quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

APONTAMENTOS PARA A DISCIPLINA DE TEORIA DA GEOGRAFIA


Fotografia: Belarmino Mariano Neto - Rio Tinto/PB, 2010.

Fabiana França; Maria Joseane Coutinho; Jacielly de Bulhões Alves (Estudantes de Geografia da UEPB/CH - Período 2012.2)

INTRODUÇÃO

O presente trabalho é fruto de leituras coletivas de vários autores de forma individual e de uma discussão teórica feita em sala de aula com o objetivo de dar inicio a um dialogo sobre as teorias e conceitos da geografia. Os estudos e reflexões foram iniciados a partir da Disciplina de Teoria da Geografia, Ministrada pelo Professor Belarmino Mariano Neto, durante o período 2012.2.
No decorrer do trabalho falaremos de capítulos das obras de autores como Andrade (1987), Corrêa (2010) e Quaini (1992), mostrando que na geografia, assim como em outras ciências existe antes de uma pratica uma teoria, onde dar-se inicio a historia de muitas ciências a questão da sua relação com outras ciências dificultando encontrar o seu objeto de estudo.
Os autores citados discutem os vários conceitos da geografia, desde muito antes da institucionalização da geografia, quando a geografia ainda era conhecida como pensamento geográfico, pois o homem tinha necessidade de conhecer o meio onde vivia e desfrutar de alguns elementos da natureza, então precisava de uma ciência que lhe favorecesse caminho para esse desfrute. A geografia que tinha, e até hoje tem conceitos que a definem como a ciência que estuda o espaço e a relação do homem com a natureza, foi realmente o que mais se enquadrou na necessidade humana abordada pelos autores escolhidos.
O livro: “Geografia: ciência da sociedade: Uma introdução a analise do pensamento geográfico” de Manoel Correia de Andrade, mais precisamente o capitulo um, tende a explicar a geografia como conhecimento geográfico e como ciência institucionalizada onde ambas surgem da necessidade e da capacidade do ser humano em modificar e de desfrutar dos recursos disponíveis na natureza, então a partir desse entendimento tende-se a obter um desenvolvimento da interpretação do processo de relação sociedade e natureza.
Neste capitulo, um dos conceitos da geografia é a ciência que faz uma descrição da superfície da terra. Diante desse conceito e partindo para ao lado da geografia política e da geopolítica, era partir do mesmo que os Europeus e estadunidenses fortaleciam a ideia de que a geografia servia apenas para catalogar nomes de montanhas, rios, mares, cidades, países, e recursos produzidos, para que então esses povos avinhassem a conhecer o que poderiam retirar de povos e países conquistados.
Andrade (1987) afirma que entre os séculos XIX e XX surgiu outro conceito, Emanoel de Martonne define a geografia como a ciência que estuda a distribuição dos fenômenos fiscos biológicos e humanos pela superfície da terra. A partir desses séculos no quais a geografia se institucionaliza eis que surge ainda outro conceito, “A geografia é uma ciência que estuda a relação entre a sociedade e a natureza, a forma como a sociedade organiza o espaço terrestre, visando melhor explorar e dispor dos recursos da natureza” (ANDRADE,1987). Até hoje esse é o conceito mais aceito, que mais identifica o objeto de estudo da geografia.
A questão da interdisciplinaridade da geografia foi o que dificultou encontrar o seu objeto de estudo, pois a geografia tinha e ainda tem uma grande relação com outras disciplinas como a sociologia, a antropologia, a biologia, a economia, a psicologia, cartografia, a astronomia, entre outras. Mesmo assim, Andrade (1987) fala ainda sobre a possibilidade de uma única geografia que integre o humano, o social e o físico, criando assim para a geografia um caráter social, por isso ele considera a geografia uma ciência da sociedade.
Quaini (1992) em sua obra “A construção da geografia humana”, procura interpretar o período moderno da evolução da ciência geográfica e se concentra na gradual diferenciação que apresenta até o pleno estabelecimento da geografia humana, durante o século XIX e as primeiras décadas do século atual. Nos capítulos iniciais faz a critica os métodos na historia da geografia, das ciências sociais e sustenta a hipótese de que é no “século das luzes” que surge a concepção da geografia humana moderna.
Nos capítulos de maior importância, dedica-se à periodização da geografia humana positivista, ao estudo histórico das relações entre o iluminismo e a geografia, e por fim, a discussão de duas possíveis linhas alternativas na evolução da geografia humana: Uma estatística e conservadora e outra integradora e democrática. O capitulo final engloba temas relativos a ideologia na geografia, nele o autor expõe que para a geografia, as questões ideológicas são muito serias por serem discutíveis, se encontram entre outros, no centro do debate contemporâneo na ciência.
Corrêa (2010) em sua obra “Trajetórias geográficas” demonstra as mudanças que ocorreram em todo o espaço geográfico. Como a sociedade capitalista retira do meio ambiente, matérias-primas, além de ter como principal assunto abordado o meio urbano e tudo que nele se insere; mudanças aconteceram nos lugares onde na atualidade, se localiza grandes cidades e metrópoles poderiam ser antes locais de florestas, mais o homem através do se trabalho em sociedade os modificou.
Para Corrêa (2010), com as grandes cidades vêm graves problemas urbanos. As grandes cidades capitalistas constituem também o lugar onde o meio ambiente apresenta-se com a mais complexa espacialidade o que se pode ser identificado de modo geral nas metrópoles são: O núcleo central; A zona periférica do centro; As áreas fabris; Os subcentros comerciais; As áreas residências da classe dominante; As áreas residenciais populares.
Assim cada uma destas áreas, cada um destes ambientes constitui uma base e existência social, os desiguais ambientes são em realidade simultaneamente perversos e funcionais, perversos porque contribuem para a reprovação de cidadãos desiguais funcionais porque a desigualdade é necessária e parte integrante de uma sociedade de classes: a extinção das desigualdades colocaria em risco a própria sociedade de classes (CORRÊA, 2010).
É neste meio onde a ação do Estado, se comparada as grandes corporações capitalistas, via de regra, é limitada, surgem novas regras, códigos e poderes que, ao mesmo tempo em que exercem vigoro controle social, criam modos de vivencias. Mas aos Estados e governos, cabem as políticas públicas e os investimentos em infraestrutura que contribuem para profundas transformações do espaço urbano e consequentemente valorização capitalista das áreas, com investimentos públicos.
Percebe-se o entrelaçamento da Geografia com a ordem no mundo, seja através da ciência, da sociedade ou pelas diversas manifestações da mesma. O que caracteriza a importância dos debates para a evolução do pensamento geográfico, demonstrando que a ciência geográfica está viva, seja em momento de crise da ciência ou renovação da mesma. As controvérsias colaboram assim, para análises epistemológicas que motivam a avanços no pensamento.

Referências:

CORRÊIA, Roberto Lobato. Trajetórias geográficas. São Paulo: Bertrand, 2010. P. 90-120
ANDRADE, Manoel Correia de. Geografia, ciência da sociedade: uma introdução a analise do pensamento geográfico. São Paulo: Atlas, 1987.
QUAINI, Massimo. A construção da geografia humana. Rio de Janeiro: Terra e paz,1992.

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