sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Observatório do Agreste




Belarmino Mariano Neto (belogeo@gmail.com)

O Observatório do Agreste[1] é instituído enquanto uma organização que aponta para uma geografia da intervenção, objetivando a realização de estudos sobre território e planejamento, com enfoques urbanos, rurais e ambientais na perspectiva do meio socioambiental e sociocultural para o Agreste, geossistema de transição entre a mata úmida e a caatinga nordestina inter-relação direta entre o Litoral atlântico e o Sertão Semi-Árido do Nordeste Brasileiro.
No Estado da Paraíba base do Observatório do Agreste, a área é identificada a partir de duas subunidades locais: Agreste Baixo (Sub-Litorâneo) e Agreste da Borborema (Planalto).
Nosso interesse maior é organizar um grupo de pesquisadores, estudantes e sociedade civil que vive na Mesorregião do Agreste paraibano, com o intuito de gerar pesquisas e ações diretas que gerem políticas sociais, culturais, econômicas e ambientais para a Região Agreste. O grupo de afinidade que ora propõe a criação desse laboratório de pesquisa é composto eminentemente de profissionais do universo geográfico, o que não significa a participação de outros membros, como ecologistas, biólogos, agrônomos, antropólogos, historiadores, artistas, sociólogos, e pessoas sem a formação acadêmica, etc.
Nosso raio concêntrico de ação parte de grupo de pesquisadores que atuam como professores da Universidade Estadual da Paraíba passando a preocuparem-se com as questões ambientais e qualidade de vida local. Os trabalhos iniciais estarão voltados para a Microrregião de Guarabira, mas se estenderão para todo o Agreste da Paraíba e demais Estados do Nordeste que estejam interessados em desenvolver pesquisas e ações na defesa do meio ambiente agrestino.
A Área de transição entre o litoral e o planalto da Borborema ou Agreste, que estamos considerando como base inicial dos nossos trabalhos é marcada geologicamente pelo dissecamento do cristalino (Borborema), representando uma espécie de escudo rebaixado e aplainado, modelado em colinas baixas e topo plano. Ainda existem restos ou resíduos sedimentares e serras de maciços. E uma área conhecida também como Piemonte da Borborema em sua extensão oriental. O clima apesar de ser considerado quente úmido, sofre uma pequena diminuição em sua umidade e pluviosidade, decorrentes de uma pequena elevação na temperatura, o que vai caracterizar um clima semi-úmido, que interfere diretamente na vegetação, marcada pelo cerrado e vegetação agreste sublitorânea. (variação de espécies herbáceo-arbustivo e xerófilas), mostrando ligeiro contato entre a Caatinga e espécies mais úmidas. Na atualidade o que remanesce de cobertura vegetal é apenas em trechos mais acidentados, e o que marca a paisagem é um horizonte de pastagem fortemente degradada, com árvores do tipo juazeiros (Ziziphus joazeiros) e marmeleiro (crotalum sp) em pouquíssima quantidade. Mesmo assim, em alguns trechos serranos, notamos uma maior diversidade, típica das tradicionais formações agrestinas e que ainda não foram totalmente destruídas pelas ações sócio-econômicas tradicionalmente praticadas na região.
Centralizaremos nossas primeiras ações na Serra da Jurema, situada no município de Guarabira/Pb, pois o ambiente serrano vem sendo alvo de práticas degradadoras, o que só seria inibido com a criação de um tipo de Unidade de Conservação para a área. Este será um dos nossos primeiros objetivos, pois já estamos atuando na área em nível de pesquisas que garantam uma melhor visão geográfica do local, com destaque para as comunidades que vivem e trabalham no local, bem como uma total caracterização geoambiental do local.
Os dois maiores centros da Depressão Sub-Litorânea são Guarabira e Itabaina, polarizadores econômicos e de políticas públicas para os municípios. A área já foi profundamente alterada pelas atividades sócio-econômicas ligadas a pecuária bovina, caprinicultura e agricultura predominantemente camponesa. Áreas de encostas que chegaram a ser identificadas como Brejo, como é o caso Guarabira, não conseguindo mais sentir o ambiente tão úmido e verde como a séculos e até décadas passadas.

No trecho do território paraibano, identificado como depressão sublitorânea ou Agreste Baixo, existe uma forte dissecação do relevo, marcadamente influenciado pelas principais bacias hidrográficas que se estendem no sentido Oeste/Leste, advindas do Planalto da Borborema (Rio Paraíba, Rio Mamanguape, Curimatú e Camaratuba) e que nessa área são influenciados por vários subafluentes e micro-bacias que fortalecem a ação hidrológica local.
Engenhos e até usinas de cana-de-açúcar foram implantadas nesse território, em especial nas áreas circunvizinhas dos Brejos Serranos, como Guarabira, Duas Estradas e Alagoa Grande (GALLIZA, 1993). O Algodão e o Sisal, também foram importantes atividades desenvolvidas nessa zona agrestina baixa.
Na atualidade, se nota uma forte retração das atividades rurais na mesorregião, em que, pequenos e médios produtores rurais descapitalizados não conseguem acessar uma produção voltada para o mercado regional de forma autônoma e, os riscos com financiamentos a partir de créditos são muito altos para as condições produtivas reais da área. Uma fraca pecuária e uma agricultura familiar restrita aos períodos de chuvas (milho, feijão, mandioca) ainda são as praticas mais comuns na região.
Centro polarizadores de serviços públicos como Guarabira e Itabaina conseguem canalizar para a zona urbana fatia importante do setor de comércio e serviços, deixando a maioria dos outros municípios dependentes do jogo de poder político e serviços públicos estaduais que em muitos casos acabam canalizados para estas áreas. Por outro lado, observa-se que as tradicionais feiras camponesas que eram fortes até a década de 1980, foram perdendo força econômica devido a retração produtiva local e hoje são predominantemente abastecidas por atravessadores e por CEASAS com produtos de outras regiões do país.
Uma nova experiência observada no Agreste paraibano é decorrente do processo de reestruturação do espaço agrário paraibano, pois na mesorregião já existem mais de setenta Projetos de Assentamentos da Reforma Agrária (PARA), comandados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e pelo Instituto de Terras da Paraíba (INTERPA), a partir da ação dos movimentos sociais no campo apoiados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), pelo Centro de Documentação Popular (CEDUP), pela Articulação do Semi-Árido (ASA), pelos vários Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STR’s) e pelo o apoio de dezenas de Organizações Não-Governamentais (ONG’s) que atuam na região.
A partir dos assentamentos da reforma agrária vem observando-se mudanças significativas das paisagens rurais, pois nestas áreas a atividade produtiva e a ocupação com moradias alteram o cenário rural do Agreste. Tanto em assentamentos com agrovilas, quanto em assentamentos que optaram por moradias afastadas e instaladas nas parcelas das famílias de agricultores. Por outro lado, estas famílias estão acessando crédito rural através do Programa Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF), que financia produção agrícola e pecuária de pequena escala, com boa linha de crédito (baixa taxa de juros, prazo e redução progressiva das parcelas em dia).
O Planalto da Borborema, Setor cristalino do maciço da Borborema, identificado como Agreste da Borborema é demarcado por uma rica diversidade microrregional. Demarcado pelos Brejos e Serras; Curimataú; Cariris do Paraíba; e Cariris de Princesa. Esta área é conhecida nacionalmente como triângulo mais seco do Brasil (Cabaceiras/Cariri; Barra de Santa Rosa/Curimataú e Seridó Rio-Grandense). Um ambiente em que buscaremos integralizar nossas pesquisas e ações práticas em defesa do meio ambiente de transição geossitêmica. É nesse trecho do Planalto da Borborema que se localiza a cidade de Campina Grande, considerada um dos maiores centros urbanos do Agreste Nordestino que atualmente abriga o Instituto Nacional do Semi-Árido (INSA).
[1] Professores proponentes: Belarmino Mariano Neto, Francisco Fábio Dantas da Costa, Lanusse Salim Rocha Tuma, Luciene Vieira Arruda, Luis Gustavo de Lima Sales, Ricélia Maria Marinho da Silva. Membros do Terra - Grupo de pesquisas urbanas, rurais e ambientais da UEPB/CNPq.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SUSTENTABILIDADE DO ASSENTAMENTO JOSÉ RODRIGUES SOBRINHO NO MUNICÍPIO DE NOVA CRUZ/RN, ÁREA DE RISCO DE DESERTIFICAÇÃO.

Silvânia Félix de Lima /UFPB (silgeo_7@hotmail.com)¹
Emília de Rodat Fernandes Moreira / UFPB (erodat@hotmail.com)²
Belarmino Mariano Neto/UEPB (belogeo@yahoo.com.br)³


A degradação ambiental provocada por formas de manejo inadequadas do solo, pela antiguidade do seu uso e pela exploração irracional dos recursos naturais no semi-árido nordestino é responsável pela perda da fertilidade do solo e da biodiversidade de muitas áreas. Paralelamente, assiste-se ao crescimento do número de famílias que lutam pela posse da terra para fins agrícolas na região o que tem resultado na ampliação da desapropriação de terras e na criação de áreas de assentamento. A fixação de um número maior de famílias no campo numa região vulnerável do ponto de vista ambiental gera a necessidade de garantia da sobrevivência da população sem comprometer o ambiente ou agravar os problemas já existentes. Daí entender-se que um projeto de reforma agrária não pode nem deve limitar-se à simples distribuição de terras e liberação de créditos. Ele deve também levar em conta a sustentabilidade ambiental. O objetivo deste trabalho é analisar o processo de reforma agrária em uma área com risco de desertificação numa porção do semi-árido do Nordeste brasileiro, o município de Nova Cruz/RN, a partir da formação do assentamento José Rodrigues Sobrinho. Para tanto, estudamos as formas de relação estabelecidas entre o homem e a natureza, as formas de organização social e econômica do assentamento e a atuação dos órgãos governamentais. Além da revisão bibliográfica o trabalho pautou-se na análise de dados secundários e na pesquisa de campo. Constatou-se que a implantação de assentamentos no semi-árido apresenta alguns elementos que podem contribuir para o seu fracasso ou para o seu êxito quais sejam: a forma de organização social e produtiva e a relação com a natureza. Aprender a conviver com as adversidades ambientais, buscando não só evitar o agravamento dos problemas existentes, mas contribuir para a recuperação das áreas degradadas é uma das condições fundamentais para a permanência das famílias nos lotes e para garantir a continuidade do trabalho e da vida na terra para as gerações futuras.

Palavras-Chave: Assentamento, Luta pela terra, Reforma Agrária

sábado, 22 de novembro de 2008

“O ESPAÇO DA LOUCURA ENQUANTO TERRITÓRIO DE DIÁLOGOS URBANOS NA CIDADE DE GUARABIRA-PB”

Angelucio Fabião Nunes (Autor) -Geografia - Departamento de Geo-História/CH/UEPB
Profº. Dr. Belarmino Mariano Neto (Orientador) -Doutor em Sociologia -Departamento de Geo-História/CH/UEPB
Prof. Ms. Robson Freitas de Albuquerque (Examinador)- Manejo de Solo e Água /UFPB
Profª. Esp. Cleoma Toscano Henriques (Examinadora)-Especialista em Analise Ambiental/CH/UEPB

RESUMO: Realizar esse trabalho sobre o espaço da loucura enquanto território de diálogos urbanos, considerando a cidade de Guarabira/PB como área de estudo foi um desafio, tanto pela novidade do tema para a Geografia, quanto pela abordagem na perspectiva da Geografia Cultural, pois essa escola de pensamento tanto permite diálogos complexos quanto complicados. O objetivo com este trabalho foi analisar o espaço da loucura a partir da realidade social dos indivíduos com padrões de comportamentos desviantes e que convivem com os ditos normais em espaços públicos como: padarias, lanchonetes, bares, mercadinhos, praças e feiras livres da cidade. Muitas são as pessoas que perambulam pelas ruas de Guarabira e apresentam o típico comportamento dito como de anormalidade, por outro lado existem aquelas pessoas ditas normais que interagem com estes loucos, lhes dando trocos, lhes pagando lanches ou utilizando estes para a realização de pequenos afazeres cotidianos, como levar ou trazer algo, fazer pequenas compras, pagamentos etc. A loucura e a normalidade estão em constante cena no espaço urbano de Guarabira. A pesquisa contou com a observação direta e construção de um diário de observações. Autores como Rotterdam (2001); Fulcault (2002); Curi (1999) e Nietzsche (2002) foram as principais referencias teórica com as quais se possibilitou a presente abordagem. A pesquisa foi feita com base no método de observação direta, na qual, observavam-se os comportamentos e espaços nos quais os ditos loucos interagiam socialmente. Os resultados aqui não são técnicos, mais apenas dizer da possibilidade em discutir temas que aparentemente estariam no campo da psicologia, sociologia ou antropologia. Assim, foi possível dizer que a geografia também pode se interessar por fenômenos como a loucura e sua espacialidade urbana.


Palavras-chave: espaço urbano, geografia, loucura.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

“Caçadores de botijas”

Vanderley de Brito¹, Belarmino Mariano Neto²

Este pequeno ensaio é apenas o despertar para pesquisas mais aprofundadas sobre um tema que aguça a imaginação humana. Os segredos, enigmas que permeiam a imaginação popular dos sertões e carrascais nordestinos. Os arrancadores de botijas, o sonho com almas e tempos passados. Essa imaginação futura de fortuna enterrada em tempos pretéritos e a cobiça de enriquecer, saindo da condição de pobreza absoluta para em uma espécie de sorte grande melhorar de vida. Isso remonta a idéia do “El Dourado”, a tentação do ouro em moedas, estatuetas maciças e caixas em madeira de lei guardadas a sete chaves e cobertas pelo véu do tempo e do desconhecido.
A pergunta é sempre a mesma, o que existe de verdade e de lenda por entre essa seara dos contadores de histórias e casos enigmáticos que a memória sertaneja teima em resgatar?
O termo botija, entre as comunidades rurais nordestinas, significa tesouros ocultos, representados por moedas e objetos de ouro e prata confinados em potes cerâmicos enterrados no solo, ou escondidos no interior de paredes de casas velhas. Estes cabedais teriam sido deixados pelos holandeses, jesuítas ou por ricos fazendeiros que temiam serem roubados, e estariam à espera de seus respectivos afortunados escolhidos pelas almas guardiães.
Os tesouros teriam ficado guardados por décadas até um escolhido receber, através de sonho, a indicação do local onde se encontrava oculto um destes. Esta revelação tinha caráter sobrenatural e o ato de resgate era cercado de regras cerimoniais indispensáveis.
Segundo os folclóricos relatos no meio rural, geralmente, o resgate devia ocorrer à meia noite e o afortunado deveria ir sozinho. Munido de pá, picareta, orações, velas e talismãs para arrancar a botija, pois o tesouro só era encontrado por aquele a quem foi destinado. Este, se não cumprisse fielmente a operação cerimonial e seguisse corretamente os sinais, o tesouro transformava-se em formigas, trapos, carvão e cinzas ou simplesmente desapareceria. Caso enviasse um substituto, este não o encontraria.
Para o processo de resgate era necessário que o anunciado tivesse muita coragem, pois era comum aparecer almas e demônios para impedir a escavação. Outro ponto importante que deveria ser seguido era que o afortunado, após arrancar a botija, se mudasse para outra região. Assim ficavam livres das almas e poderia desfrutar das riquezas deixadas pelos habitantes do além. Claro que os tesouros guardados pelos avarentos, precisavam ser desenterrados, pois estes descobriam que não precisariam de tais fortunas na outra vida, mais só conseguiriam cruzar os umbrais do mundo astral depois que se desapegassem das materialidades mundanas.
É comum encontrar-mos pessoas no meio rural afirmando que certo fulano teria arrancado uma botija e desaparecera dali. Muitos agricultores contam em noites de luas as famosas histórias de Troncoso, nas quais o universo imaginário dos ouvintes fica repleto de um misto de medo, magia e credo no contado. A história oral e a memória dos velhos que vivem nos sertões rurais da Paraíba e acreditamos de todo o Nordeste brasileiro, estão repletos de casos em que alguém um dia tenha sido visitado em sonho e que uma botija estava esperando para ser arrancada. Os locais geralmente guardam traços de antigas moradas, porteiras, fundos de galpões, casas de farinhas abandonadas, taperas ou grandes pés de juazeiros que serviam de sobra para o gado das fazendas.
Como filhos de sertanejos, ouvíamos atentos os mais velhos contando tais histórias e casos acontecidos com os mais velhos de nossas famílias ou das vizinhanças. Sabemos também que os povos indígenas da nossa região seguiam alguns rituais fúnebres, nos quais enterravam as cinzas dos seus mortos em urnas ou potes cerâmicos e muitos agricultores contam pelas bandas do agreste e brejo que arrancavam grandes potes, mas só encontravam cinza e carvão. Esse fato despertava ainda mais a intrigante mística de que as botijas haviam sido encantadas, pois eles não seriam as pessoas escolhidas para arrancá-las ou simplesmente porque estavam na presença de mais pessoas enquanto trabalhavam na roça.
É certo que estes tesouros de fato existiam e que ainda podem existir. Segundo nos consta, a notificação mais antiga de botija em território paraibano data de 1729 quando o ouvidor geral da Capitania Real da Parhayba, João Nunes Souto, envia ao rei D. João V uma carta sobre o suposto achado de uma botija contendo coisas de valor, que havia sido enterrada durante a ocupação holandesa na fazenda de Leonarda Pires de Gusmão. Este documento consta no Arquivo Ultramarino de Lisboa. Contudo, não sabemos se o processo de anunciação e resgate, no campo do sobrenatural tenha sido realmente fato ou folclore.
Infelizmente, muitos acreditam que as inscrições rupestres existentes nos rochedos da Paraíba sejam indicativas de botijas e assim, escavam a base destas pedras em busca do suposto cabedal destruindo a organização estratigráfica de sítios arqueológicos descontextualizando os vestígios existentes. Um prejuízo incalculável para a ciência arqueológica e uma decepção para o caçador de tesouros. Pois, o máximo que poderá exumar nestes locais são ossos velhos, carvões, esteiras apodrecidas, lascas de pedras e cacos de barro cozido. Vestígios de primitivas sociedades desprovidas da cobiça e desejo de riquezas.
1. Historiador ...
2. Profº. Geografia da UEPB/CH e estudioso de memória cultural.

Relatório da oficina África - “O conhecimento da Geografia Africana através de elementos artísticos”

Prof. Dr. Belarmino Mariano Neto (belogeo@gmail.com)

Na oficina se usou elementos rochosos (seixos), potes de cerâmica vermelha, peneiras de cipó, brinquedos artesanais e outros objetos cerâmicos de diferentes tamanhos, distribuídos em um sistema circular. A sala de aula foi transformada em um grande circulo para que todos os participantes pudessem interagir a partir dos vários objetos expostos no chão da sala.
Foram tratadas questões como o espaço-tempo; sociedade-natureza; paisagem; território, região e meio ambiente que estavam relacionados com o continente africano e com o Brasil.
Dois pequenos textos sobre o “pote e a peneira” (anexo) serviram de base para diferentes reflexões sobre a exclusão e a inclusão, bem como, as novas abordagens metodológicas a partir de temas que envolveram a relação África/Brasil.
Os participantes demonstraram boa aceitação ao que se trabalhou sobre a temática proposta, em especial os procedimentos metodológicos adotados. Entendeu-se que os objetivos foram todos alcançados, pois os participantes envolvidos saíram da oficina com uma visão positiva em relação aos conhecimentos teóricos e práticas vivenciadas.


“As diferentes linguagens, cores e sons da África”

A oficina foi realizada utilizando música, cores e símbolos relacionados aos povos e cultura africana. Foi criada uma “viagem imaginária” em que os participantes saiam do porto de Cabedelo rumo ao continente africano através da música “Negro Espírito” do compositor paraibano Escurinho. Esta música é um lamento sobre a saga dos povos brasileiros afro-descendentes por desconhecerem suas origens. Através da música se procurou desconstruir a imagem negativa das raízes africanas no Brasil, e foi também com essa música que os pés imaginários dos participantes tocaram o solo africano, na terra dos ancestrais para se conhecer diferentes linguagens e símbolos dos povos da África. Trabalhou-se especificamente com os símbolos Adincra - figuras que representam palavras e que transmitem sentimentos, ações, valores, crenças, etc., além da riqueza artística das formas.
Utilizou-se uma dinâmica grupal com danças circulares, poesia, espelho, músicas, estandartes com a simbologia Adincra e as cores representativas da África. Procurou-se através da arte e de forma lúdica, abrir um espaço para as discussões da quebra dos preconceitos que estão encravados na sociedade brasileira.
A viagem imaginaria prosseguiu pelo continente africano com uma música infantil intitulada “Sansa Krone” (CD crianças do mundo – Revista Recreio da Editora Abril) cantada em dialeto da África do Sul e o trabalho foi finalizado com todos os participantes em uma grande roda e dançando como se fossem crianças africanas.

ANEXO

Os dois textos que seguem serviram de base teórica para a oficina “O conhecimento da Geografia Africana através de elementos artísticos” e se encontra no artigo bases geográficas do link: http://olharesgeograficos.blogs.sapo.pt


1. Texto para Oficina Temática: Geografia do pote e sua representação
Belarmino Mariano Neto


Uma coisa que considero particularmente interessante é o pote. É uma dessas coisas que acompanham a civilização humana desde seus primórdios, o pote guarda em se toda a humanidade, especialmente quando ela começou a ocupar os vales argilosos das bacias hidrográficas planetárias. E para se chegar a este estágio, foi preciso construir muitas formas de ocupar os pântanos e planícies da morfologia terrestre, até porque, estes ambientes eram áreas vitais de disputas das diferentes espécies de animais que precisavam de água para tocar a vida encadeada pelo alimento, sólido, líquido e gasoso que muitas vezes eram arrancados na carne viva dos outros corpos que davam sentidos a esta cadeia de necessidades da vida.
O pote é aparentemente um trabalho das mãos, uma arte do simples amassar argila e lhe dar a forma de pote. Um pote não é tão simples quanto parece, aquele amontoado de fina argila, que guarda no vazio de sua forma a função de guardar água. Vejo em um pote, um complexo processo de construção. A escolha da argila, os experimentos, as texturas, a dureza e sua plasticidade. Vejo no pote o complexo sistema da natureza humana a associada aos princípios primários da natureza. O pote guarda em sua materialidade toda a filosofia Pré-Socrática dos quatro elementos (terra, água, fogo e ar) totalmente inter-relacionados e interdependentes. A única falta de um destes, impediria a construção do pote. O pote é um ecossistema sociocultural. O pote guarda em sua gênese os princípios de interdependência plástica.
Cada pote é uma coisa única, por mais perfeita que seja a arte do oleiro, este não faria o mesmo pote duas vezes. E mesmo que na sua memória guarde o mapa mental do pote original, nunca mais fará o pote mesmo da sua cabeça, nem o pote real, nem o original das escrituras mentais do feito. Cada pote guarda em si a experiência única de ser feito pote. O pote em sua feitura guarda o sacrifício da lenha que gerou o fogo e tanto o pote quanto as lenhas ao serem queimados libertaram seus gases, suas novas formas materiais e a umidade de suas águas. A argila que antes de pote, aceitava ser batida, sovada, amassada, agora na forma de pote se torna cristal rochoso, perdendo flexibilidade e ganhando rigidez. Esse estrutural que agora se sustenta basicamente em uma única coluna, plana e horizontal que ganha o sentido de fundo do pote e que é base desse todo. As colunas que edificaram o pote estão na mente, nas mãos e no vazio que o oleiro lhe impôs enquanto forma e fazer.
O pote só tem sentido enquanto vazio, se puder ser cheio de um sentido de água, vinho, azeite ou grãos. Sem isso, o sentido do pote é seu vazio que se enche de ar. Ou seja, o sentido exterior do pote é a sua forma estética ou plástica. Sem ela não se construiria o sentido interno do vazio do pote. Um pote não é trabalho para qualquer um. Um pote pede experiência do oleiro. Da mente as mãos, dos pés a sensibilidade. O equilíbrio e o domínio no ponto da argila, nem muito mole, nem muito dura, mas no ponto de cada um dos oleiros. O pote guarda em sua forma de pote um jeito de universo aberto, mesmo que com tampa.
Depois de feito, o pote precisa passar pela cura, cheio de água em seu vazio, vai chupando toda a água pelos poros de sua parede. Chupa até a ultima gota, demonstrando um sistema completamente aberto, no qual a argila bebe toda a água. A água vai preenchendo os vazios da parede argilosa do pote até sair para sua superfície, ganhando no vazio do mundo a sua condição de liberdade. Uma experiência que mexe com o sentido da estrutura do pote, tão sólida e fechada em sua plástica. Vê-se o pote suando, transpirando e vertendo ou minando a fina água que se guardava na concreta, aparente e impenetrável materialidade do pote.
Não posso esquecer o quanto o pote é frágil em sua estrutura de barro, na permanente possibilidade de se quebrar, transformando-se em cacos; outra lembrança são os limites impostos pela parede do pote; o espaço do pote no espaço da casa, lócus em que se encontra o pote; a forma do pote em sua base, cintura, pescoço e boca que aceita tudo que lhe queiram colocar, pois é da natureza do pote admitir em seus limites que lhe encham do sentido que queiram desde que consigam lhe enfiar boca adentro, pois sua boca é o limite.
Gosto muito da seguinte cena: uma mulher de estrutura média, pele morena ou queimada pelo sol com uma barrida carregada de lua cheia que carrega em si mais ou menos oito meses e meio de gravidez, subindo uma ladeira com uma criança de mais ou menos um ano e meio escachada em seu quadril esquerdo; uma rodilha de pano e um pote cheio de água em seu vazio. A mão esquerda segura o filho, a direita corta e conta o vazio do tempo dos passos para equilibrar a barriga, o menino escanchado, o pote na rodilha e a rodilha na cabeça. Tudo isso guarda um complexo e dinâmico processo de diferentes e correlacionados equilíbrios. É esse simples equilíbrio que dá sentido ao complexo do pote em seu todo de esferas e círculos em paredes de argila que dão sentido ao vazio que busco como sentido.


2. Texto para Oficina temática: Geografia da Peneira e seus vazios de sentidos.
Belarmino Mariano Neto.

A escolha em pensar a peneira como objeto de comparação no trabalho é pensar em uma casa de farinha e seus vários momentos para o fabrico da farinha ou de outros alimentos. A peneira é instrumento de trabalho extremamente simples, que foi desenvolvido desde os primórdios da humanidade, e guarda em sua estrutura um complexo emaranhado ou teia de significados para um conhecimento que propõe inter-relacionar elementos científicos.
A peneira é um objeto usado para peneirar ou separar substâncias grossas e finas. Penso em uma peneira feita com tabocas, cipó e varas do marmeleiro. Toda feita manualmente. Com um tamanho de aproximadamente 1,0m / 90 cm na forma retangular, quase quadrada. Mas existem vários tamanhos e formas, como as arredondadas. A lógica da peneira é exatamente peneirar, mais quando observo um objeto destes, vejo com facilidade seu material estrutural e sua função, esquecendo de observar o invisível que interliga cada parte da peneira, seus furos ou passagens para a massa que deve ser peneirada.
A peneira é um sistema aberto, marcada por uma trança de finas taliscas que ao se cruzarem criam um sentido de fechado/aberto para a realização do trabalho. O que fica na parte de dentro da peneira é o material grosso, que ainda precisa ser mais bem triturado; o que passa pelas aberturas da peneira é considerado como material para continuação da produção.
Mesmo considerando a peneira em sua totalidade, seu sentido é exatamente o vazio que se forma de entrelaçado das tabocas. O sentido é também sua suave concavidade na qual se acumula o material a ser peneirado. Seu rico trançado permite uma geometria de quadrados, triângulos, retângulos e losangos. Uma matemática profundamente bem arranjada em suas formas, mas seu sentido são unicamente os vazios em suas articulações. É esse sentido do vazio e da complexidade no simples que me atraí. Essa unidade de materialidade e imaterialidade; de natureza e sociedade em unicidade socioambiental enquanto sistema aberto, combinado e interligado é o que busco compreender.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A INTRODUCÃO DA AGROECOLOGIA NA MICRORREGIÃO DO BREJO PARAIBANO

Cleityane Sabino Freire1, Josivaldo da Silva2 Belarmino Mariano Neto3 1. Aluna de Geografia/UEPB/CH, e de Economia/UFPB. cleity_geo@hotmail.com 2. Aluno de Agronomia/UFPB/MAE, Areia/PB. josivaldo_rei@hotmail.com 3. (Orientador) Profº Ms em Geografia/UEPB/CH/DHG.
http://www.blogger.com/Configurações%20locais/Temporary%20Internet%20Files/Content.IE5/HIPBUSQ6/belogeo@yahoo.com.br .

EIXO TEMATICO AGRICULTURA FAMILIAR
Sub-Eixo: Agricultura familiar e experiências de convivência com a seca.

RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo contribuir para uma reflexão sobre a temática relação da agroecologia que é entendida como um enfoque científico destinado a apoiar a transição dos atuais modelos de desenvolvimento rural e da agricultura convencional para estilos de desenvolvimento rural e de agricultura sustentável e a organização social na agricultura familiar, tendo como via de pesquisa a área geográfica da microrregião do Brejo Paraibano, enfatizando a analise sócio-econômica e ambiental da agricultura familiar que se define como aquela em que os trabalhos em nível de unidade de produção são exercidos predominantemente pela família, mantendo ela a iniciativa, o domínio e o controle do que e do como produzir, havendo uma relação estreita entre o que é produzido e o que é consumido. Como metodologia adota definimos três encaminhamentos: a) a observação participante que vem sendo realizada em conjunto ao Movimento Agroecológico (MAE) idealizado pelos estudantes de ciências agrárias com sede na UFPB – campus II em Areia, que acredita na agricultura familiar e luta por sua valorização, trazendo para o meio acadêmico discussões temáticas que envolvam a agroecologia; b) a pesquisa empírica a partir dos sítios que estão adotando experiências agroecológicas locais e c) apoio técnico e acompanhamento das famílias de agricultores que se interessarem pela agroecologia. Para isso, utilizamos o enfoque territorial em relação aos novos paradigmas científicos voltados para a agroecologia e os agroecossistemas na perspectiva de formar parcerias voltadas ao desenvolvimento sustentável e construir um modelo agroecologico que subsidie os pequenos agricultores da zona rural daquela região. Acreditamos que esse projeto esta apenas iniciando, tendo em vista que a agricultura familiar precisa ser reconhecida pelo seu papel na sociedade na qual se tenha uma visão holística, e não sendo isolada dos problemas agrícolas, alem de procurar através de trabalhos de associações, sindicatos ligados ao Pólo Sindical da Borborema e articulações, como a Articulação do Semi-Árido paraibano (ASA), pois estes possibilitam experiências de convivência com a problemática da seca e importância do uso da água e manejo do solo pelas populações rurais com uma agricultura sustentável ecologicamente correta. Ainda não temos dados nem resultados para serem compartilhados, mas já conseguimos firmar uma parceria com o sítio Utopia em Alagoa Nova, onde iremos acompanhar todas as experiências agroecológicas do local dando apoio ao agricultor o Sr. Paulo Luna Freire na sistematização de suas experiências com agroecologia.

PALAVRAS-CHAVE: Conscientização social, Agroecologia, Agricultura Familiar.
TIPO DE TRABALHO: Grupo de Estudo e Relatório de Observação. MAE/UFPB e Terra – Grupo de Pesquisas Urbanas, Rurais e Ambientais/UEPB/CNPq.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

UMA ANÁLISE SOBRE AS CONDIÇÕES DE VIDA, MORADIA E TRABALHO NO ASSENTAMENTO SANTA HELENA-SAPÉ-PB

Rômulo Luiz Silva Panta¹; Belarmino Mariano Neto²

1. Aluno do curso de Geografia da UEPB/CH e de Ciências Econômicas da UFPB. romulolsp@bnb.gov.br
2. Orientador Prof. Ms de Geografia da UEPB/CH. belogeo@yahoo.com.br

EIXO TEMÁTICO: Política Agrária e Novas Territorialidades
Sub-Eixo:Balanço da reforma agrária

RESUMO: a decisão por iniciar este trabalho na temática agrária, advém da necessidade de relatar as reais situações de desigualdades vistas no espaço agrário paraibano. Esta questão está inserida no contexto nacional, como um dos gritos dados pela sociedade, para mostrar ao mundo os contrastes, descriminações, explorações, e a imparcialidade com que se tratar este problema da reforma agrária. Sendo esta feita justa e corretamente, iria modificar toda a estrutura do capital, bem como diminuir grande parte do exercito de reserva que serve como controle e base de sustentação para o mesmo. O objetivo com este trabalho é analisar as relações e formas de vida no que cerne mais especificamente as condições de vida, moradia e relações de trabalho, emprego e renda no espaço agrário de Santa Helena, Sapé/PB. Em especial o Assentamento Santa Helena, localizado na região litorânea. Região histórica pela concentração de terras e por lutas e seus conflitos sociais em busca de uma vida melhor e mais digna para o campesinato, como pode ser visto em uma análise da historia local. No período de ocupação Sapeense, existiam centenas de Engenhos localizados nas melhores terras da área, com a finalidade de produzir açúcar. (LEMOS, 1996, p.33) Utilizando para fundamentação do estudo, a matriz teórica do espaço. Para Santos citado por CARLOS (2001, p.63), o espaço é concebido como um “conjunto indissociável de sistemas de objetivos e sistemas de ações”. O espaço agrário litorâneo é estudado como cenário, onde protagonizam todas as relações de interesse da pesquisa, a monocultura da cana-de-açucar, as relações de trabalho, moradia, e a questão da terra, a qual se pretende entender, verificar e analisar na perspectiva metodológica que se consistiu de um levantamento bibliográfico, para fundamentar as propostas de estudo. Para tanto destacamos alguns autores, que contribuem de forma valorosa, para o andamento da pesquisa que são: CASTRO (1967); LEMOS (1996); MOREIRA (1997) e VARELA (2006), entre outros, como pesquisas em site do INCRA e IBGE, que contribuem para execução do trabalho. Através das idéias e temáticas destes autores, foi se construindo um conhecimento científico necessário para se elaborar o trabalho. Posteriormente foram efetuadas as visitas de campo enquanto sondagem para a definição do estudo, sendo a primeira realizada em 21.01.2006, e posteriormente em 09.04.2006. Nas duas visitas, foram entrevistados oito moradores/trabalhadores de diferentes idades, utilizando para entrevista preocupações relacionadas com a história oral de cada um. Vale ressaltar que a pesquisa ainda se encontra no começo, tendo em vista tratar-se de início das atividades acadêmicas de orientação para elaboração de trabalho de conclusão de curso.
Palavras-chave: agrário, moradia, trabalho.
Tipo de Trabalho: Pesquisa de iniciação ao Trabalho Acadêmico Orientado.

“A MEMÓRIA DAS LIGAS CAMPONESAS E A CONQUISTA DA TERRA DO CARRASCO EM GUARABIRA/PB”

José de Arimatéia da Silva¹; Belarmino Mariano Neto²; Waldecir Ferreira das Chagas³

1. Aluno do curso de História, arimateiapra@bol.com.br
2. Profº Ms. Geografia UEPB/CH/DHG-Guarabira, belogeo@yahoo.com.br
3. Profº. Drº. História UEPB/CH/DHG-Guarabira, luadeluanda@ig.com.br

EIXO TEMÁTICO: Política Agrária e Novas Territorialidades
Sub-eixo: 2. Política Fundiária

RESUMO: Esta pesquisa estar sendo realizada no Agreste paraibano, microrregiões geográficas de Guarabira na zona rural conhecida como povoado do Carrasco. Nosso objetivo é analisar pela via da história oral e trajetórias de vida a constituição da luta pela terra com a organização das Ligas Camponesas em Guarabira e sua influência na consolidação do Carrasco enquanto um território dos agricultores que aderiram ao movimento e conseguiram conquistar a terra de morar e trabalhar. Para isso, pretendemos identificar os problemas sócio-econômicos, políticos e culturais da área e apresentar um quadro das diferentes situações históricas locais. Nossa metodologia baseia-se na pesquisa empírica pautada no diário de campo, entrevistas gravadas, registro fotográfico e resgate da memória a partir da história oral e das trajetórias de vida dos agricultores que viveram durante o período em que as Ligas Camponesas comandavam a luta pela terra na Região pesquisada. A observação participante também será utilizada para melhor organizar as informações colhidas. Estamos fazendo uma caracterização histórica e geográfica da área de pesquisa a partir dos próprios agricultores que vivem e trabalham no Carrasco. Como todas as famílias que vivem no Carrasco são originárias da luta empreendida pelas Ligas Camponesas de Guarabira, estamos dando prioridade para as entrevistas com as pessoas idosas. Já realizamos oito (08) longas entrevistas e pretendemos trabalhar com mais doze (12) agricultores ou agricultoras para fechar um grupo de vinte (20) longas entrevistas em um universo de sessenta famílias com moradias no Carrasco. Esperamos que com a conclusão da pesquisa tenhamos conseguido resgatar importantes fragmentos da memória individual e coletiva, compondo assim a constituição histórica de importante momento da vida política e estrutura fundiária local.

Palavras-chave: ligas Camponesas, Memória, História Oral, Carrasco.

Tipo de trabalho: Trabalho Acadêmico Orientado (TAO) para elaboração monográfica. Terra – Grupo de Pesquisas Urbana, Rural e Ambiental/UEPB/CNPq.