitindo o amor, comer, beber e se permitir é o aprofundamento de uma busca de se mesma, um encontro com a vida e as emoções a muito reprimidas pelo peso dos valores que a sociedade, sua ética, moral e posturas vão impondo-nos.

                Esta busca lhe leva a um contato com a morte. É no morrer de um ente querido como aquele que se ama, para no desequilíbrio das emoções iniciarem na solidão o possível mundo do silêncio e construção de uma fortaleza para se proteger e dar proteção.

                O mais importante neste trabalho é o trabalho coletivo e a ajuda mutua aonde os mestres vão sendo descobertos dentro de se mesmo. a exemplo da sala de música, onde existe muito espaço, mas que no decorrer do fazer-se consciência de si, se descobre ainda nem sabendo respirar direito. As descobertas precisam vim de dentro e nunca do exterior. É neste contesto que se pode repassar o que se sabe, no ato de socializar os experimentos.

                A casa mal assombrada é o contato com outros corpos que buscam se descobrir os seus erros e preconceitos.



Toda rigidez muscular contém a história e a significação de sua origem. Quando ela é dissolvida, não só a energia é liberada... mas também traz à memória própria situação infantil em que o recalque se deu (W. Richer, apud. BERTHERAT, p. 66-67, 1987.)



                Temos que os neófitos nas experiências com o corpo são um receptáculo de dúvidas, medos e fragmentação das reações emocionais reprimidas e escondidas nas entranhas, muitas vezes abandonando o trabalho e fortalecendo as doenças do se fazer completa insegurança de si.

                Uma revolução pode ser representado pelo experimentar outras experiências no despertar das sensações corporais, reprimidas e adormecidas, sem, no entanto ultrapassar os limites do físico. Um trabalho bebido a partir de Françoise Méziéres, que apontava para o terapêutico, anatomia e fisiologia, onde o patológico pode se esconder nos recantos mais estáveis de um corpo aparentemente sãs.

Fazer a revolução é não aceitar o fracasso e no desafio trabalhar até com a força da gravidade no deslocamento das massas do corpo, cabeça, barriga, costa, etc., para no fazer da auto-observação, tratar vértebra por vértebra, onde a cabeça para frente ordena o movimento cotidiano do complexo corporal. a morfologia do corpo vem diretamente de sua musculatura, mas além destes elementos, temos outras articulações a darem se bem trabalhadas um morfologia perfeita ao corpo, onde apenas as fraturas e mutilações não permitem uma recuperação completa.

                A consciência corporal nos permite exigir um equilíbrio de todas as partes do corpo, para que possamos ter uma energia capaz de alimentar sem perdas todos os recantos da casa, para na consciência do toda, a relação do corpo com o universo. Estes são os alicerces milionários, para um corpo aberto, onde a energia fluir do sol, da lua e de todo o cosmo. Onda a terra possa representar o macro, nosso corpo total representar o meso e suas partes em equilíbrio o micro em completo funcionamento, ritmados pelo tempo da natureza e todos os elos com o mundo natural. Tratados orientais demonstram o quanto isto é importante para um corpo e mente sã, onde a micro-massagem, a o trabalho com agulhas, pode levar um corpo ao seu estado de luz.

                No próprio corpo podemos encontrar todos os pontos geradores do cosmo em nosso universo corporal, um exemplo pode ser os pés e seus meridianos de relação com cada um dos nossos órgãos, onde o polegar pode percorrer todo o corpo a partir do solado dos pés.

                Por corpos aparentemente sadios podemos nos enganar completamente, pois a essência pode encontrar-se aprisionada pelo mundo das aparências, deixando o corpo e suas energias concentradas no superficial. Por tanto, o desperto do corpo é o acordar da pessoa, que sendo acolhida pela sua casa, passa a cuidar harmoniosamente da casa, sendo o bom dono da casa, falando a língua de um corpo que fala a cada ato de prazer sentido a partir das pequenas coisas.
Referência:

BERTHERAT, Thérése. O Corpo tem saus razões - Antiginástica e consciência de si. São Paulo: Martis Fontes, 1987.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Estudante Lança Campanha Virtual em Defesa da UEPB

O Estudante de pós-graduaçãoda Especialização em Direitos Fundamentais (UEPB), Assis Sousa de MOuraEx-Estudante de Letras e atualmente Doutorando em Educação pela UFPB em João Pessoa, lança a campanha virtual em defesa da UEPB em Guarabira.Todos sabemos do compromisso do Prof. Assis, com as questões educacionais. Todos os indicativos apresentados pelo mesmo são pertinentes. Como afirmou a Magnifica Reitora Marlene Alves, nas redes sociais, já existe o projeto de ampliação do CH com uma central de aulas. Esse projeto está na Pró-Reitoria de Planejamento, diretamente sendo acompanhado pelo Prof. Rangel Jr. O pró-reitor também nos informou que será feita a conclusão do anexo, já licitada e aguardando o inicio dos trabalhos, que ampliará o centro em mais seis salas. Acredito que com a não possibilidade de instalação de um campus da UFPB em Guarabira, é chegada a hora de uma auto-crítica dos nossos políticos, em especial os prefeitos, vereadores e deputados da região, no sentido de articularmos uma força tarefa para fortalecimento da UEPB em Guarabira, pois ela atende a estudantes de mais de 50 municípios das circunvizinhanças. Estamos abertos e aceitamos apoios como a ampliação da área física do campus, pois existes vários terrenos no entorno da UEPB, ocupados apenas por capim. O acesso a UEPB precisa de uma ciclovia e iluminação dos dois lados da pista, para que os estudantes da cidade possam ir de bicicleta ao campus. Precisamos de uma linha regular que pode ser de micro-ônibus em horários estratégicos que possa atender tanto aos estudantes, professores e servidores técnicos, quanto da comunidade do Conjunto Areia Branca. Por outro lado, estamos a disposição do poder público para ampliarmos os serviços educacionais em nível superior, pois como afirmou Assis, já temos reunido um excelente potencial humano academicamente preparado para estas novas mudanças.

vejam link na integra: http://brejo.com/2011/08/25/campanha-virtual-chama-atencao-para-o-campus-da-uepb-de-guarabira/#comment-644

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A construção social de uma nova agricultura (Resenha)

A construção social de uma nova agricultura 
(Resenha do livro): 
Almeida, Jolcione. rio g. do sul /rs: editora da ufrs, 1999. pp.214


 Belarmino Mariano Neto
Este é um livro que sem sombra de dúvidas aponta para preocupações sociais extremamente novas . Pensa a agricultura , não enquanto uma atividade econômica ou agronômica, mas enquanto um construção social . Sendo assim , o autor divido este trabalho em quatro capítulos :
O primeiro trata do objeto e método , apontando para a idéia de surgimento das contestações . Idéia de ação coletiva e ator social , organização ou sistema social , conflitos e reivindicações.
O segundo trata das formas , origens e os meios das ações : a busca de uma nova agricultura . Atores sociais e lutas , organizações , discursos e práticas . Agricultura alternativa e sensibilidade ecológica . Ecologia científica e agricultura orgânica . Os projetos de diversificação agrícola .
O terceiro trata das ações coletivas e a constituição social ; atores e ações ; modos de leitura do social ; leitura social e busca de identidade ; princípios da agroecologia e leitura essencialista.
O quarto trata da autonomia, estratégias e auto-organização e tecnologias alternativas, fomentadas em especial por ONG's e movimentos sociais no campo.
O autor destaca alguns sentidos para uma idéia de nova agricultura: orgânicos, biológicos, ecológicos ou, simplesmente livres de agrotóxicos. Faz uma relação entre comida (alimento) e veneno, diferenciando "produção limpa" e grande produção (café, laranja, soja) com agroquímicos. Relaciona cardápio tecnológico e custo/benefício e considera as formas alternativas de produção agrícola enfatizando sua dimensão sociológica (sentido/significado). Ainda enfatiza os movimentos sociais que buscam a superação dos agroquímicos e como alternativa propõe os agroecológicos.
Diria que aprofunda o tema dos agroecossistemas, chamando a atenção para o desencantamento do mundo moderno e o reencantamento pelo mundo natural pura e simples; solidariedade entre humanos e respeito a natureza. O paradoxo entre o mundo moderno e os agroquímicos acessados por todos os segmentos sociais e o mundo camponês acessando as práticas agroecológicas.
Como bases teóricas, ver os conflitos e contrastes sociais visíveis – universalização X globalização. Relações econômicas X fragmentação; perda de sentido e falta de respostas positivas da sociedade. Realça a questão da identidade comunitária local e comunidade coletiva internacional; os movimentos sociais que criticam o modelo dominante e apontam alternativas transitórias no sentido da agricultura sustentável.
Os limites e as ações dos grupos sociais alternativos, o conjunto das experiências e as novas formas de viver e ver os efeitos sociológicos das lutas, contestações e dos movimentos sociais no campo.
Mudanças de um modo cultural de desenvolvimento e de um sistema histórico determinado. Liberalismo/neoliberalismo – sociedade de mercado e as expressões sociais, manifestações que seguem no plano cultural e econômico.
A problemática sociológica e filosófica de desintegração da modernidade ou tipos de modernidade... Tipificação de modernidade.
Conceito de crise e espaço social em Habermas (1987). Os grupos sociais oligarquicos e os grupos sociais de ações e solidariedade. Lugar que ocupam e papel que exercem.
Produção e reprodução da vida social. ONG's, associações, comunitarismo, cooperações agrícolas, sindicatos, partidos políticos, correntes da igreja, setores sociais ligados ao mercado tecnológico e ao próprio Estado (agenciamento técnico, econômico e social). Movimentações ideológicas. Pedaços sociais, pedaços culturais. Agentes sociais mobilizadores, interlocutores dos sem voz.
Grupos, associações, organizações (de pessoas e idéias): agricultura alternativa; agricultura orgânica; cooperação de assentados; novo sindicalismo rural e projetos de diversificação agrícola.

Capítulo 1: o objeto e o método:
Apreender sociológico as ações coletivas na multiplicidade e complexidade dos atores sociais envolvidos com a perspectiva da agricultura ecológica.
Significação sociológica: modernidade eliminação do subdesenvolvimento e desigualdades sociais, regula desequilíbrios. O sentido da agricultura moderna; as crises que abalam a sociedade e a agricultura.
Modernidade axiológica: crise agravamento dos problemas, extensão, ampliação.
Ciência técnica, informacional – capaz de superar todos os obstáculos e regenerar o humano ao máximo da civilidade. Melhoramento nas condições de trabalho, abertura cultural e ganhos em renda.
Por outro lado, marginalização e exclusão social, dependência tecnológica e econômica. Dimensão macroeconômica e social; crise internacional dos anos oitenta, crise nas camadas sociais e estágios de miséria; comportamento negativo do desenvolvimento. (pp. 31)
Novas proposições e ações coletivas por uma agricultura diferente, apoiada fortemente nas criticas das noções de modernidade e modernização.
Construção de uma identidade sociocultural e crítica a idéia de crescimento econômico e industrial ilimitados – a bordagem simbólica da leitura social das tensões, problemas da realidade.
Análise simbólica em três níveis : 1) sócio-econômico ou estrutural; 2) dinâmica de organização e modernização; 3) cultural – entre os elementos representativos e os reais.
As ações coletivas e os movimentos sociais – a teoria não fornece respostas apriori .
Atores sociais, suas ações, o lugar e os objetivos – as características próprias e os fundamentos teóricos da abordagem.
(reflexão nossa)
Como estudar comunidades rurais e suas ações sociais e que categorias analíticas utilizar?
Apresentar e discutir o quadro teórico geral e nele realçar as categorias teórico-analíticas essenciais nesta pesquisa?
As categorias e conceitos que são ou estão interrelacionados, considerando que a realidade que se propõe analisar é dinâmica, complexa e interativa, pois trata-se de uma realidade em que privilegia as ações sociais coletivas?
Não pretendo chegar nem sair de impasses teóricos, como os que existem em um bom número de análises e reflexões nessa área, do tipo analíticos clássicos como o marxismo, ou funcionalismo e estruturalismo. Nem sair do dualismo histórico-filosófico que acompanham analiticamente os movimentos sociais com base em crises e contradições estruturais, mas pensar ou refletir sobre se a transição é uma marca da complexidade e dinâmica que admite contradições e crises, enquanto partes correlacionais dos processos e práticas sociais?
O autor considera a teoria de sistemas importante passo na investigação dos processos pelos quais emergem as ações sociais, considerando estas ações coletivas com forte articulação interna, sem no entanto ver os atores sociais, meros e necessários agentes históricos, superadores das contradições criadas pela realidade social sistematizada. Não considera a ação coletiva enquanto força que interfere no equilíbrio do sistema, contrários a ordem social e a tudo que determinam suas instituições políticas e jurídicas. (pp.38)
A soma das ações individuais geram a ação coletiva ou determinado contexto social. Os grupos sociais geram ações coletivas enquanto sujeitos coletivos.
Weber(1971), considera ação como a mobilização de um, de vários ou de numerosos "indivíduos separados" – sociologia individualista.
Touraine (1973), define ação dentro de uma sistema social enquanto uma prática de relação social orientada para a manutenção ou transformação de um ou vários elementos. Ação coletiva enquanto um conjunto de práticas conflituais intervindo em um sistema social.
Melucci (1985), considera ação como uma intricada rede de objetos, de recursos e de obstáculos, como uma orientação voluntária que se constrói em um sistema de oportunidades e restrições. Os atores sociais interagindo a partir da situação em que se encontram.(pp.40)
Organização ou sistema social – relações conflituais entre forças sociais e luta pelo controle do sistema ou modelos normativos. Institucional ou político. O sistema numa conotação particular, visão de conjunto na qual diversas partes interagem de forma interdependente – sistema social como sendo de ação histórica, relações de classes ou político organizacional. (pp.41). Estes são suportes teóricos que o autor utiliza para dar base as suas linhas de reflexões.
Diferente da noção de teoria de sistemas aplicados aos conjuntos naturais ou cibernéticos, em que os reguladores são elementos automáticos. A noção sistema social percebida enquanto construção humana coletiva e contingente, com liberdade relativa dos atores – por mais atraente e tranquilizadora que seja a análise dos fenômenos através de um modelo científico tal qual a teoria dos sistemas aplicados, que as ciências sociais e humanas utilizam amplamente, ela não permite apreender a liberdade e o caráter aleatório dos comportamentos humanos. (pp.41)
A idéia de Social – A natureza do tecido social em termos de poder e resistência que TOURAINE, (1978), admite como uma mistura de dinâmicas e conflitos latentes ou declarados, de dominação, de negociação, de violência e de desordem.
"transbordamentos " do espaço da organização social – vasto território onde os fenômenos, as identidades e as formas de vida pouco institucionalizadas transgridem ou desafiam a ordem que lhes tenta codificar ou submeter. O território do social como espaço da periferia, maior ou menor segundo cada caso, situando-se no interior da organização social, diferenciando-se desta por constituir um lugar de experimentação desterritorializado, espaço de pulsações inovadoras que para ARDITI, (1988) aparece e desaparece de uma hora para outra, sem o controle do poder ou organização social. (pp. 42)
Reflexão nossa : como entender o social sem limites ou contornos exatos, como maior que a organização social? Um espaço mais aberto, sem determinações, nem obrigações. Contradição frágil entre o obrigado e o esforço para sobreviver frente à força do poder? Busca da ordem e/ou rebeldia do social?

O autor afirma que é no espaço ou campo, do social e da organização social e suas interações que se realizam as relações sociais e os conflitos que interessa para este estudo. Interação enquanto um jogo complexo onde se expressa a natureza da ação. Uma trama interativa delimita pelo campo das práticas.
Os conflitos, leituras do social, ação como sentido do agir conflitual. O conflito como uma relação de oposição entre os atores sociais que participam de um mesmo sistema de ação histórica. A ação como o centro da criação de sentidos.
Ações reivindicadoras, ações críticas e movimento social – coletivas e movimentos de luta. O movimento é forte se ultrapassa o limite das suas reivindicações. Se atingem apenas o ponto de equilíbrio são de ação crítica entre a participação e o ataque contra o Estado. (pp. 47)
Movimento social – ação solidária, conduzindo o conflito e ultrapassando os limites do sistema no qual se desenvolve a ação (Cf. Melucci, 1985), transformando as relações de dominação social. Origem na luta reivindicatória, contestação, crise, contracultura.
Crítica ao modelo marxista de luta de classes em relação aos movimentos sociais para complexidade da sociedade, conflito de poder e diversos e correlacionados níveis de hierarquias.
O conflito, manifestações escondidas, disfarçadas, camufladas, anônimas, cheias de armadilhas.
O método considera o processo social complexo, ambíguo e cheio de contradições. Assim o método da observação –interpretação – interrogação, considerando a história dos indivíduos, dos grupos e organizações sociais, o discurso, as representações sociais e as estratégias das ações coletivas que propõem formas novas de fazer agricultura.
Para tal, usou-se critérios empíricos e técnicas entrevistas não diretivas o questionário e a análise do material bibliográfico e documental. Diário de campo, com ficha de campo, acompanhamentos dos grupos e participação de atividades diretas, registro fotográfico, gravações das entrevista foram algumas das técnicas implementadas a pesquisa. O método qualitativo de observação participante, permitiu identificar as diferentes ações "do dizer e do fazer", dos atores sociais em suas visíveis manifestações individuais e coletivas. Com base no método de observação – interrogação, buscou apreender o que os atores sociais "não dizem", ficando escondido por trás dos discursos e práticas sociais. (...) pp. 52.

Cap. 02 – As origens, as formas e os meios de ações :
A busca de uma nova agricultura. Atores sociais e suas lutas. Base histórica a partir da fase colonial...chegando até ao MST e as ONG's de hoje.
O discurso e a prática: as novas palavras e as coisas. "nova agricultura, agroecologia, sustentabilidade..."Esboço de alguns arquétipos alternativos – a sensibilidade ecológica e seus determinantes ( elementos históricos); agricultura alternativa, contracultura e autonomia tecnológica (ecológica, econômica e social); Centro de Tecnologias Alternativas (cetap) – ONGs, 1986...Centro de apoio ao pequeno agricultor (CAPA), ONG's, 1989, Igreja e resistência camponesa no Sul...Centro Vianei de Educação Popular (CVEDP/CPT) anos 80...(...). Associação e Serviços a Projetos de Agricultura Alternativa (AS-PTA/FASE) ONGs... anos 90... condições idéias e base social para base organizacional rural. Agroecologia e base de sustentação política – sindicalismo, consciência e ação política...
Ecologia científica e a agricultura orgânica – base de transformação social para padrões ecológicos "humanista-naturalista" – LUTZENBERGER "Manifesto Ecológico Brasileiro" – visão ecológica das coisas como novo paradigma...pp.96
Associação de Produtores Orgânicos (APRO ) – 1988/RS...; Assentamentos e a cooperação agrícola; sindicatos voltados para produção agrícola; projetos de diversificação agrícola e a bandeira de diversificação...

Cap. 03 – Ações Coletivas e a constituição do Social .
A dessocialização do social; o caráter global e crise do liberalismo pautada no mercado auto-regulador e mercantilização da vida. Dissolução da idéia de projeto social e abertura global da marca do individualismo consumista.
Atores e ações coletivas a (re)constituição do social – crítica ao funcional-estruturalismo; crítica ao marxismo em função da supervalorização do sócio-econômico, dualidade das classes e papel ideológico dos valores por estas teorias não levarem em conta "todas" as dimensões do conflito na ação social coletiva, reduzindo-as a ações patológicas ou marginais. As lutas agora, vistas na ótica do complexo e de outras razões mais específicas, existenciais e de mudança da vida cotidiana...pp. 125
Modos de leitura do social – Constituição simbólico-cultural (de 1-agregações, 2-essencialista e 3-relacional) – 1) idéia geral de mercado, subordinação do trabalho individual ou coletivo à circulação de dinheiro e ao consumo. O agregado coletivo foi quebrado ou dissociado – o mercado assume ou aparece como o unificador social. Daí a idéia de ações e crise econômica. 2- Essencialismo é a leitura das identidades, exclusão e autodefinição dos grupos, comunidades ou "tribos", limites, ruptura e ou violência. Essencialista – origem e concepção do conflito, sua ruptura ou isolamento. Apelo a sua forma mais extrema, a essência a um inimigo ou à utopia total, completa recusa aos princípios gerais diretores. Individualismo ou comunitarismo – dessocialização dos atores sociais e a formação das microssociedades, estáveis, imutáveis...pp.126
Reflexão: nesse ponto, pretendo ver a lógica do cibernético e virtual... da utopia ...
3- o relacional – racionalidade instrumental e científica, ação intencional; a realidade social não transparente; indefinição entre o passado e o moderno, crise de centro de referência e dificuldade de construir o "nós". As relações racionais são capazes de estabelecer uma estrutura dos sistemas de relações sociais e não as relações primitivas ou naturais.
A leitura social de agregados e as relações de adaptação/integração.(pp.128) Os atores pensam suas práticas não como de resistência mais como de sobrevivência física – perspectiva de disputa no mercado e ações de acomodação, conciliação, conflito, integração e viabilidade econômica e social.
A leitura Essencialista do Social e a busca de identidade – critica a modernidade, valorização do tradicional, cultura do comunitarismo, pequenos grupos ecológico-conservacionista, cada vez mais dramatiza o tecido social total, encorajamento para que novos atores constituam uma nova comunidade ou subcultura, nelas reconhecendo a identidade social defensiva e a moral perdida. (pp.140).
Os princípios da agroecologia: rumo a uma lógica relacional do social? – resistência identitária ou sociedade fragmentada em redes restritas de grupos ou comunidades. Ou mesmo integração aos sistemas por participação, ou pela aceitação e mesmo reprodução de uma fragmentação social. Ou criaram um novo tipo de movimento coletivo que vai buscar sair das formas mais ou menos reclusas e de dominação social como um todo. De fato, as proposições agroecológicas ainda são muito restritas, limite aos projetos de fomentação e com frágil nicho produtivo.
Fica a reflexão: É um modelo, pode ser alternativo, portadora em gestação de um movimento social em formação e leva a marca da novidade?

Cap. 04 – Buscando a autonomia – Objeto de reivindicações, organização independente, crise de modelos presentes e contestação.
Autonomia camponesa ou quase autarquia – autonomia e trabalho, tecnologias, profissão, produção ou recuperação da tradição camponesa.
Estratégias para a autonomia; autonomia-solução e auto-organização como objetivo econômico; autonomia política – idéias, experiências e proposições(pp.148-171); Autonomia e tecnologias alternativas: critica contracultural e movimento social.
Reflexão: que idéia, que movimento, que futuro?
Belarmino Mariano Neto . ( belogeo@yahoo.com.br) , Guarabira, 07 de dezembro de 2003
Prof. da UEPB. Doutorando em Sociologia pela UFPB/UFCG.
Melucci (1980_ e Touraine (1984) sociologia da ação coletiva – relações sociais dos atores no sistema.

Acordo entre Incra e proprietário põe fim a conflito de 13 anos na Paraíba

            O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Paraíba e o proprietário do imóvel Fazendas Quirino/Olindina/Caiçara, no município de Juarez Távora, assinaram, na tarde desta terça-feira (16), na 6ª Vara da Justiça Federal da Paraíba, em Campina Grande, um acordo para a conclusão do processo de desapropriação do imóvel, que aguardava decisão judicial desde 1999. De acordo com o procurador jurídico do Incra-PB Ridalvo Machado de Arruda, o Incra ofereceu nova proposta para os valores que serão pagos pela desapropriação da área à proprietária, e os valores depositados em juízo há cerca de 13 anos foram atualizados e são compatíveis com a realidade do mercado.
            O imóvel, localizado no agreste paraibano, possui aproximadamente 901 hectares e é reivindicado por cerca de 30 famílias – a maioria formada por posseiros.  A região se transformou em área de conflito após o imóvel ter sido declarado de interesse social para fins de reforma agrária em 03 de março de 1998. Foi criado um Projeto de Assentamento para 46 famílias que moravam há mais de 20 anos no imóvel, mas a ação de desapropriação foi suspensa por força de decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com base na Ação Declaratória movida pelo proprietário, que pretendia provar que as terras eram produtivas. A decisão dependia de apreciação do Superior Tribunal de Justiça.
            Ficou acordado que o valor total da indenização que será pago pelo Incra é de R$ 2,2 milhões, incluindo a aquisição da terra e o pagamento das benfeitorias. A proprietária tem 60 dias, a partir do conhecimento via judicial do pagamento dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs), para desocupar o imóvel.
            Os próximos passos para o assentamento das famílias são a imissão de posse da área pelo Incra e a criação do Projeto de Assentamento, que deve manter o nome escolhido anteriormente, Novo Horizonte.
            Participaram da audiência de conciliação, presidida pelo juiz federal Francisco Eduardo Guimarães Farias, o procurador da República Marcos Alexandre de Queiroga, o superintendente regional do Incra-PB, Lenildo Dias de Morais, o procurador jurídico do Incra-PB Ridalvo Machado de Arruda, o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Noaldo Meireles, a proprietária do imóvel e representantes das famílias que devem ser assentadas.
            “O acordo de hoje representa mais uma vitória para a reforma agrária. É o fim de um processo emblemático que teve seu desfecho desenhado ainda na gestão de Frei Anastácio, mas só concluído agora, após muitas negociações entre o Incra, os trabalhadores, os proprietários e a Justiça Federal”, afirmou Lenildo Morais.
            Instantes após a assinatura do acordo, o presidente nacional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, telefonou para o superintendente do Incra-PB elogiando o empenho da Superintendência Regional e da Justiça Federal na Paraíba em pôr fim ao conflito em Quirino.

Área de conflitos
            De acordo com relatórios do Incra-PB, o caso mais grave de violência registrado contra as famílias de posseiros de Quirino foi praticado no final da noite do dia 9 de dezembro de 2007, quando a família do posseiro José Luiz da Silva foi espancada após ter a casa invadida por cerca de nove homens armados, três deles encapuzados e alguns com roupas camufladas e botas.
            Os posseiros relataram que, em uma ação sincronizada, os homens arrombaram portas e janelas e invadiram a casa do posseiro, que estava com a esposa e três filhos menores. Todos foram espancados, inclusive a filha caçula do casal, que tinha três anos. A mãe e a filha de 10 anos sofreram tentativa de estupro. Todos os objetos da casa foram quebrados (mesa, cadeiras, geladeira, fogão, o pote de água) e os agressores levaram objetos de valor (uma TV, um DVD, um aparelho de som, uma motocicleta) e R$ 700.
           
Posseiros comemoram
            Os posseiros de Quirino, lideranças da CPT, o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Roberto Efrem e estudantes de um projeto de extensão do curso de Direito da instituição que acompanham o caso há um ano e meio, saíram em carreata pelas ruas da cidade de Juarez Távora anunciando que o conflito estava terminado. Eles se reuniram na praça principal da cidade e soltaram fogos de artifício em comemoração à conquista dos trabalhadores.
            De acordo com João Luiz da Silva Filho, um dos posseiros, as famílias viveram 13 anos de insegurança e incertezas. “Chegamos ao final de uma longa história de luta e estamos iniciando uma nova vida de desenvolvimento, crescimento, abundância e sustentabilidade”, afirmou.

Fonte:
Kalyandra Vaz - Assessoria de Comunicação do Incra-PB - (83)  3049-9259 / 8610-1118